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Quarta-feira

23 de Outubro de 2019

Interdição da Ponte dos Barreiros leva apreensão a São Vicente

Área Continental da Cidade teme fechamento da estrutura sobre canal

O pedido do Ministério Público Estadual (MP-SP) de interdição da Ponte dos Barreiros, em São Vicente, tem gerado apreensão aos moradores da Área Continental. Eles temem ficar “ilhados” caso a Justiça acate o pedido da promotoria e determine o fechamento do principal acesso daqueles bairros, que somam 130 mil moradores, ao centro vicentino. Sem o equipamento, são necessários cerca de 32 quilômetros para se deslocar até a região insular vicentina, dotada de serviços públicos essenciais.

A interdição está prevista em uma ação civil pública proposta pelo MP-SP na semana passada. No documento, o promotor Eduardo Gonçalves de Salles alega que o estágio de conservação do equipamento oferece perigo à vida e à integridade física das pessoas. E condiciona a liberação do fluxo no local à apresentação de laudos que atestem a segurança da ponte. 

O pedido do MP-SP ocorreu após esgotar-se o prazo estipulado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para início dos reparos no local. Um laudo do órgão paulista, de 15 de janeiro passado, liberou o tráfego de apenas veículos leves, ônibus e caminhões com até dois eixos. O documento indicou prazo de seis meses para início de obra de recuperação da ponte – que ainda não ocorreu. 

Precária

Na parte de baixo, a situação é precária: algumas colunas de sustentação sequer encostam nas vigas e na laje. Inúmeras placas de concreto já exibem a armação de ferro que dá suporte ao material. 

“A gente sabe do estágio perigoso da ponte, mas fechar não é o caminho. Se precisar ir para um médico, como será? Terei que ir por Praia Grande, dar uma volta absurda”, afirma a dona de casa Ana Júlia Freitas, do bairro Rio Branco. 

Já o comerciante Sérgio Almeida de Oliveira teme perdas financeiras. “Sou eu que compro minhas mercadorias. Ficará mais caro trazer, já que vou ter que rodar mais. Não posso ficar com o prejuízo”.

Acessos

Sem a ponte, as opções de deslocamento para a área central vicentina envolvem a rodovia Padre Manuel da Nóbrega (SP-55). A primeira rota passa por Praia Grande, exigindo um deslocamento superior a 32 quilômetros. O trajeto mais curto é em direção a Cubatão, porém o trecho tem uma praça de pedágio. Já as linhas do transporte público que utilizam a Ponte dos Barreiros poderão ter seu itinerário desviado para a Ponte do Mar Pequeno.

Mobilizações em defesa da ponte estão sendo organizadas pelas redes sociais. A mais ativa é a Frente Popular Da Ponte Pra Cá, que realiza amanhã, a partir das 17h30, um ato em frente à Prefeitura.

Jogo de empurra

A responsabilidade sobre a reforma do equipamento envolve uma queda de braço. Para a administração vicentina, a recuperação estrutural “é de competência do Estado, responsável pela construção da ponte. O Estado, inclusive, foi quem sempre monitorou suas condições com estudos técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), licitando, neste caso, o projeto básico e executivo para o reforço da Ponte, em janeiro de 2018”.

A Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), órgão estatal responsável pela ampliação do VLT, afirma que a conservação e manutenção da ponte são atribuições da Prefeitura. “Cabe à administração municipal executar as obras emergenciais recomendadas em relatório técnico emitido pelo IPT”, posiciona-se, por meio de nota.

Sem a ponte, as opções de deslocamento para a área central vicentina envolvem a rodovia Padre Manuel da Nóbrega (Foto: Carlos Nogueira/AT)
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