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Terça-feira

11 de Agosto de 2020

Menino morre em Santos 35 dias após ser ferido por animal misterioso no mar

Turista de 16 anos sofreu uma lesão no peito e morreu na UTI do Hospital Frei Galvão, em Santos

Vítima de uma “fisgada” de origem misteriosa ao realizar um mergulho no mar, em Praia Grande, um turista de 16 anos morreu em decorrência de complicações em seu estado clínico. Suspeita-se que ele tenha sido ferroado por uma arraia.

Morador de Osasco, na Grande São Paulo, o estudante Alexandre Lima da Silva Júnior, de 16 anos, morreu no sábado à tarde (25) no Hospital Frei Galvão, em Santos, onde permaneceu internado por 34 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Alexandre era filho único e foi sepultado na manhã desta segunda-feira no Cemitério Municipal de Barueri. Ele cursava Desenvolvimento de Sistemas, integrado ao Ensino Médio, na Escola Técnica Estadual (Etec) Dr. Celso Giglio, em Osasco.

Tio do estudante, o administrador de empresas Renato Domingues, de 49 anos, disse que o quadro clínico do sobrinho se agravou porque houve “análise superficial” da lesão na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Samambaia e no Hospital Irmã Dulce. No entanto, as instituições citadas negam qualquer tipo de "análise superficial".

Brincadeira na água

Renato contou que, no dia 21 de dezembro, Alexandre brincava na praia de Solemar, com água na altura da cintura, quando mergulhou e sentiu uma dor no peito. “Ele estava ao redor de crianças e ninguém sabe ao certo o que o feriu. Ele sentiu uma fisgada e houve uma perfuração”.

Houve um pequeno sangramento e o adolescente sentiu falta de ar. Ainda na praia, um guarda-vidas suspeitou de ferroada de arraia. Em seguida, o turista foi levado à UPA Samambaia, onde limparam o ferimento e deram dois pontos.

Por orientação da equipe da UPA, Alexandre foi encaminhado ao Irmã Dulce para a realização de exames. Porém, segundo o tio, o médico de plantão fez outra “análise superficial” e deu alta. Renato também classificou os atendimentos de “precários”.

No momento em que saía do hospital, o jovem vomitou e desmaiou, permanecendo mais 11 horas no Irmã Dulce, até a sua mãe solicitar ao convênio do filho a transferência ao Frei Galvão.

Alexandre levou uma fisgada enquanto estava na praia do Solemar, no dia 21 de dezembro (Foto: Arquivo pessoal)

Situação crítica

O estado de Alexandre era “gravíssimo”, conforme constatou a equipe médica do hospital de Santos. Internado imediatamente na UTI, o estudante apresentava perfurações em órgãos e hemorragia interna.

Em uma primeira cirurgia, para controlar o sangramento, foi necessária a retirada do baço. O estudante ainda precisou ser operado novamente, desta vez, por causa de uma pancreatite aguda.

Apesar das intervenções, o estado de Alexandre se agravava e houve a terceira cirurgia para limpar e conter secreções. Entubado e bastante debilitado, o estudante foi submetido a uma quarta operação para a colocação de uma bolsa de alimentação direta.

Alexandre faleceu às 18h10 de sábado. O óbito foi comunicado ao 7º DP de Santos e a delegada Andreia Maria Arakaki requereu exame necroscópico para se apurar a causa da morte e eventual responsabilidade criminal. O laudo ainda não ficou pronto. 

Confira na íntegra a nota da SPDM sobre o caso de Alexandre:

A direção da UPA Samambaia esclarece que o paciente em questão deu entrada na unidade por volta das 12h30 do dia 21/12,  apresentando ferimento na região do abdômen, recebendo todo o atendimento necessário ao seu caso. Na ocasião, os familiares responsáveis pelo paciente relataram que o mesmo havia sofrido uma queda na praia.

Após avaliação inicial na UPA, o paciente foi encaminhado ao Hospital Municipal Irmã Dulce para avaliação, passando por exames laboratoriais, tomografia, avaliação das equipes de neurocirurgia e cirurgia geral, apresentando quadro de saúde estável. Após retornar ao serviço de origem, o mesmo foi transferido no próprio dia 21/12, por volta das 21h30, para unidade particular de saúde (no caso o Hospital Frei Galvão) a pedido da família.

Importante esclarecer que, devido ao curto período no qual permaneceu em atendimento nestas unidades, foi possível realizar apenas o pronto-atendimento do caso, com avaliação inicial e estabilização clínica do paciente. Porém, não houve tempo hábil para realizar uma investigação diagnóstica aprofundada, devido à breve transferência do paciente para unidade particular de saúde de seu convênio, conforme citado acima.

Permanecemos à disposição dos familiares para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários.

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