Rodrigo Lombardi fala sobre Moretti, seu personagem em Travessia

Em entrevista, ator revela as nuances da interpretação, bastidores das gravações em Portugal e muito mais

Por: Estadão Conteúdo  -  07/11/22  -  22:13
Rodrigo Lombardi:
Rodrigo Lombardi:   Foto: Fábio Rocha/Globo/Divulgação

Rodrigo Lombardi gosta de interpretar cada nuance da personalidade de Moretti em Travessia, novela das 21h da Globo. Na trama, o empresário do ramo da construção civil já foi sócio de Guerra (Humberto Martins), mas se envolveu com Débora (Grazi Massafera), noiva dele, o que levou ao rompimento da parceria comercial e da amizade entre os dois.


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Após refazer a vida em Portugal e se casar com Guida (Alessandra Negrini), o personagem se empenha em atrapalhar o atual projeto do rival e conta com a ajuda do hacker Oto (Romulo Estrela) na vingança. Só não imagina – ainda – que é o pai biológico de Chiara (Jade Picon), fruto dos encontros com Débora e criada exatamente pelo ex-amigo de Moretti.

Na entrevista a seguir, o paulistano de 46 anos fala sobre os temas abordados em Travessia: a conduta dúbia de Moretti, como foi gravar em Portugal e da longeva parceria com a autora Gloria Perez, com quem trabalhou também em Caminho das Índias (2009), Salve Jorge (2012 a 2013) e A Força do Querer (2017). Além disso, revela se sentia saudade de atuar em novelas. Por fim, comenta sua participação no final de Verdades Secretas II, disponível no Globoplay e com versão na televisão aberta exibida pela Globo.


Em Travessia, os personagens fogem dos estereótipos de vilão ou herói, sendo um pouco de tudo. O que você acha disso?


Essa novela é um retrato fiel da vida real. Terá o momento em que os personagens vão precisar quebrar regras, ir de encontro à sua ética, moral, valores e costumes. Vão usar aquela máxima de que os fins justificam os meios e cair na dúvida das pessoas, porque todo mundo é assim. Todos nós já fomos mal interpretados, erramos e machucamos alguém. O público consegue se reconhecer e refletir.


Um dos temas abordados é o de fake news. Você acredita que esse debate pode contribuir para abrir os olhos do público?


Fake news sempre existiram, só se digitalizaram. Assim, se espalham com mais velocidade. Porém, as informações também são divulgadas com facilidade. Então, cabe a nós estarmos antenados. Pode trazer uma angústia para a gente de achar que não sabemos nada. De acreditar, em algum momento, que uma notícia falsa era verdade e levar aquilo adiante para, no final, descobrir que estava errada. Isso gera depressão, ansiedade, uma série de coisas retratadas na trama.


Como funcionará a relação do Moretti com o Oto em Travessia?


O Oto é alguém que o Moretti contratou há muito tempo. É o cara que já hackeou o meu personagem. Ao invés de prendê-lo, ele o contrata, porque é inteligente e vê o potencial. Essa parceria dos dois sempre foi tranquila. Mas Moretti coloca o rapaz para fazer serviços que não fazia mais. Você vê que todo mundo tem o seu momento de vilania e é posto em xeque.


Como foi gravar em Portugal?


Foi incrível! Eu quase me mudei para Portugal. Amo o Brasil, mas me arrependo de não ter vivido essa experiência lá. Ainda quero passar um tempo no país. Se eu pudesse me aposentar hoje e ficar o resto da minha vida em algum lugar, seria em Portugal.


Sua última novela foi A Força do Querer (2017). Estava com saudade do formato?


Não sei se a palavra saudade é a certa, porque eu não parei de atuar, que é o que amo fazer. Mas estava sentindo falta de contar uma história em 200 episódios. Quando faço uma novela, é um ano em que a gente forma essa família e, de repente, em uma sexta-feira, quando acaba o último capítulo, não sei o que fazer no sábado.


Travessia é o seu quarto trabalho com Gloria Perez. Como avalia essa parceria?


Quando fiz a minha primeira novela dela, talvez tenha ganhado o meu personagem de maior sucesso até hoje (o Raj, de Caminho das Índias). Depois, Gloria, generosamente, me deu outros papéis incríveis. Então, é muito bom estar de volta. Quando começou a ideia de Travessia, eu não estava no elenco. Outro ator ia interpretar o Moretti. Mas, quando a direção da emissora me ligou e falou que eu faria um folhetim dela, fiquei bem feliz.


Nesse período longe das novelas, durante a pandemia, em que atividades você focou?


Eu tive de aprender a cozinhar, a costurar, a desenhar, fiz curso de dança, de idioma e entrei em um grupo de atores por videoconferência. Consegui me manter produtivo, mas também aprendi que o ócio pode ser criativo. A partir de agora, cada vez mais, a gente precisará disso. O estresse é a doença do século, (a síndrome de) burnout em jovens é crescente e começamos a perceber que não vai acabar. Então, temos de achar maneiras de conviver com essas coisas.


Para Verdades Secretas II, você voltou a interpretar o Alex. Agora, em Travessia, Alexandre Nero e Giovanna Antonelli também estão reprisando os antigos papéis de Salve Jorge (2012 a 2013), o advogado Stenio e a delegada Helô. O que acha desses retornos?


Se parar para pensar, a gente não faz (risos). Eu, no set de gravação, fico vendo o quanto é lindo o resgate do Nero tentando lembrar como ele fazia o Stenio, a fim de ter uma linha de raciocínio do personagem. Falei com ele que, se me pedissem o mesmo, eu não sei se saberia executar. Quando me convidaram para filmar o final de Verdades Secretas II, que era só um plano e não tinha nenhuma fala, não sabia se conseguiria fazer. Não lembrava como interpretar o Alex.


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