Produtor santista lança segundo livro sobre blues nacional

Eugênio Martins Júnior é o autor de "Blues - The Backseat Music"

Por: Lucas Krempel  -  12/12/18  -  15:49
  Foto: Divulgação

O blues nacional ganhou mais um registro literário de respeito. E quem está por trás dele é novamente o produtor santista Eugênio Martins Júnior. O segundo volume da obra Blues - The Backseat Music (Realejo) tem como diferencial as origens do gênero no Brasil.


“Nesse segundo volume escrevo uma introdução de 40 páginas sobre o início do blues no Brasil, desde quando surgiram os discos Água Mineral, do Blues Etílicos, e Mandinga, debute de André Christovam, os dois primeiros de catálogo de gravadora (Eldorado) chamado de blues”, comenta o produtor sobre as obras que chegaram ao mercado em 1989.


No mesmo ano, outro evento contribuiu para impulsionar o blues brasileiro, também relatado por Júnior na obra. O Blues Festival reuniu, na Cava do Bosque, em Ribeirão Preto, nomes consagrados como Buddy Guy, Junior Wells, Albert Collins, Magic Slim e Etta James.


O medo de não alcançar as vendas esperadas foi determinante para o produtor dividir a obra em dois volumes também. “Sobraram 40 entrevistas e decidi não fazer tudo num livro só. O blues não é uma música que vende no Brasil, é algo para apaixonados. E para a parcela que compra música, menor ainda. Mas estou tendo um feedback bacana dessa galera. Queria abordar outros aspectos também”, justifica.


O formato de entrevistas, replicado nessa segunda edição do Blues - The Backseat Music, é considerado pelo produtor “a forma mais pura de Jornalismo”. “Eu adoro entrevistas. Não queria dar muita opinião, já faço isso nas perguntas, mas queria que eles respondessem por eles. O blues é feito por contadores de histórias, os famosos storytellers”.


Destaques da obra


Entre as principais entrevistas desse segundo volume, Júnior destaca Bruce Iglauer, proprietário da Alligator Records, gravadora que lança desde o início dos anos 1970 discos de grandes nomes do gênero, o blueseiro James Wheeler, falecido em 2014, Magic Slim e Lurrie Bell.


Os artistas nacionais e da Baixada Santista também são lembrados na obra. Se no primeiro volume o escritor resgatou entrevistas com Mauro Hector (Druidas) e Flávio Guimarães (Blues Etílicos), os focos agora estão em Arthur Menezes, com carreira internacional consolidada, um dos pioneiros do gênero no Brasil, Paulo Meyer, Vasco Faé, Marcos Otaviano, os demais integrantes do Blues Etílicos, além da Dog Joe, banda santista em atividade desde os anos 1990.


Ao vivo


As entrevistas feitas por Júnior são realizadas na base da insistência. Não tem tempo ruim para ele. Sempre que a oportunidade aparece, ele pega a sua moto e vai para São Paulo, Rio de Janeiro, onde for para garantir o seu material. “Os produtores já me conhecem, sabem que priorizo a entrevista ao vivo. Entendo que, às vezes, não rola. Daí vai pelo WhatsApp mesmo”.


Em uma dessas viagens, em 2010, Eugênio foi curtir o Clube do Blues, em Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Saiu de lá decidido a replicar a proposta em Santos. Durante três anos, organizou o Clube do Blues no Studio Rock Café. Trouxe Shirley King, a filha do lendário BB King, Lurrie Bell, Flávio Brum, Mauro Hector, entre outros.


“Dei um gás na cena por três, quatro anos, mas depois começou a definhar. Eu escolhi a terça-feira para os shows. No começo, todo mundo gosta e se empolga. Depois, perde o gás. O pessoal prefere pagar R$ 500,00 em um show gringo a investir R$ 20,00 numa produção local”.


Mas a produção blueseira não para. Júnior segue estimulado com o bom momento e quer seguir com a sua pesquisa. “Tem várias bandas legais surgindo. Já os bares, abrem e fecham. Mas somos insistentes. Vou lançar o terceiro volume dessa obra, completando 100 entrevistas”.


E os passos seguintes também estão definidos pelo escritor. “Estou pensando num outro livro sobre jazz BR. Tem muita gente produzindo som legal no Brasil, mas não recebe a devida atenção”.


Logo A Tribuna