Ator afasta má influência do filme O Doutrinador

Produção nacional estreia nos cinemas da região nesta quinta-feira (1)

Por: Lucas Krempel  -  31/10/18  -  14:59
  Foto: Divulgação

Em um primeiro momento, o filme nacional O Doutrinador (Downtown/Paris Filmes), que chega aos cinemas da região nesta quinta-feira (1), pode parecer uma proposta insana. Afinal, o personagem-título dessa produção é o anti-herói Miguel, um agente federal que elege a corrupção brasileira como sua maior inimiga, após uma tragédia pessoal. Durante o período eleitoral, o personagem interpretado por Kiko Pissolato, numa cruzada sem volta contra a corrupção, resolve atacar um por um dos políticos.


Pissolato, que veio a Santos para a pré-estreia, ontem, no Cine Roxy, rechaça a possibilidade do filme ser usado como uma má motivação pelo público em tempos de intolerância. Prefere enxergar como algo que leva para uma discussão sobre o assunto.


“Como se trata do tema do filme, logicamente tínhamos uma preocupação. Mas depende da pessoa que senta na sala de cinema. É um filme de entretenimento, que se passa em um lugar fantasia, mas em nenhum momento é colocada a possibilidade de exterminar a corrupção através do extermínio dos políticos”, argumenta o ator. “De maneira metafórica, matamos esses políticos. É um filme de vingança contada através de milênios. Mas como é um momento de carne viva, polarização, lógico que isso vai cutucar, mas sabemos o produto que a gente fez. É um respeito pela situação do País, o momento que a gente vive, o descaso da classe política. É aquilo que a gente não pode e não deve fazer, mas a arte permite”.


O longa é inspirado em um personagem de uma HQ criada por Luciano Cunha. Pissolato conta que já havia lido os quadrinhos. “Conhecia antes de saber dos testes para o filme. Achei muito legal e interessante ver como existe a possibilidade de termos em pé de igualdade com um quadrinista brasileiro falando de um personagem brasileiro. Não é uma história repetida dos quadrinhos, o Miguel é diferente da HQ, mas fomos fiéis à essência dele”.


Desenvolver o Doutrinador nos cinemas fez o ator pensar em saltos maiores para os profissionais de histórias em quadrinhos. “Fui conhecer outros quadrinistas brasileiros e espero que o Doutrinador seja o pontapé inicial para uma projeção ainda maior para os nossos quadrinistas”.


Natural de Piracicaba, Pissolato conta que levou como inspiração para o seu personagem uma trilha sonora que embalou sua adolescência.


“A essência do Doutrinador é o rock pesado, bandas como Sepultura, Motörhead. Para fazer esse personagem, fugi da figura fria do justiceiro, psicopata, parti para um lado mais emotivo, com uma dor extrema. A trilha do filme foi colocada depois, mas adoraria ter escutado durante as gravações”.


Fã de filmes de ação, o ator, que tem uma extensa carreira no teatro e cinema, conta que levou muito da sua vivência pessoal para o filme. “Tenho dois filhos, a dor é parte latente de mim, da minha verdade. Perder um filho numa condição como essa é complicado. Já precisei de hospital público, meu filho estuda em escola pública, então temos todas essas questões. Busquei referências da literatura, dramaturgia, cinema. Referência para o ator é tudo, a gente se alimenta sempre”, comenta o ator, que interpretou Bakenmut, em Os Dez Mandamentos.


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