Venda de câmeras analógicas se transforma em nova paixão e fonte de renda para casal

Anna e Giovanna são artistas que estavam com a renda afetada por conta da pandemia; agora, o perfil no Instagram criado pela dupla conquista amantes da foto retrô

Por: Beatriz Araujo & Colaboradora &  -  10/01/21  -  14:05
As santistas Ana e Giovanna começaram a garimpar antigos modelos de câmeras durante a pandemia
As santistas Ana e Giovanna começaram a garimpar antigos modelos de câmeras durante a pandemia   Foto: Arquivo pessoal

O que começou como uma câmera analógica encontrada entre antiguidades de família, se transformou em um novo trabalho para o casal Anna Hallai Avino, de 22 anos, e Giovanna Emanuela Francesca Avino, de 31 anos, da Baixada Santista. Elas, atriz e cantora, respectivamente, estavam com a renda afetada por conta da pandemia e se redescobriram com a venda de câmeras retrôs, por meio do perfil no Instagram AnnaloGica. Agora, elas estão cada vez mais apaixonadas pela fotografia, que teve seu dia celebrado na última sexta-feira (8).


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O AnnaloGica, nome que brinca com os apelidos das donas, Anna e Gica, foi criado em outubro do ano passado e já acumula mais de 6 mil seguidores no Instagram.


Por meio do perfil foram vendidas mais de 200 câmeras analógicas, desde modelos como Yashica e Cannon, até outros mais raros, como Polaroids e toy cams (que são câmeras analógicas voltadas ao público infantil, mas que funcionam normalmente). Os valores podem variar de R$ 50,00 até cerca de R$ 1 mil.


“A gente participa de todo o processo. Encontra a câmera, revisa, anota sobre sua história e se comunica com as clientes como se fossem nossas amigas. Digo amigas porque nosso público é composto 80% por mulheres”, explica Anna.


Para Giovanna, a experiência está sendo ótima e é uma forma de levar alegria às pessoas. “Estamos realizando sonhos e fazendo com que pessoas tenham uma motivação especial, em meio a um período que está sendo tão difícil”.


Histórias afetivas


Além do AnnaloGica ser um perfil totalmente gerenciado por mulheres, outro diferencial é que Anna e Giovanna buscam conhecer as histórias por trás das câmeras que vendem, o que emociona seus clientes. “Nós queremos que as pessoas saibam que não é só uma câmera, um pedaço de plástico ou de metal. São muitas histórias e sentimentos envolvidos em cada câmera”, ressalta Anna.


Giovanna complementa que, além disso, a fotografia analógica faz com que as pessoas passem a dar mais valor a cada momento, “que é o que estamos percebendo nesse período de pandemia”.


Para qualquer lugar


Os equipamentos são enviados para todo o Brasil. Até agora, o pedido mais distante foi entregue no Chile. Na Baixada Santista, Stephany Tenório de Souza, de 24 anos, é uma das clientes do AnnaloGica.


Ela conta que sempre foi fascinada por fotografia analógica, por influência de seus pais e avós. Até que surgiu a vontade de ter a própria câmera, para poder registrar momentos especiais e cotidianos como sua família fazia. Então ela fez a compra de uma Yashica Ez Mate Kyocera com Anna e Giovanna.


“A fotografia analógica já tinha um grande espaço no meu coração. Mas, agora, tendo minha câmera, vivenciando a ansiedade de revelar um filme, ver o resultado e tudo mais, esse amor só aumentou!”, ressalta a jovem, que conta que o novo hobby também tem sido um escapediante do momento de distanciamento social.


Fotografia virou companheira na pandemia


Durante a pandemia, Aline Moreti passou a revelar seus próprios filmes e se aprofundou em autorretratos. (Foto: Arquivo pessoal)


“A fotografia analógica significa tanto para mim que é difícil descrever com palavras. Mas o processo, em si, me deu uma outra percepção sobre tempo, ansiedade e resultado”. A declaração é da estudante Aline Moreti, de 22 anos, que encontrou na fotografia uma “válvula de escape”para questões relacionadas à sua saúde mental, há cerca de cinco anos.


Normalmente utilizando uma Canon 1N 35 mm, Aline passou a se aprofundar na fotografia analógica de autorretrato no início da pandemia da covid-19. “Vi no autorretrato uma forma de descontar ou drenar pensamentos e sensações negativos”, conta.


Aline diz que ainda não sabe definir muito bem sua proposta na fotografia, pois sempre transita entre estilos e busca por coisas novas. Mas assume ter um apego por fotos em preto e branco e imagens não nítidas, que sejam borradas, tremidas ou desfocadas.


Parte de seu portfólio pode ser encontrado em seu perfil no Instagram.


Revelação em casa


Para a jovem, a fotografia vai além do resultado final. E foi seguindo este pensamento que Aline passou a se aventurar no processo de revelação dos seus próprios filmes em casa, também no início da pandemia. Além de ser uma forma de baratear o custo, ela diz que a revelação estimula muitas coisas dentro da fotografia analógica.


“Foi a melhor coisa que aconteceu dentro do meu processo criativo. É uma forma de ter controle sobre os resultados, de experimentar, de 'errar', se frustrar e aprender”, destaca a fotógrafa, que aprendeu a revelar "sozinha", lendo artigos e vendo vídeos tutoriais na internet.


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