"Robin Hood: A Origem" não convence, mas garante a diversão do público

Longa-metragem é o blockbuster mais massacrado pela crítica mundial em 2018

Por: Lucas Krempel  -  29/11/18  -  11:57
  Foto: Divulgação

Robin Hood: A Origem, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (29), é o blockbuster mais massacrado pela crítica mundial em 2018. Dificilmente alguém vai conseguir roubar esse incômodo título nas próximas semanas. Dito isso, vamos entender os motivos. O primeiro deles é o roteiro, que conseguiu desconstruir Robin Hood, dando um novo rumo para a história do Príncipe dos Ladrões.


Não sou da turma de críticos ranzinzas que detona quase todos os remakes ou filmes derivados de personagens consagrados, mas temos que concordar que transformar Robin Hood em uma história na linha do Batman não foi algo muito inteligente. O próprio ritmo do filme, acelerado ao extremo, com algumas cenas confusas de perseguição, nos faz lembrar de alguns fiascos de super-heróis na telona.


Robin Hood (1991), com Kevin Costner como protagonista, ainda segue como o meu predileto. Roteiro bem amarrado, trilha sonora marcante – (Everything I Do) I Do It For You, com Bryan Adams) – e o elenco em uma sintonia fora do comum. Além de Costner, Morgan Freeman (Azeeem), Christian Slater (Will) e Alan Rickman (Xerife de Nottingham) estão muito bem em seus papéis.


Para entender o que aconteceu com essa enésima releitura de Robin Hood, é preciso buscarmos algumas explicações nas filmografias do diretor, roteirista e elenco. Isso esclarece muito o motivo das críticas.


Otto Bathrust, o diretor, não tem um currículo ruim, mas sua trajetória até aqui era exclusiva nas telinhas. Peaky Blinders e Black Mirror (dirigiu o primeiro episódio da série) são os seus trabalhos mais notáveis. A primeira é uma grande produção, com várias imagens de ação e velozes (alguma semelhança?). Por sinal, Peaky Blinders talvez tenha influenciado o inglês nesse Robin Hood e convencido os realizadores a contratá-lo. Tire suas conclusões depois.


Ben Chandler e David James Kelly, os roteiristas, não têm experiência na telona, são ainda mais limitados que Bathrust. Nem sempre os novatos dão conta de estourar com um blockbuster logo de cara. Existem exceções, claro. Não é o caso dessa dupla.



Os mais novos, provavelmente, vão curtir toda adrenalina colocada na telona. O local escolhido para receber as cenas de ação em Nottingham, cidade inglesa na qual surgiu o Príncipe dos Ladrões, foi a bela Dubrovnik, na Croácia. E isso cria mais um laço com a atual geração. É impossível não se lembrar de Game of Thrones (HBO) vendo os grandes embates do filme. Fiquei até curioso para saber como era a Nottingham do século 13. Será que era tão parecida com essa cidade litorânea croata?


O longa também se torna divertido em alguns momentos, com os diálogos entre Robin Hood (Taron Egerton) e Little John (Jamie Foxx). A fotografia também é muito bonita, o que garante um trailer convincente.


Mas vamos parar por aqui. Jamie Foxx chamou a atenção com o filme de ação Colateral, em 2004, que lhe rendeu indicações no Globo de Ouro e Oscar. Estourou com Ray, logo na sequência, que lhe garantiu as conquistas de melhor ator nas duas premiações. De lá para cá, alternou entre bons e maus papéis. O que tem me incomodado, no entanto, é como ele tem ficado caricato em todos os filmes. Parece sempre uma adaptação de algum outro papel. Em Robin Hood não é diferente.


Egerton não convence como Robin Hood. Conhecido por seu protagonismo nos dois filmes da franquia Kingsman, o britânico está bem abaixo do que pode oferecer. A grande expectativa está pela cinebiografia Rocketman, previsto para 2019, na qual ele interpretará Elton John. Uma chance imperdível de reverter o jogo a seu favor.


Robin Hood - A Origem (Robin Hood), EUA. 2018. 1h56m. Direção de Otto Bathrust. Com Taron Egerton, Jamie Foxx e Jamie Dornan. Roxy Anilinas, Roxy Brisamar, Roxy Gonzaga, Cinemark Praiamar, Cinesystem PG.


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