Marcos Piffer lança quatro livros fotográficos neste sábado em Santos; um deles sobre o Porto

Evento acontece em restaurante no bairro Boqueirão

Por: Arminda Augusto  -  02/12/23  -  15:10
Reservas Extrativistas, Minas Gerais, Amazonas e Porto de Santos são retratos distintos de um país diverso, pelas lentes de Piffer
Reservas Extrativistas, Minas Gerais, Amazonas e Porto de Santos são retratos distintos de um país diverso, pelas lentes de Piffer   Foto: Sílvio Luiz/AT

Quem vir a foto isolada, fora de contexto, pode dizer que não é uma imagem do cenário brasileiro: cabras soltas correndo pela areia branca de uma praia quase virgem, deserta, com pequenos tufos de vegetação aqui e ali.


A foto, porém, é bem brasileira e integra uma sequência de imagens da Reserva Extrativista Prainha do Canto Verde, na cidade de Beberibe, litoral do Ceará. Essa e outras sete Resex (reservas extrativistas) viraram obras de arte em forma de livro pelas lentes do fotógrafo Marcos Piffer. Reservas Extrativistas, da Editora Brasileira, tem 194 páginas muito bem ilustradas com fotos pitorescas de cenários pouco conhecidos do grande público.


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Piffer passeia por reservas do norte ao sul do País, começando pela Resex Chico Mendes, no Acre, com texto introdutório escrito pela filha do próprio Chico Mendes, Ângela. “A reserva Chico Mendes faz parte do legado que meu pai deixou e não tem sido fácil ajudar a preservá-la, perante tantas ameaças, inovações de ilegalidades e o consequente aumento do desmatamento”, diz Ângela Mendes.


Quatro livros
Reservas Extrativistas é apenas um dos quatro livros que o fotógrafo santista lança hoje, a partir das 17 horas, no Barkanas 53 (Rua Azevedo Sodré, 53, Boqueirão, Santos).


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No Amazonas de Piffer, a natureza exuberante e as populações ribeirinhas foram retratadas   Foto: Divulgação

Além desse, o lançamento quádruplo inclui Minas Gerais, Amazonas e Porto de Santos, publicações ao estilo Marcos Piffer: livro de fotos, com imagens de cores vibrantes, onde até um coco partido sobre a mesa, uma porta clicada de cima ou uma cadeira vazia do lado de fora de uma casa de comunidade ribeirinha fazem o leitor fixar o olhar, buscando todos os detalhes daquele contexto. Nenhum detalhe escapa ao olhar de Piffer.


Viagens e descobertas
Marcos Piffer diz que os livros Amazonas e Reservas Extrativistas foram pensados a partir de suas viagens Brasil afora. “Passei 21 dias percorrendo as reservas. São cenários muito ricos de um Brasil pouco conhecido. São comunidades que precisam ser preservadas, protegidas da especulação”, diz.


Para o livro Amazonas, foram duas viagens. “Com sua cobertura verde de floresta espessa, rasgada por rios caudalosos, uma certa Amazônia insiste em sobreviver no imaginário de cada um de nós. É a natureza em estado bruto, guardando segredos de povos e toda sorte de riqueza, que as fotografias deste livro flagram em suas formas contemporâneas. Mas ela também esconde histórias que pulsam numa região que nunca deixou de ser descoberta e redescoberta”, diz o pequeno texto de introdução.


No livro Minas Gerais, a história, os costumes e a cultura mineiros foram retratados pelas lentes do fotógrafo
No livro Minas Gerais, a história, os costumes e a cultura mineiros foram retratados pelas lentes do fotógrafo   Foto: Divulgação

Em Minas Gerais, a visita foi a parques nacionais, mostrando as riquezas e belezas naturais, o modo de vida e o cotidiano das pessoas, a nascente do Rio São Francisco, na Serra da Canastra. E tem cidades escolhidas pelo autor pela relevância dos cidadãos que nelas nasceram. “Quando eu estava finalizando o livro, fiz questão de fazer mais uma viagem somente para ir nas cidades onde nasceram Guimarães Rosa (Cordisburgo) e Carlos Drummond (Itabira). Não fazia sentido falar de Minas sem ter essas cidades nele”, explica Piffer.


Porto de Santos tem o texto de abertura feito pelo arquiteto Gino Caldatto. “O Porto de Santos está no imaginário da gente que o conhece com um cenário grandioso, de escala monumental. Há tempos é considerado o maior porto do Brasil e o principal da América Latina, embora alguns suponham estar entre os maiores do mundo”, escreve o arquiteto.


O livro, de 132 páginas, mostra ângulos novos e curiosos de cenas já conhecidas: porões de navios com cargas a granel, terminais portuários, contêineres sendo içados para cima das embarcações e o movimento na entrada do canal.


Tem, também, um capítulo à parte da Vila de Itatinga, em Bertioga, com sua usina hidrelétrica que produz parte da energia usada no Porto de Santos. Nas lentes de Piffer, as casinhas amarelas e o bonde que leva os moradores e visitantes pela antiga estrada de ferro viraram obras de arte. “Mesmo nos ambientes já conhecidos, há inúmeras descobertas por fazer”, diz.


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