Pesquisa aponta que gafanhotos são capazes de detectar câncer precocemente

Estudo mostra que é possível desenvolver equipamento a partir desse inseto para detectar doenças

Por: Marcus Neves Fernandes  -  03/07/22  -  13:31
O mítico gafanhoto, presente até mesmo em cenas bíblicas, tem uma excepcional capacidade olfativa
O mítico gafanhoto, presente até mesmo em cenas bíblicas, tem uma excepcional capacidade olfativa   Foto: Adobe Stock

A cena (ainda) é hipotética. Você vai a um consultório e, com um pequeno aparelho, o médico “cheira” o seu corpo. Em segundos, tem-se o diagnóstico, apontando se há ou não células cancerígenas, sua localização e, a partir disso, o seu tratamento precoce. O mais curioso, porém, é que essa possibilidade não só existe como pode se tornar realidade com um equipamento desenvolvido a partir do cérebro de gafanhotos.


Clique, assine A Tribuna por apenas R$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios!


Cientistas dos Estados Unidos acabam de publicar um estudo que demonstra a viabilidade dessa tecnologia. O trabalho, que ainda carece de novas análises, é alicerçado em outras pesquisas que já evidenciaram a enorme habilidade olfativa desses insetos.


No caso dos tumores, a equipe do pesquisador Alexander Farnum, da Universidade de Michigan, implantou eletrodos nos cérebros de um grupo de gafanhotos e testou a reação das ondas cerebrais levando em conta dois recipientes: um com odores tumorais e outro isento deles.


Os pesquisadores conseguiram identificar ondas cerebrais específicas quando da presença das moléculas cancerígenas, abrindo assim a possibilidade de se desenvolver sensores realmente capazes de captá-las em humanos. Esse é o primeiro trabalho do gênero utilizando cérebros de insetos para um objetivo médico. Mas não o único.


Outro estudioso norte-americano, o professor de engenharia biomédica Barani Raman, também conseguiu decodificar o sistema olfativo do gafanhoto para rastrear a presença de explosivos. Ele descobriu ainda que os insetos podiam não apenas detectar como também fazer a distinção entre diferentes tipos de explosivos – inclusive, conseguiam saber de qual direção o odor emanava.


Hoje em dia, esse tipo de trabalho emprega cães, que são treinados para realizar essa atividade. No futuro, com o avanço das pesquisas, a hipótese é que seja possível reproduzir essa habilidade por meio de simples sensores.


Eles, por sua vez, poderiam estar presentes em aeroportos, em clínicas médicas ou em outros setores que necessitam de análises mais acuradas, auxiliando na segurança e na obtenção de rápidos diagnósticos.


A metamorfose da nuvem
Uma das pragas mais temidas na agricultura são os enxames de gafanhotos. Essas nuvens, altamente destrutivas, são muitas vezes incapazes de serem combatidas. Agora, um estudo chinês abre a possibilidade de se criar um aroma capaz de dificultar a formação dessas nuvens de insetos predadores. Os cientistas descobriram que os gafanhotos liberam um determinado tipo de molécula que precede o enxame. Se forem bem-sucedidos na reprodução desse feromônio, poderão, então, desenvolver um antídoto sem o uso dos temíveis agrotóxicos.


O odor da empatia
Amor à primeira vista. Quem já não ouviu essa expressão? Pois há indícios de que existe um fundamento químico por trás dessa instantânea empatia. É o que acaba de sugerir um estudo israelense, segundo o qual há uma influência do odor nessa ligação entre as pessoas. Além de testes em humanos, utilizou-se um nariz eletrônico para confirmar as respostas. Os resultados podem reforçar a existência de traços ancestrais que, com a linguagem, foram evoluindo para dar prevalência a um conjunto de informações que passaram a preponderar sobre o olfato.


Tudo sobre:
Logo A Tribuna