Com 30 tataranetos, idosa de 102 anos dribla gripe espanhola e coronavírus em São Vicente

Maria Alves dos Santos chegou a Baixada Santista em 1973 e não saiu mais da Cidade Náutica, onde esbanja vitalidade e muda hábitos contra a Covid-19

Ao todo, são 12 filhos, 48 netos, 96 bisnetos e 30 tataranetos. Tudo isso anotado e listado num caderninho por Maria Alves dos Santos, moradora de São Vicente que no próximo dia 5 de junho fará 103 anos. Essa centenária sergipana que passou ilesa, há mais de um século, pela gripe espanhola, agora se vê obrigada a mudar hábitos por causa da pandemia do novo coronavírus. No entanto, nem assim a matriarca da numerosa família tira o sorriso do rosto.

Ela mantém a saúde física e mental com boa alimentação, leitura em dia e muitas cruzadinhas. Porém, em tempos de covid-19, não vai mais à igreja nem visita os filhos e netos espalhados pela Bahia, Rondônia e Sergipe. Ainda assim, está feliz. “Estou satisfeita. Deus me deu tantos anos, eu nem queria, mas estou vivendo. Com a minha família, continuo feliz”.

Maria garante ficar feliz com a proximidade do aniversário e também por continuar vivendo tranquilamente, mesmo na pandemia. Contou que, apesar da velhice, sua saúde está boa. “Só não fico mais feliz porque me falta um pouco de audição”, brinca.

Superação

A história dessa família gigante começou na cidade sergipana de Capela, que conta com 27 mil habitantes. Foi por lá que Maria cresceu e, por volta dos 18 anos, virou professora. Depois de se casar, decidiu se dedicar à costura e à casa.

Em 1971, ela e a família se mudaram para o Estado de São Paulo. Instalaram-se na Capital, mas o clima paulistano não agradou ao marido. Na rota deles, surgiu o Litoral. Dois anos depois, em 1973, construíram a casa no bairro  Cidade Náutica. E é lá onde, hoje em dia, ela mora com a filha Marluce, o genro, o neto e a nora, além de um bisneto.

“Acho que eu e ela vivemos um momento único. É totalmente diferente de tudo que já passamos”, revela Marluce. A auxiliar de enfermagem aposentada há 12 anos conta que viu diversas doenças, quando ainda trabalha em hospitais daqui. Cita a Sars, diz que ajudou a tratar muitas pessoas no Porto de Santos e viu o desespero da disseminação do vírus HIV em Santos. Mesmo assim, Marluce conta que a família segue tranquila.

Segundo ela, o conhecimento em saúde a ajudou a cuidar da mãe e dos familiares. Eles até instalaram uma pia na frente de casa para ajudar quem está passando por ali e também par quando chegam em casa. 

Saúde

Marluce diz que a rotina da família sempre teve boa alimentação. “Até hoje, ela (Maria) toma café com cuscuz, farinhas e frutas. Ela come pouquíssima coisa industrializada, não se acostumou”. Este seria o segredo da longevidade, pois Maria nunca teve doenças graves. “Hospitalização ela teve três, há 35 anos. E em um verão muito bravo, uma desidratação. Depois um reumatismo, algo assim, mas nada que a tenha prejudicado”.

Gripe, segundo a filha, é coisa rara. A última foi há mais de dez anos. E mesmo assim, no outro ano ela já estava viajando ao Nordeste para ver os demais filhos. “Acho que fiz bastante coisa e vi muito da vida. Sou feliz, alegre pela minha família. Se Deus me deu tudo isso, tenho só que agradecer”.

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