Logo A Tribuna
ASSINE
Icone usuario ENTRAR
CLUBE IMPRESSO ACERVO ASSINANTE

Tony Ramos: 'Novelas de Manoel Carlos propõem uma inquietação ao espectador'

"Sei que todas as noites há, pelo menos, 50 milhões de brasileiros que esperam o melhor possível de mim”, afirma o artista

Por: Do Estadão Conteúdo  -  25/01/21  -  18:15
Tony Ramos: “Novelas de Manoel Carlos propõem uma inquietação ao espectador”
Tony Ramos: “Novelas de Manoel Carlos propõem uma inquietação ao espectador”   Foto: Fabio rocha/ Divulgação

Atemporal. É assim que Tony Ramos classifica tanto Laços de Família(Globo, 2000 a 2001) quanto Mulheres Apaixonadas(Globo, 2003). Sucessos de Manoel Carlos, as duas novelas estão sendo reprisadas: na Globo, no Vale a Pena Ver de Novo; e no Viva, às 23 horas, respectivamente. Em ambas, o ator ganhou papéis de destaque. No primeiro folhetim, vive Miguel, o culto dono de uma livraria que se apaixona por Helena (Vera Fischer), mas demora a ser correspondido. Na outra história é o saxofonista Téo, que passa por um grande choque na vida após um assalto.


Na entrevista a seguir, o ator de 72 anos comenta as memórias da época das gravações de Laços de Família; conta por que as novelas de Manoel Carlos são clássicos da teledramaturgia e compara os personagens Miguel e Téo. Com mais de cinco décadas de experiência na televisão, Tony confessa o que o move a continuar trabalhando e fala do próximo projeto, Olho por Olho, título da nova trama de João Emanuel Carneiro, ainda sem previsão de estreia.


Que momentos vêm à sua cabeça quando pensa na época das gravações de Laços de Família?


Tenho vários momentos bonitos nessa novela. A preparação que fiz com o Flávio (Silvino), que fez o meu filho, e o próprio depoimento de vida do Flavinho em fazer aquele personagem. O núcleo todo era muito particular e especial. Falar de livros, ser dono de uma livraria e de uma editora tinha um peso forte. Sou um veterano nesse negócio e via que brotava uma emoção legítima na Carolina (Dieckmann) na cena inesquecível em que ela raspa o cabelo. Enfim, as gravações, que nós iniciamos no Japão, também deram uma textura muito particular ao folhetim.


O que faz as obras de Manoel Carlos serem clássicos da televisão?


Nosso querido Maneco (apelido de Manoel Carlos) sempre foi um grande observador. Quando fiquei sabendo que 'Mulheres Apaixonadas' também ia ser reprisada, vi que seria ótimo ter uma releitura. Ele é um grande cronista do cotidiano, que propõe uma inquietação ao espectador, sem deixar de lado o folhetim.


Como é revisitar esses dois trabalhos depois de tanto tempo?


É delicioso. Mas é bem difícil estabelecer qualquer paralelo entre eles. Existe um choque dramático. O Miguel era um homem que não tinha superado o acidente em que a mulher morreu, o filho tinha sequelas e ele se apaixonava pela Helena (Vera Fischer), mas não era correspondido naquele momento. O personagem tinha um ato muito nobre, renunciando ao amor que sentia por aquela mulher. Já o Téo era um sujeito blasé com a vida, muito rico e que descuidava do casamento. Só acorda para a vida quando entra em coma, a partir daquele famoso tiroteio da Rua Dias Ferreira, no Leblon (bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro). Eram sujeitos opostos, mas que tive um prazer idêntico ao fazer.


Com uma carreira tão longa, o que ainda o motiva a atuar?


Sou uma pessoa que tem prazer com a profissão. Gosto de estar atuando e entre meus colegas de cena, no estúdio. Sei que todas as noites há, pelo menos, 50 milhões de brasileiros que esperam o melhor possível de mim. Independentemente de dor de cabeça, unha encravada, dor de dente, ansiedade, decepções ou alegrias. Então, não complico muito para viver. Sou grato pela minha trajetória. Que venham mais anos! Esses são meus estímulos para seguir trabalhando e, de vez em quando, um vinho tinto, porque ninguém é de ferro (risos)


O que você diria para si mesmo, há 20 anos?


Eu não falaria nada. O trabalho é sair de casa, agradecer a Deus. Tem gente que não acredita, é ateu, e eu respeito. Como sou muito religioso e creio, acho que tem uma força maior que me permite ter saúde e convites para trabalhar. Não fico fazendo pergunta. Mas, se tivesse de dizer algo para mim, diria: ‘Você decorou bem o texto hoje? Está tudo certo?’. O que me move é o trabalho. Eu nem recebi ainda os textos do João Emanuel (Carneiro). Sei mais ou menos o que é a novela, claro. Mas, com a parada da pandemia, tem várias coisas sendo reescritas, adaptadas. Então, não faço perguntas. Quando chegar o texto, vamos ver como é e faremos os ensaios.


Logo A Tribuna