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Oscar brasileiro do HQ premia artistas da Baixada Santista

Organizadoras Dani Marino e Laluña Machado conquistaram duas estatuetas com o livro Mulheres e Quadrinhos (editora Skript)

Por: Egle Cisterna  -  02/01/21  -  10:30
Dani Marino e Laluña Machado organizaram obra que apresenta o trabalho de 120 mulheres quadrinistas
Dani Marino e Laluña Machado organizaram obra que apresenta o trabalho de 120 mulheres quadrinistas   Foto: Divulgação

Duas mulheres da Baixada Santista foram destaque no universo das histórias em quadrinhos em 2020. Dani Marino e Laluña Machado levaram dois prêmios no evento que é considerado o Oscar brasileiro dos quadrinhos, o Troféu HQMIX, pelo livro Mulheres e Quadrinhos (editora Skript). A dupla foi vencedora nas categorias de melhor livro teórico e melhor publicação mix.


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Mas a premiação teve um gosto a mais do que referendar a obra, que apresenta o trabalho de 120 mulheres. Para as organizadoras do livro, essa é mais uma oportunidade das quadrinistas femininas mostrarem sua capacidade neste universo - ainda dominado por homens - desmistificando a crença de que elas criam apenas “desenhos fofos”.


“É um fator legitimador dos trabalhos que ali foram publicados. Uma coletânea com 120 mulheres, que trabalham com quadrinhos de alguma forma, onde muitas delas não tinham tido nenhuma publicação impressa. E o Mulheres e Quadrinhos deu essa oportunidade a elas”, avalia Laluña.


Visibilidade maior


Dani afirma que a internet passou a dar mais visibilidade para as mulheres neste mercado. “Era difícil ter mulheres nas HQs. A internet possibilitou que elas pudessem publicar, sem ter o crivo de um editor. Antes, ouvíamos que o dia que as mulheres produzissem como os homens, elas poderiam ganhar prêmio. Tínhamos grandes artistas, mas que não chegavam lá por um ‘apagamento sistemático”.


Ela lembra ainda que o troféu, que nesta edição, cuja premiação ocorreu em 12 dezembro, de forma on-line, foi representado pela personagem Radical Chic, de Miguel Paiva.


“Quando saiu o resultado, ficamos bem felizes, ainda mais pelo fato de, entre os outros indicados terem nomes muito fortes. Mas foi um prêmio bem simbólico, uma vez que antes, no Brasil, nada havia sido publicado desta forma, além do fato da HQMIX ter feito uma campanha machista em 2015. A nossa vitória representou um marco, uma mudança”, argumenta Dani.


Para compor o livro, lançado no ano passado, elas procuraram nos grupos de HQs formados por mulheres quem tinha interesse em publicar os trabalhos. Em duas semanas, as 120 participantes de todas as regiões do Brasil já tinham se candidatado.


Projetos


Para este ano, Dani ainda não pretende enveredar por um novo projeto para publicação. Ela vai se dedicar ao doutorado e pretende aprofundar os estudos na crítica especializada às HQs.


Já Laluña, que é uma das maiores especialistas em Batman do País, pretende se concentrar num trabalho sobre o personagem utilizando autores filosóficos para dar mais um embasamento teórico aos quadrinhos do Homem-Morcego. Ela também pretende lançar um novo livro, História dos Quadrinhos nos Estados Unidos, em parceria com o pesquisador Diego Moreau, além de participar de publicações sobre Sandman, Coringa e Mulher Maravilha, todos da DC Comics.


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