Leonardo Mirio lança trilogia com histórias sobre Raul Seixas

Fã do cantor, ele reuniu entrevistas de pessoas que conviveram com o artista

Por: Vinicius Holanda  -  18/12/18  -  22:04
  Foto: Divulgação

Quando Raul Seixas morreu, em 1989, o paulistano Leonardo Mirio tinha apenas 12 anos. Isto não o impediu de, quase três décadas mais tarde, concluir uma trilogia recheada de histórias saborosas sobre o maluco beleza, organizada a partir de relatos de pessoas que conviveram com o baiano.


O projeto começou em 2013, um ano após o autor terminar o curso de Filosofia, com um trabalho que tratava do compositor de Metamorfose Ambulante. O que era para ser um único livro com 12 entrevistas acabou rendendo material para três publicações, com mais de 120 personagens retratados.


O primeiro foi Raul Nosso de Cada Um (2015), seguido de O Eco de Suas Palavras (2016) e Jamais Me Revelarei, recém-lançado. Assim como os anteriores – que já ganharam reedições –, de forma totalmente independente.


“Eu era do Raul Rock Club (fã-clube oficial do roqueiro) e queria adentrar mais o universo dele. Conversei com pessoas que, de alguma maneira, estiveram presentes em sua vida. Um indicava outro e, assim, a coisa cresceu”, diz o hoje segurança patrimonial – que, por conta da idade, nunca assistiu a um show do ídolo. “Conheci todos que estiveram ao seu redor. Só faltou ele”.


Carpinteiro do universo


O tempo foi precioso na elaboração da obra. Ao longo do período dedicado ao projeto, Mirio viu três dos entrevistados morrerem – Franye (da dupla Tony e Frankye, que Raul produziu no início da década de 1970), Sérgio Porto (percussionista que tocou com o músico nos anos 1980) e Waldir Serrão, o Big Ben (precursor do rock na Bahia com a banda Waldir Serrão e seus Cometas, no final dos anos 1950).


“Essas histórias iriam se perder. Por isso fiz questão de registrá-las”, explica o agora escritor, que fez questão de publicar os relatos na forma – e no jeito – que foram feitos. “Minha prioridade era ser imparcial. Houve gente que o chamava de anjo, genial e generoso, mas também quem o considerasse sacana, indisciplinado, louco”.


Entre o time de colegas – ou nem tanto – estão pessoas de diversas áreas, como Rick Ferreira (guitarrista), Cláudio Roberto (parceiro musical), Tânia Mena Barreto (ex-mulher), Paulo Cesar Barros (baixista), Scarlet Vaquer Seixas (filha), Tony Osanah (guitarrista argentino) e John Burns (americano proprietário de um clínica de reabilitação), entre outros.


“Comecei indo a Salvador (cidade natal de Raul) e uma coisa foi puxando outra. Fiz tudo na raça”, diz o filósofo – e também historiador. “Eu sou tudo: divulgador, vendedor, escritor. Só não sou rico”, brinca.


Eu também vou reclamar


Mas se são as histórias que importam, vamos a uma contada por Sylvio Passos, presidente do Raul Rock Club. Ele lembrou que, em meados da década de 1980, Raul cismou de ir a um tradicional restaurante japonês na Rua Augusta, em São Paulo, trajado como chinês. Barrado na porta, não se conteve: “Aí dentro tem mais cheirador de cocaína do que eu!”


Não parou por aí. Ainda disposto a traçar um quitute oriental, ele propôs a um taxista levá-lo para o bairro da Liberdade. Os três comeram e beberam sem miséria, mas, na hora de ir embora, Raul descobriu que não tinha dinheiro. Resultado: sobrou para o motorista levar o compositor (“já chapado”) e, ainda, pagar a conta. Afinal, nem sempre a sociedade é tão alternativa.


Serviço


Trilogia Raul Seixas, de Leonardo Mirio (independente). Raul Nosso de Cada Um, 276 páginas, R$ 35,00. O Eco de Suas Palavras, 236 páginas,R$ 38,00. Jamais Me Revelarei, 330 páginas, R$ 40,00. Os livros podem ser encomendados pelo telefone (11) 98939-9608.


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