Cantora e compositora Tulipa Ruiz: do teatro à canção

Gravada durante a pandemia, 'Medeia por Consuelo de Castro' baseia-se na versão de 1997 do mito grego

Por: Bia Viana  -  28/04/21  -  15:15
   Músicos ouviram muitos sons até chegarem na 'paleta de timbres' para a produção
Músicos ouviram muitos sons até chegarem na 'paleta de timbres' para a produção   Foto: Divulgação

Compondo a trilha sonora de Medeia por Consuelo de Castro, filme-teatro de Bete Coelho e Gabriel Fernandes, os músicos Felipe Antunes, Fábio Sá e Tulipa Ruiz uniram forças para o single Água-Viva, que conduz de forma mística e intensa o desfecho da protagonista. A ‘Medeia pandêmica’ concebida no filme, segundo Tulipa, é uma característica dos tempos. “O projeto dessa Medeia pandêmica, revisitada, no meio desse furacão, não é uma coisa que você canta à toa. Exigia de mim presença, entrega, e só tive a agradecer”.


Clique e Assine A Tribuna por apenas R$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços!


O mito já tinha aparecido para Tulipa durante a pandemia, em uma conversa com a cantora Liniker. “Ela tinha me mostrado um trecho da Medeia com Debora Lamm. Falamos sobre textos do teatro, de como a palavra dita no teatro tem uma outra dicção e como transportamos isso na música”. A coincidência simbólica renovou as perspectivas de Tulipa, em especial ao revisitar a ritualística do teatro e evocar essas emoções em sua voz.


Gravada durante a pandemia, a produção baseia-se na versão de 1997 do mito grego, sob olhar da dramaturga Consuelo de Castro, que fala sobre as cicatrizes e dores de uma vida eterna. Medeia, tal como a água-viva Turritopsis nutricula, é um ser imortal. No paralelo dessa eternidade sofrida, as dores de Medeia equivalem às queimaduras das águas-vivas, que ardem, queimam e renascem.


Segundo Felipe, que descobriu no animal um argumento para a canção, a água-viva representa vários simbolismos na obra. “Essa Medeia sofre. Ela diz, ‘se eu tivesse uma morte, eu teria uma vida’, ela sabe que é imortal e vai carregar essas dores para sempre. Se a gente parar para refletir sobre essa continuidade com a natureza, de que a gente retorna em outras formas, a mistura da mortalidade natural e a imortalidade cósmica vai acontecendo”.


A mística do mar


Para ambientar o filme, Fábio conta como escolhas sonoras curiosas formaram as “paisagens sonoras líquidas” do filme. “Estávamos buscando as texturas que traduziriam a Medeia, e chegamos em muitos ruídos, sons relacionados com a água, como sons de submarinos e de exames de ultrassom. Ouvimos muitos até chegar na nossa paleta de timbres (risos)”.


Segundo Felipe, a pesquisa por sons ‘internos’ buscava exaltar a natureza líquida do corpo humano. “Desdobramos um trecho de nove segundos de ultrassom em cinco minutos. Ficou um negócio muito louco, um instrumento ‘irreprodutível’ (risos)”.


Tudo sobre:
Logo A Tribuna