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Terça-feira

11 de Dezembro de 2018

Dúvidas sobre segunda fase do VLT em Santos incomodam moradores

Participantes de audiência pública na Câmara de Santos não conseguiram respostas sobre a segunda fase da obra

A audiência pública realizada na terça-feira (4), na Câmara de Santos, para discutir a segunda fase do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) não foi como os moradores da Rua Campos Melo queriam. O representante da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), estatal responsável pela obra, não pôde esclarecer as dúvidas dos participantes.

As árvores que hoje existem na Campos Melo, o tamanho das calçadas, o fim do estacionamento de veículos, a entrada na garagem das casas, a trepidação que o VLT talvez cause nos imóveis e o risco dos trilhos para os motociclistas estiveram entre as questões que não puderam ser respondidas.

Segundo Fábio Coelho, representante da EMTU na reunião, o convite para o presidente da empresa, Theodoro de Almeida Pupo Júnior, chegou em cima da hora e ele não conseguiu espaço na agenda para comparecer ao encontro de terça.

No dia 13, quinta-feira da próxima semana, está marcada a abertura dos envelopes das empresas interessadas em executar a obra. A ideia é que os trabalhos comecem em abril do ano que vem.

A segunda fase do VLT vai sair da Estação Conselheiro Nébias e percorrer a Campos Melo até o Mercado Municipal, na Vila Nova, e chegar ao Valongo. Serão oito quilômetros de extensão e 14 estações para embarque e desembarque.

Esquema mostra as duas próximas fases do VLT na Baixada Santista (Arte: Mônica Sobral/AT)

Como foi

A audiência pública foi realizada a pedido do vereador Rui De Rosis (MDB) e teve a participação do representante da EMTU e do presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de Santos, Rogério Vilani. Compareceram, ainda, cerca de 35 moradores da região por onde passará o VLT.

“O que mais nos aflige é a total falta de informação. Não tem um desenho de um projeto arquitetônico, ninguém distribuiu panfleto mostrando como serão o antes e o depois. A partir daí se gera essa série de questionamentos. E, para piorar, os responsáveis pelo projeto não compareceram”, reclamou o advogado Leonardo Giz da Costa Silva, morador da Campos Melo.

A reunião teve momentos tensos, como no momento em que o presidente da CET disse que o VLT beneficiará os moradores daquela região.

“Eu acho que os senhores, na verdade, estão sendo privilegiados com essa obra que vai passar por lá. Claro que vai ter impacto. Ninguém faz uma obra sem ter um pouco de dor de cabeça, mas a ideia é que vocês tenham uma condição melhor do que tinham antes”, disse Rogério Vilani, interrompido por vaias.

No final, Rui De Rosis disse que vai chamar outro encontro e insistir na presença do presidente da EMTU. A data, entretanto, ainda não está definida. “Vou cuidar disso amanhã (hoje). Olha, hoje foi um dos dias em que mais fiquei com vergonha, porque não pudemos dar essa resposta à população”, reclamou.