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Sexta-feira

23 de Agosto de 2019

Queda de avião de Eduardo Campos completa cinco anos e moradores de Santos aguardam por justiça

O terreno onde o avião caiu está desocupado; indenizações não avançam e moradores lutam para retomar a normalidade

Cinco anos depois e a incerteza de que a justiça será feita: esse é o sentimento de parte dos moradores das ruas Vahia de Abreu e Alexandre Herculano, no Boqueirão, em Santos. O local foi palco do acidente aéreo que vitimou, em 2014, o então candidato à Presidência da República Eduardo Campos (PSB) e outras seis pessoas a bordo do Cessna PR-AFA. Até hoje, os residentes afetados pela tragédia continuam à espera de indenizações.

O cenário atual é diferente da chuvosa manhã de 13 de agosto de 2014, quando o jatinho caiu na área residencial santista. O impacto danificou pelo menos 13 móveis, ferindo sem gravidades 11 residentes das imediações. As fachadas das construções atingidas com a queda da aeronave já foram parcialmente recuperadas, sendo custeadas pelos seus proprietários. 

Moradores dizem que o abalo gerado pela colisão da aeronave nas estruturas ainda provoca avarias nos imóveis. Trincas e rachaduras surgiram nos meses que se seguiram ao acidente, por suposta acomodação do solo após o abalo. 

(Infografia: Monica Sobral/AT)

Recomeço

Até agora, apenas uma família costurou um acordo de indenização com os donos do jatinho. Os demais aguardam o martelo ser batido pela Justiça. 

A academia Mahatma é uma das construções parcialmente recuperadas. Cinco anos depois do acidente, duas salas ainda precisam receber melhorias, conforme resume o dono do estabelecimento, Benedito Juarez Câmara. 

Ele explica que passou os últimos anos recuperando piscinas, aparelhos de ginástica e a estrutura do imóvel. Isso porque o avião caiu em um terreno que fica nos fundos da academia. Ao menos dez caçambas de entulho foram retiradas dos escombros.

"Fui promovendo a reforma aos poucos. Cada real que recebia dos alunos ainda matriculados era guardado para a reforma”. Por quase dois anos, ele se valeu de locais emprestados e horários alternativos em outras academias para manter parte da carteira de clientes. “Cheguei hoje a um terço dos matriculados que tinha antes do acidente. Depois de tanto tempo no vermelho, as contas começam a ficar equilibradas”. 

Cenário da chuvosa manhã de 13 de agosto de 2014, quando o jatinho caiu na área residencial santista (Walter Mello/Arquivo AT) 

O empresário aguarda a conclusão de duas ações indenizatórias: uma por danos morais e materiais e outra de lucros cessantes (prejuízos causados pela interrupção da atividade). Ele é um dos poucos afetados pelo acidente a comentar sobre o assunto. Procurados pela Reportagem, algumas das vítimas não quiseram se pronunciar sobre as ações judiciais. 

Apesar de decisões favoráveis em primeira instância, o PSB e os donos do avião (réus nas ações indenizatórias) recorreram. Ainda não há previsão de quando os casos serão finalizados. Em fevereiro, o inquérito sobre o acidente foi arquivado sem que fossem apontadas as causas da queda do avião. Nenhum representante do PSB ou da aeronave foi localizado por A Tribuna para comentar o assunto.