Mais de 100 anos depois, Mogli reabilita a selva

Nova obra, que teve painel especial durante a CCPX, em São Paulo, se revela muito atual

Por: Lucas Krempel  -  10/12/18  -  10:02
  Foto: Reprodução/Netflix

A história do menino criado por lobos e outros animais após se separar dos pais, quando ainda era um bebê, segue em evidência. Desde que surgiu em 1894, na obra O Livro da Selva, de Rudyard Kipling, Mogli virou um dos clássicos mais explorados pela indústria do cinema. Foram sete produções, sendo as duas últimas lançadas em 2016 e na última sexta-feira (7).


A nova obra, Mogli: Entre Dois Mundos, foi dirigida pelo talentoso ator e diretor Andy Serkis (o Gollum, do Senhor dos Anéis). Sua estreia mundial foi exclusiva pela Netflix, o que rendeu um painel especial para o filme, no sábado (8), durante a Comic Con Experience (CCXP).


“Mesmo que o livro tenha sido escrito há mais de 100 anos, soa muito atual. Parece que nós vivemos em um mundo no qual muitas pessoas se sentem isoladas, elas não sentem que fazem parte deste mundo. Estamos falando de um mundo em que milhões de refugiados estão andando por aí, procurando um lar. Assim como em qualquer clássico da literatura, sinto que essas histórias sempre voltam à tona porque muita gente se identifica com elas por causa da questão humana. Essa história não é uma exceção”, declarou Serkis, logo no início do painel.



Mesmo com poucos dias desde o seu lançamento, Mogli: Entre Dois Mundos tem gerado várias discussões sobre as escolhas feitas por Serkis. O que muita gente não entendeu é que o diretor se apegou ao clássico, a história original, ou seja, foge do padrão Disney, que busca infantilizar para alcançar um público novo.


“Fico muito animado com essa história, é uma abordagem nova. A conexão que a gente tem é emocional, as pessoas falam que é mais sombrio, não é um filme de família,mas ele é intenso. Mas com certeza ele é um filme para ser visto em família. Talvez não para os muito pequenos, criancinhas. As crianças de cinco, seis anos talvez achem o filme intenso demais, mas a partir de oito anos, acho que é um filme de família. Nós vamos falando um com os outros, gerando debates”.


Quem interpreta Mogli é o adolescente Rohan Chand. O elenco conta ainda com Christian Bale, Cate Blanchett, Benedict Cumberbatch, Freida Pinto, Matthew Rhys, Naomie Harris e o próprio Serkis, que usa e abusa da técnica de captura de performance. Esse recurso,que transporta expressões e movimentos dos atores para personagens criados digitalmente, já permitiu que Serkis vivesse Gollum (Senhor dos Anéis), César (chimpanzé no Planeta dos Macacos: A Guerra) e King Kong (homônimo). Em Mogli, Serkis assume a função do urso Balu. Seus companheiros também seguem a mesma linha, com Christian Bale no papel da pantera Baguera e Benedict Cumberbatch como o tigre ShereKhan.


“Um elenco fazendo esses animais extraordinários foi incrível. Eles são fenomenais e vieram porque adoraram o assunto e queriam se descobrir de uma outra forma, o que eles conseguem fazer com essa nova tecnologia. Então nós tivemos um momento de criação excelente, todas as pessoas juntas no set trabalhando com o Rohan (Mogli). A gente trabalhava com os animais para que eles parecessem com os atores, o que foi um processo difícil. Pegávamos o rosto do ator, depois de uma pantera real e aí nós fazíamos uma transformação bastante lenta do rosto do Bale para o rosto da pantera. Você consegue enxergar os dois na hora do filme”.


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