EDIÇÃO DIGITAL

Sexta-feira

19 de Julho de 2019

Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Régis Querino e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

Obrigado, Coutinho!

Desnecessário tê-lo visto jogar para ter certeza de que o Santos perdeu o maior centroavante de sua história

Não o vi jogar, mas desnecessário tê-lo visto em campo vestido com o manto branco (ou com o listrado em  branco e preto) para ter certeza de que Antônio Wilson Vieira Onório, o Coutinho, foi o maior centroavante da história do Santos.

Basta ver os números (terceiro maior artilheiro do clube, com 368 gols em 457 partidas). Ou ouvir (ou ler) os relatos de quem atuou ao seu lado. Como José Macia, o Pepe, o Canhão da Vila, que definiu o ex-parceiro de ataque como “um dos maiores centroavantes de todos os tempos”. 

A eternidade de Coutinho soa com a declaração de Pelé, ao dizer que  a imortal tabelinha entre os dois fez o Brasil ficar mais conhecido no mundo. Certamente, pois foram eles e aquele esquadrão santista dos anos de 1960 que  tornaram-se embaixadores do País mundo afora. 

Coutinho foi  unanimidade. Seja pela eficiência, inteligência e genialidade dentro da área. Ou pelo jeitão despojado, meio ranzinza, sem papas na língua, falando aquilo que  nem todo mortal  tem coragem de dizer. 

Como em uma entrevista à Rádio Jovem Pan, em 2011. Questionado pelo repórter Luiz Carlos Quartarollo se considerava Neymar um gênio, Coutinho não titubeou: "Eu, sinceramente, não vejo nada disso. É um excelente jogador, mas é individualista”. 

Entre outras cornetadas, bem ao seu estilo, Coutinho disse ainda que Neymar joga “mais deitado do que em pé”. Tema que, oito anos depois, ainda faz parte das discussões sobre o controvertido e talentoso atacante  do Paris Saint-Germain.

Ironia do destino: campeão sem jogar

Coutinho acumulou títulos pelo Santos, mas ironia do destino, assim como Pepe, foi campeão mundial pela Seleção Brasileira sem disputar um jogo de Copa do Mundo.

Figurou no time bicampeão de 1962, mas, contundido, não deu ao mundo, naquela Copa, a honra de vê-lo brilhar com a amarelinha nos gramados. Reconheceu, em uma entrevista à TV Tribuna, que essa era  a maior frustração de sua carreira.

Coutinho se foi deste plano, mas tal qual um artista, deixa a sua obra imortalizada. Como bem lembrou Mengálvio nesta terça-feira (12), após o enterro do amigo em Santos: “Passaram mais de 50 anos e ainda continuam falando da gente”.

Lenda, mito, gênio. Quem viu Coutinho em ação, ao vivo, jamais esquecerá.  Quem não viu pode seguir a dica de Edu, outro de seus companheiros de Santos: “A garotada que não o viu tem o Youtube para ver a história fantástica do nosso amigo, que infelizmente nos deixou”.

O homem se vai, mas o ídolo fica para sempre. Obrigado, Coutinho!

Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.