Coterapeuta: conheça a história do cão abandonado que ajuda grupo de idosos

Após ser rejeitado por duas famílias, Oreo atua em visitas a moradores de um residencial para idosos

Por: Ravena Soares  -  31/03/24  -  18:56
A adestradora e voluntária da Codevida, Deyse Dalmaso, percebeu que Oreo precisava que sua energia fosse trabalhada e o treinou, criando um vínculo especial com ele e o adotou
A adestradora e voluntária da Codevida, Deyse Dalmaso, percebeu que Oreo precisava que sua energia fosse trabalhada e o treinou, criando um vínculo especial com ele e o adotou   Foto: Divulgação

De filhote devolvido por duas famílias diferentes a cão coterapeuta da Coordenadoria de Defesa da Vida Animal (Codevida) de Santos, Oreo passou por muitos desafios. Adotado há pouco mais de um mês, o cão sem raça definida (SRD) foi para a coordenadoria quando ainda era um filhote, em 2021. Mas, só foi em 2024 ganhou um lar, com a adestradora positiva Deyse Dalmaso, que também é voluntária na Codevida há 14 anos.


De acordo com a adestradora, Oreo chegou em sua vida após a perda de sua cachorra, Julie, com quem ficou nove anos e que também foi coterapeuta. “Ele era filhote na época, tinha por volta de quatro meses (...) quando eu olhei para ele, comecei a observar o seu comportamento e virei para a coordenadora (da Codevida) e falei ‘ele está chamando atenção, será que ele é um substituto da Julie?’”.


Nesta época, o cãozinho ainda era um filhote e estava em uma feira de adoção. Apesar de chamar atenção de Deyse, ele foi adotado pela primeira família, que dias depois o devolveu alegando que ele era agitado. Posteriormente, foi adotado por outra família, que também o levou de volta à instituição com a mesma alegação.


A visita é guiada pela adestradora e monitorada por um funcionário responsável do residencial de idosos. De forma espontânea e respeitosa, Oreo interage com os moradores
A visita é guiada pela adestradora e monitorada por um funcionário responsável do residencial de idosos. De forma espontânea e respeitosa, Oreo interage com os moradores   Foto: Divulgaçao

No começo de 2022, a adestradora começou a treinar Oreo, ainda na coordenadoria, para que ele pudesse se tornar um coterapeuta. Segundo ela, todo cão já nasce com aptidão para lidar com pessoas, entretanto, precisa ser treinado. “O animal é avaliado, para ver se não representa risco. Se gosta de ser tocado, de receber carinho…”.


Oreo mostrou que não era agitado, mas que sua energia precisava ser bem trabalhada. “Aprendi que ele não tinha nada de agitado, como as famílias falaram. Ele era um cachorro que queria aprender, era curioso”.


Aos poucos, o vínculo da adestradora com o animal foi ficando cada vez mais forte e ela, que tinha um certo receio de adotar um novo cachorro, acabou levando Oreo para casa. “Ele é ótimo e adora pessoas”.


  Foto: Divulgação

Coterapia

Com muito treinamento, disciplina e “lambeijos”, Oreo faz parte do Projeto Pelos Amigos e acompanha as visitas aos idosos do America Residencial, em Santos. Para isso, sua tutora explica que há uma série de cuidados. “Quando ele chega no local, a gente vai para uma salinha reservada e faz a assepsia de patinhas, boca etc. Ele vai de banho tomado”.


A visita é guiada pela adestradora e monitorada por um funcionário responsável do residencial. De forma espontânea e respeitosa, Oreo interage com os moradores. “Ele fica curioso, chegando nas pessoas”.


Para a gerente do residencial, Virgínia Cidrin, as visitas de Oreo levam muita alegria e descontração aos idosos. “Eles interagem bem com o cachorro. No início, alguns hóspedes tinham receio de brincar com ele, mas com o passar do tempo Oreo ganhou a confiança de todos”.


A gerente ainda diz que o animal trouxe benefícios para os idosos, tanto na parte motora quanto na cognitiva. “Eles fazem carinho, brincam de jogar bola, oferecem petiscos. Somos muito gratos à equipe do Projeto Pelos Amigos e à adestradora Deyse por oferecerem esses momentos tão especiais para os idosos”.


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