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Livro derruba o mito de que há diferenças entre homens e mulheres

Obra da neurocientista britânica Gina Rippon desmente a crença popular de que homens e mulheres seriam biologicamente diferentes, a partir de uma análise de aspectos cerebrais

Por: Beatriz Viana  -  02/02/21  -  13:16
Obra é lançada no Brasil pela Rocco; tem 448 páginas, a R$ 89,90
Obra é lançada no Brasil pela Rocco; tem 448 páginas, a R$ 89,90   Foto: Reprodução

Por séculos, a sociedade discute se existe ou não um argumento que justifique “quem é mais forte” na eterna guerra entre os sexos. Por meio da obra Gênero e os Nossos Cérebros, a neurocientista britânica Gina Rippon desmente a crença popular de que homens e mulheres seriam biologicamente diferentes, a partir de uma análise de aspectos cerebrais.


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O mito dos cérebros feminino e masculino foi utilizado para conferir uma suposta inferioridade evolutiva às mulheres. Nessa perspectiva, o cérebro “feminino” seria considerado subdesenvolvido, desorganizado e deficiente de modo geral. Outras características frequentemente associadas à “feminilidade” (vista, por muitas sociedades, como um sinônimo de “fraqueza”), seguindo essa narrativa, incluem: vulnerabilidade, instabilidade emocional, inépcia científica, irresponsabilidade e tendência à submissão.


Em seus estudos, Gina descreve o argumento de “culpar o cérebro” como recurso constante entre os séculos 18 e 19. “Era um mantra constante e persistente quando queriam encontrar explicações para como e por que as mulheres eram diferentes dos homens. [...]Aceitava-se de modo geral que as mulheres eram social, intelectual e emocionalmente inferiores”.


Essas questões tornaram-se limitantes do papel social feminino através dos anos. Convencionou-se associar a figura feminina como naturalmente cuidadora, o que limitava sua atuação à vida como esposa, mãe e dona do lar. No aspecto profissional, a teoria fomentou a crença de que mulheres não estariam aptas às áreas de exatas ou biológicas, pois como seres mais “emocionais”, era mais “adequado” que trabalhassem em áreas vinculadas às humanidades. Segundo a autora, essas teses motivaram até decisões políticas.


Em seu primeiro livro não-acadêmico, Rippon promove iniciativas que aumentem a representatividade feminina nas áreas científicas e tecnológicas. A autora faz parte da European Union Gender Equality Network, organização pela igualdade de gênero na área acadêmica, e também é colaboradora em pesquisas sobre efeitos dos estereótipos de gênero, como a Fawcett Society e a NeuroGenderings Network.


O livro, lançamento no Brasil da Editora Rocco, reúne estudos, teorias e construções sociais associadas ao papel do sexo biológico no comportamento e habilidades humanas. Além disso, aborda questões sociais contemporâneas intrínsecas à temática, como igualdade de gênero e fake news.


Machismo


Segundo o neurocirurgião Edson Amâncio, os estereótipos de gênero relacionados a crença de cérebros feminino e masculino é uma falácia, justificada por um “machismo abominável”. “Não há, até onde vai meu conhecimento, nem anatômica, nem fisiologicamente, nenhuma diferença entre cérebro masculino e feminino. Logo, não dá para falar em fragilidade feminina cerebral”, diz o neurocirurgião.


Amâncio afirma não haver dados que confirmem diferenças de gênero. “Você pode falar em sensibilidade psicológica entre um e outro cérebro, intuição, sensibilidade, empatia, etc. Mas não há nenhuma pesquisa que valida essas características comparando entre sexos”, conclui.


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