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Sábado

8 de Agosto de 2020

Disputa eleitoral promete ser acirrada e intensa em Praia Grande

Eleição para definição do sucessor de Alberto Mourão deve contar com o maior número de candidatos em três décadas

Praia Grande poderá ter o maior número de candidatos a prefeito desde as eleições de 1988, quando seis concorrentes disputaram o Executivo. Hoje, sete nomes estão interessados ou já receberam apoio de seus partidos para entrar na luta pela sucessão de Alberto Mourão (PSDB), que encerrará o quinto mandato no final deste ano.

A principal dúvida é se o vereador e delegado da Polícia Civil Alexandre Comin tentará o Executivo pelo Podemos. Caso ele não tenha o aval da sigla, o parlamentar buscará a reeleição no Legislativo. Por ser um crítico da atual Administração, algumas pessoas o incentivavam a entrar na briga pela principal cadeira do Palácio São Francisco de Assis. No entanto, ele afirmou, sexta-feira, não ter resolvido seu futuro político.

O nome que receberia o apoio de Mourão nas eleições deste ano era outro mistério que rondava a política local, resolvido somente na última semana, quando ele anunciou que Raquel Chini disputará a Prefeitura pelo PSDB. Essa será a primeira vez que a legenda lançará uma mulher para concorrer à Administração Municipal.

Alberto Mourão despachará pela última vez no Palácio São Francisco de Assis em 31 de dezembro (Foto: Arquivo AT/Nirley Sena)

Ela terá como vice o atual presidente da Câmara, Ednaldo dos Santos Passos, o Reco, que trocou o SD pelo o PSDB em 2020. Engenheira civil, Raquel esteve à frente da Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem) até o início de junho e, desde 1993, passou por várias secretarias e órgãos de Praia Grande.

Concorrentes

Outra integrante do sexo feminino que buscará o Executivo é a vereadora e advogada Janaina Ballaris. A parlamentar, que está no segundo mandato, já vinha demonstrando sua insatisfação com o PT e migrou ao PL em março. Em plenário, Janaina sempre adotou uma postura combativa à atual gestão. Afirmou que a intenção de ser prefeita é fazer uma administração mais transparente e com olhar voltado ao cuidado das pessoas.

Outro nome conhecido do eleitorado que entrará na disputa pela terceira vez é o ex-vice-prefeito por duas vezes e legislador na Cidade por dois mandatos Alexandre Cunha (Republicanos). Um diferencial em relação aos demais pré-candidatos é que ele tem a experiência de ter atuado no Legislativo e Executivo. Nos pleitos anteriores em busca da Administração Municipal, Cunha obteve apoio expressivo. Foram 57.029 votos em 2008 e 46.390 em 2012.

Oposição

Já o PSOL apostará pela quarta vez seguida em Jasper Lopes para concorrer ao Executivo. O presidente do diretório municipal da legenda, Leonardo Alves da Silva, destacou que a sigla terá uma chapa completa de vereadores e que a agremiação representa “a verdadeira oposição da Cidade”.

O PT lançará ao Executivo o professor Maurício Barbosa, de 43 anos. Filiado ao partido desde os 14 e formado em Educação Física, ele morou em Guarulhos, onde foi conselheiro do Orçamento Participativo durante a gestão do ex-prefeito Elói Pietá (PT, de 2001 a 2008) e, na gestão seguinte, atuou na Secretaria de Esportes daquele município.

Além de Raquel Chini, o pleito de Praia Grande contará com outro nome estreante nas urnas: Danilo Morgado (PSL), que trabalha atualmente como assessor do senador Major Olímpio (PSL-SP) e que ajudou a coordenar no Estado, em 2018, a campanha do então candidato a presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ele acredita que a Cidade precisa de um gestor com um olhar diferente e que tenha uma articulação política com integrantes dos governos Estadual e Federal.

Disputa pode ser definida em segundo turno inédito

Por ter ultrapassado a marca de 200 mil eleitores, Praia Grande pode ter segundo turno nas eleições para prefeito. Em 2016, a Cidade já tinha superado a marca de 200 mil pessoas aptas a votar, mas o pleito foi decidido já no primeiro turno: o prefeito Alberto Mourão (PSDB) foi reeleito com 102.073 votos (76,03% dos válidos, sem contar brancos e nulos).

Conforme o cientista político Rafael Moreira Dardaque Mucinhato, os municípios onde há possibilidade de ocorrer segundo turno, normalmente, apresentam um número maior de candidaturas e os partidos se sentem mais estimulados a se testarem eleitoralmente. 

“Os próprios políticos dessas cidades também se sentem mais à vontade para ver como se saem diante dos eleitores. Independentemente de eles irem ou não ao segundo turno, existe a abertura de uma nova rodada de negociação para se montar uma nova coalizão e até um futuro governo”.

Mestre e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), Mucinhato acredita que o fato de o tucano não participar da corrida eleitoral como candidato e a possibilidade de segundo turno animam os demais concorrentes a entrarem nessa disputa.

“Há casos também que algumas pré-candidaturas ao Executivo não passam meramente de um balão de ensaio. As pessoas acabam se apresentando com a intenção de garantir um espaço maior na imprensa para depois dizer que é candidato a vereador ou negociar alguma secretaria no futuro governo”.

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