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Documentário 'Pelé' destaca o peso da coroa do Rei do Futebol

Gravação se debruça em fatos históricos, e demonstra o sentimento que o povo brasileiro nutre pelo esporte

Por: Beatriz Viana  -  25/02/21  -  12:06
Documentário 'Pelé', que tem estreia marcada para fevereiro, ganha primeiro trailer
Documentário 'Pelé', que tem estreia marcada para fevereiro, ganha primeiro trailer   Foto: Divulgação/Netflix

Pode soar como exagero aos que nunca vibraram nas arquibancadas dizer que a jornada de um único homem foi capaz de dividir um esporte em duas eras. Porém, quando falamos em Edson Arantes do Nascimento, essa afirmação é incontestável.


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Consagrado como Rei do Futebol, Pelé teve sua história recontada pelo documentário homônimo lançado na última terça-feira pela Netflix. Por mais que tivesse essa proposta, o filme não é sobre Pelé, mas sim sobre a história do futebol brasileiro, usando o Rei como personagem.Além de ilustrar seu papel na formação identitária do Brasil como País do Futebol, também tenta justificar a relevância do esporte em nossa formação cultural e política.


Com belíssimas reconstituições de época, o documentário se debruça em fatos históricos e demonstra o sentimento que o povo brasileiro nutre pelo futebol. Sem diminuir seu brilhantismo, o filme mostra Pelé como protagonista da grande geração do futebol brasileiro, referenciando os impactos das vitórias de 1958 e 1970 na sociedade brasileira e a influência da conquista da Copa do Mundo como uma vitória do povo e para o povo, em tempos de crise.


Cautelosamente, Pelé atravessa as relações nebulosas entre esporte e política, relatando a brutalidade da ditadura enquanto ilustra o Rei como um herói nacional apolítico em meio ao caos. Entretanto, a narrativa omite, por exemplo, a experiência do jogador como Ministro do Esporte no Governo Fernando Henrique Cardoso, mesmo convidando o próprio FHC como entrevistado. O filme destaca o peso da coroa fora do esporte e a pressão para que Pelé tomasse partidos.


Permeado por recortes de jornais e imagens de arquivo, o longa esmiuça sua trajetória no esporte entre depoimentos de jogadores, políticos, jornalistas e artistas. O astro é o único entrevistado em um cenário liso, sem quaisquer objetos que pudessem ilustrar sua vida pessoal, hobbies, conquistas ou demais gostos. Com exceção da irmã Maria Lúcia, nenhum parente ou mesmo sua esposa aparecem na película.


Lançado em meio à pandemia, claramente o filme torna-se ainda mais saudosista ao revisitar um Maracanã lotado na final de 1970, colorido pelos balões, fogos de artifício e pelas torcidas da multidão canarinha, que vivenciou no estádio e nas ruas um momento histórico do futebol. Entretanto, nem a nostalgia foi capaz de diminuir o entusiasmo: a cada passe, chute ou assistência, despertamos o mesmo instinto de esperança que Pelé nos trouxe há 50 anos, no mais sombrio dos tempos.


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