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'BBB 21' registra acusações de homofobia, racismo, xenofobia e até tortura psicológica

Reality vem provocando debates e muita tensão a respeito de várias formas de violência

Por: Por Estadão Conteúdo  -  14/02/21  -  17:09
Participantes são acusados de várias formas de violência durante confinamento
Participantes são acusados de várias formas de violência durante confinamento   Foto: Reprodução/Rede Globo

Embora esteja no ar há pouco menos de três semanas, o BBB 21 já registrou acusações de homofobia, racismo, bifobia, intolerância religiosa, xenofobia e até de tortura psicológica - as buscas pelo termo na internet dispararam 610% entre janeiro e fevereiro, chegando ao maior patamar da série histórica de registros do Google, desde 2004.


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Após casos potencialmente tão graves serem registrados ao vivo e transmitidos para milhões de espectadores de maneira completamente acrítica, as reações do público variaram entre a aprovação e a reprovação de perpetradores e vítimas.


Um dos mais notórios embates na casa, por exemplo, foi a acusação de tortura psicológica da cantora Karol Conká contra o ator Lucas Penteado. Lucas anunciou sua desistência de participação no programa no domingo (7) após duas situações que levaram ao ápice a tensão na casa: seu beijo em Gilberto e a confissão de ser bissexual.


De acordo com Daniel Martins de Barros, psiquiatra e professor do Departamento e Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a tortura psicológica consiste em "imposição de um sofrimento em alguém de maneira que a pessoa não consiga resistir".


Esse sofrimento pode ser "tristeza, dor, frustração, raiva", explica o especialista, e a incapacidade de reagir não precisa ser uma condição objetiva. "Por exemplo, uma criança sofrendo bullying na escola poderia contar aos pais, falar com o professor, mudar de escola, mas ela se vê incapaz de reagir." No caso de um reality show em que os participantes são observados por milhões de pessoas 24 horas por dia, essa vulnerabilidade pode, de acordo com Barros, pode provocar essa sensação de incapacidade de reagir.


Para o psiquiatra, as atitudes registradas entre os participantes do BBB, sendo ou não consideradas ofensivas, têm consequência por estarem sendo transmitidas para tantos espectadores sem uma mediação. "O risco que a gente corre quando veiculamos esse tipo de situação é, de alguma maneira, validar esse comportamento e mostrar que ele é um recurso presente que pode ser utilizado".


"O outro lado da situação é: existe um benefício de se veicular isso, que é justamente provocar reação e indignação àquele sofrimento que os espectadores estão vendo. Não sei dizer cientificamente qual vai ser o resultado disso na prática na sociedade".


Em termos de impacto imediato na imagem dos envolvidos, a discussão parece estar surtindo algum efeito: Karol, que tinha 1,7 milhão de seguidores em seu Instagram antes de entrar para o programa, viu esse número cair em cerca de 400 mil, enquanto seu algoz Lucas já soma 8 milhões de seguidores mesmo após deixar a casa do BBB.


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