Confira entrevista com André Lamoglia, único brasileiro confirmado na 6ª temporada da série 'Elite'

O ator carioca é o único brasileiro na série que é sucesso da Netflix

Por: Stevens Standke  -  30/10/22  -  12:19
O ator fala da carreira internacional e do engajamento em causas ambientais e LGBTQIA+
O ator fala da carreira internacional e do engajamento em causas ambientais e LGBTQIA+   Foto: Ricardo Brunini/ Divulgação

Depois de dar o que falar na quinta temporada de Elite - badalada série espanhola do streaming Netflix, que na semana de estreia ficou no top 10 do serviço em 75 países -, André Lamoglia retorna nos episódios do sexto ano da produção, que estreia em 18 de novembro, no papel do estudante brasileiro Iván, filho de um dos maiores jogadores de futebol do mundo que se descobre bissexual ao se apaixonar pelo colega de escola Patrick (Manu Ríos). Mas, antes disso, o carioca de 25 anos já vinha se destacando pelo trabalho nos seriados Disney Bia e Juacas, do Disney Channel, além de contabilizar experiências no canal Fox e na Globo (novela Rock Story e séries Segredos de Justiça e D.P.A. - Detetives do Prédio Azul). Na entrevista, André, que se considera uma pessoa “totalmente família”, compartilha passagens curiosas da sua carreira e dá detalhes do projeto ambiental que tenta viabilizar.


Como é ser o único brasileiro no elenco da série Elite?
É motivo de orgulho poder representar o meu País num projeto desse porte. Quando entrei na série, eu já tinha uma boa ideia do tamanho dela e do seu potencial, mas, mesmo assim, me surpreendi com toda a repercussão. Foi algo que realmente superou as minhas expectativas! Torço para que estejamos cada vez mais representados em obras pelo mundo e com toda a nossa pluralidade. Afinal, somos uma nação de dimensões quase continentais. Por causa do trabalho em Elite, tenho vivido na ponte aérea Brasil-Espanha, mas isso não é um problema. Madri já tem um lugar especial no meu coração.


Fez teste para o seriado?
O meu material foi enviado pelo meu empresário ao produtor de elenco. Em seguida, fiz o meu primeiro teste com um texto já antigo da série. Depois, passei por mais alguns testes e, após um tempinho, veio a boa notícia! Cheguei a fazer também uma reunião via vídeo com um dos produtores - eu no Brasil e ele na Espanha.


O que pode adiantar da nova temporada?
Elite está sempre se reinventando, criando novos conflitos e histórias, desenvolvendo mistérios a serem solucionados. A próxima temporada não será diferente. Uma das novidades é mostrar o quanto as adversidades da vida podem mudar a forma como você encara o mundo e, por consequência disso, alterar o modo como você responderia a uma situação.


A carreira internacional sempre foi uma meta sua?
O meu sonho sempre foi e é trabalhar com o que amo fazer e poder interpretar personagens diversos, em obras que me instiguem, que eu admire, seja aqui ou em qualquer lugar do mundo. Tenho vontade de trabalhar com culturas diferentes, com modos de produção e profissionais diversos. Atuar em outros países é algo que sempre vi com bons olhos. Em 2017, passei um tempo em Los Angeles (EUA). Foi uma experiência muito enriquecedora, a primeira vez que morei sozinho fora do Brasil, o que me fez amadurecer em vários aspectos. Os principais motivos dessa viagem foram aprimorar o meu inglês e estudar diferentes métodos de interpretação. De agora em diante, pretendo me dividir, conciliar trabalhos dentro e fora do Brasil, sem colocar o “onde” como limitação.


O que despertou o seu interesse pelas artes cênicas?
Comecei inspirado pelo meu irmão mais velho (Victor Lamoglia), que também é ator e iniciou na área antes de mim. Quando ele fazia as peças, eu sempre estava presente assistindo e passei a admirar a profissão. Pedia para ir com ele antes das apresentações, queria estar ali vendo tudo: ele passando o texto antes da sessão, se preparando... Inclusive, já cheguei até a trabalhar com o Victor numa peça como stand-in (ator substituto); eu montava o cenário e fazia de tudo, só para estar ali vivendo aquilo. Também pedi para os meus pais me colocarem em um curso de teatro e comecei a estudar no Tablado, no Rio, onde participei de espetáculos da escola. Ali, em 2014, foi o pontapé inicial da minha carreira de fato e onde começaram os testes e as possibilidades profissionais.


O Manu Ríos, de Elite, aparece bastante no seu Instagram. Ele o ajudou na adaptação à vida na Espanha?
O Manu virou meu amigo já nos primeiros dias de gravação e espero levar essa amizade para sempre, para a vida! Só tenho coisas boas para dizer sobre ele. Além de profissional e dedicado, o Manu é ainda gentil, generoso, sempre bem-humorado e excelente companhia. Eu não acho que tive muitos desafios quanto a me adaptar à vida na Espanha, eu sou nômade (risos).


Na série, o Iván se descobre bissexual, ao se apaixonar pelo Patrick (Manu Ríos). Isso o aproximou da comunidade LGBTQIA+? Procura apoiar causas, por exemplo, contra a homofobia?
A inclusividade deveria ser preocupação de todos nós. Então, mesmo antes de Elite ser antirracista, anti-homofobia e anti todos os tantos preconceitos dos quais a sociedade volta e meia ainda é refém, vejo essa minha postura, no mínimo, como um dever. Não é aceitável que, em pleno ano de 2022, as pessoas ainda continuem sofrendo discriminação pela sua sexualidade, cor da pele, religião...


Procura se engajar em outras causas?
A preservação do meio ambiente e os impactos ambientais sempre foram pautas que considero imprescindíveis. Com o aumento do possível alcance da minha voz e da minha visibilidade, tento que mensagens de alerta cheguem a um maior número de pessoas. Desde criança, eu, que cresci e vivi a maior parte da minha vida no Rio de Janeiro, fui ensinado a, por exemplo, não apenas recolher meu lixo quando saísse da praia, mas também recolher o que encontrasse por perto. Aliás, me voluntariava para participar de mutirões de limpeza. Quem deixa o lixo na praia não costuma pensar na real consequência dos seus atos, então é preciso falar e repetir, o quanto for necessário, o que parece evidente. Não dá para minimizar mais o tamanho do problema de cada um não fazer o mínimo. Ignorar questões ambientais influencia o aquecimento global, o ar que respiramos e absolutamente tudo. Tenho o sonho de conseguir viabilizar um projeto, que, por enquanto, está apenas no papel e envolverá, entre outras iniciativas, atividades de conscientização ambiental na minha cidade natal, o Rio. Gostei muito de participar, representando a Disney, do Nat Geo Run, projeto realizado pelo National Geographic em Buenos Aires, Argentina, para disseminar atitudes sustentáveis.


Você tem estrelado campanhas de marcas badaladas. Como é a relação que mantém com a moda?
A moda para mim tem a ver com construção identitária. No meu trabalho, como ator, aprendi a vê-la como muito mais do que simplesmente o que estamos vestindo. Uma determinada roupa pode te transportar até para outras épocas. Fico antenado nas tendências, mas não sigo à risca nada, adoto aquilo que acho que combina com o meu estilo e que me deixa confortável e me sentindo eu mesmo.


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