Livro "Amores Invisíveis" relata a vida de casais homoafetivos

Obra é escrita pela psicóloga Déa E. Berttran

Por: Da Redação  -  18/12/18  -  22:22

Meu filho pode ser tudo, menos drogado, bandido ou gay. Quem já não ouviu essa frase? “Infelizmente, ainda há quem associe o homossexual à criminalidade e ao pecado”, diz a psicóloga Déa E. Berttran. Para a santista, os casais homoafetivos só conseguem superar a barreira do preconceito ao aceitarem, antes, sua própria condição.


“Os pais deveriam desejar que os filhos sejam felizes, não que sejam hétero ou homossexual”, diz a autora, que, no sábado (15), lançou o livro Amores Invisíveis – Casais Longevos da Diversidade (Cultura), na Casa Fórum, em Santos.


“As pessoas dizem que Deus criou o macho e a fêmea, que isso seria o convencional. Mas esquecem que a homossexualidade está presente entre todas as espécies mamíferas. Faz parte da natureza”, aponta.


A obra investiga a trajetória de quatro casais homoafetivos – dois de homens e dois de mulheres – que convivem há mais de duas décadas. Apesar de ser fruto de uma tese de doutorado, o livro não tem um perfil acadêmico. Traz histórias de superação, coragem e busca da felicidade.


A escritora analisa que a sociedade brasileira, por ter uma visão predominantemente heteronormativa, acaba fazendo com que muitos gays ainda optem por se esconder. O que pode ser angustiante. “O fato de estar no armário e poder ser descoberto a qualquer momento gera uma expectativa. Essas pessoas têm um alto nível de estresse”.


A psicóloga relata o caso de um dos casais do livro – o de mulheres –, que, apesar de ter a relação reconhecida dentro da família, ainda são apresentadas pelos parentes às pessoas como duas amigas. “O homossexual tem que primeiro vencer suas contradições internas para conseguir uma autoestima elevada”.


Sem amarras


Mas nem tudo são pedras no caminho dos casais homoafetivos. A autora afirma que, por não terem os papéis heteronormativos pre-estabelecidos, eles encontram uma maior liberdade no convívio. “Homens e mulheres discutem quem vai lavar a louça. Com os gays, não há imposições. Quem for mais afeito (à atividade), faz”.


A especialista – que clinica e mora na Capital, mas dá aulas no Centro Universitário São Judas Tadeu – Campus Unimonte, em Santos – cita o sociólogo britânico Anthony Giddens ao apontar que os casais homossexuais já exercem um senso de liberdade que só agora os casais héteros estão experimentando.


“Eles têm muito o que ensinar. Como viver sem modelos e ser mais criativos”.


As eleições de outubro deram sinais de que o novo Congresso Nacional – com o aumento das bancadas da Bala, da Bíblia e do Boi – pode rever conquistas obtidas para o público LGBT nos últimos anos. “Ao mesmo tempo, tem gente boa para se contrapor. O momento é de as pessoas lúcidas fazerem a resistência frente à ignorância”.


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