Renê Ruas recorda a Santos efervescente em seu novo livro

"Poleiro de Pato é Terreiro - Firulas e Parangolés e Coisa e Loisa" reúne crônicas e causos com boas recordações da Cidade

Por: Matheus Müller  -  27/11/18  -  12:05
  Foto: Vanessa Rodrigues/AT

Sem querer ser saudosista, mas com boas recordações do passado, o escritor Renê Ruas lançou recentemente o livro Poleiro de Pato é Terreiro - Firulas e Parangolés e Coisa e Loisa, pela Editora Realejo Livros. No compilado de "crônicas ou causos", como diz o autor, há uma tentativa de resgate de uma Santos solidária, fraterna, efervescente, que esbanjava educação e cultura, onde era comum o uso do por favor e do obrigado.


De acordo com ele, o material não tem pretensão de promover juízo de valor sobre os tempos de hoje, apenas relembrar e provocar um sentimento que possa ter adormecido no passado.


Este é o segundo livro de Ruas. O primeiro foi o Cuíca no Velório e, como alguns textos haviam ficado de fora, foi um “pulo para completar o Poleiro”.


Apesar de não ser uma continuação, as edições se completam, pois têm a mesma “necessidade de mostrar personagens anônimos das calçadas e das ruas da Cidade”. O escritor entende que essas personagens precisam ser lembradas.


“Sou um escritor por acaso, não por profissão. Não tenho como viver da venda dos meus livros. A edição deles só foi possível pela coragem do José Luiz Tahan, livreiro da Realejo Livros, e, nesse novo trabalho, com a verba do Fundo Municipal de Assistência à Cultura (Facult), da Secretaria de Cultura de Santos (Secult)”.


Ruas pegou gosto por lançar livros e espera uma nova edição para 2019. “Escrever é uma rotina quase que alucinada, tão necessário como respirar. Eu espero, para o próximo ano, se possível for, editar um pequeno livro de poesias e alguns ‘haicais’, que chamo de haicai de buteco”.


O haicai a que o escritor se refere é um tipo de poema curto, de origem japonesa, que também é chamado de Haikai – palavra formada por dois termos “hai” (brincadeira) e “kai” (harmonia). O resultado é uma espécie de poema bem-humorado, como explica o escritor.


O agradecimento pelo espaço dado às publicações vem carregado de um pesar, uma vez que 44% da população brasileira não tem o hábito de leitura e 30% nunca comprou um livro. Os dados são da Pesquisa Ibope 2016, encomendada pelo Instituto Pró-Livro.


“Creio que quem tem o hábito da leitura não deixe de ler por causa da internet. Temo, porém que as novas gerações, os jovens, nascidos com a internet, não tenham e nem conservem o hábito da leitura. Fico apreensivo. Talvez essa informação consiga explicar os reclamos dos escritores e a situação das editoras Saraiva e Cultura (ambas vêm fechando lojas e reduzindo”.


Serviço


Poleiro de Pato é Terreiro - Firulas e Parangolés e Coisa e Loisa tem 105 págs e está à venda por R$ 40,00 na Realejo Livros (Av. Mal. Deodoro, 2, Gonzaga, Santos).


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