Viver Bem: A vida pede tolerância

Um dos inimigos dessa virtude sábia é a ansiedade, cuja incidência tem crescido na pandemia. Mas é possível educar-se para ter paciência – com os outros e consigo

Tolerância e resiliência são palavras muito presentes durante toda a vida. Pais sempre falam que é preciso desenvolver essa qualidade para se conquistar “algo”. Esse “algo” é um bom emprego, uma boa casa, às vezes um carro, um negócio. 

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A paciência necessária em ambos os casos vem faltando durante a pandemia. As buscas pelo termo “ansiedade” no Google triplicaram neste ano. É a maior média dos últimos 16 anos, segundo o site de buscas. Entre janeiro e julho, aumentaram 5.000% as pesquisas pela questão “como é ter crise de ansiedade”.

Ter a sensação de perder o controle sobre as situações é um dos testes à tolerância. Mas o psicólogo Bruno Farias lembra: tolerância anda de braços dados com sabedoria.

Ele explica: “a tolerância é o entendimento de que existem assuntos complexos, outros pontos de vista, outras crenças. Uma pessoa que pensa, sente e interpreta diferente de mim não é minha inimiga”.
Farias explica que o tolerante não leva a diferença para o lado pessoal, ele deixa a diferença para um debate intelectual. “O intolerante é um burro no sentido filosófico da palavra”, explica. 

O filósofo prussiano Immanuel Kant dizia, segundo Bruno, que o intolerante é um tipo de doente, porque é tão mimado que acredita ser qualquer diferença um ataque pessoal.

A intolerância não mina apenas as relações e afetos, ela gera também atenta contra a saúde. “Ser intolerante é estar jogando seu equilíbrio, tanto mental quanto físico, embora”, afirma Farias.
Na política e nos campos de futebol, vale a mesma regra. Não se pode ser intolerante e achar que é um ataque a uma pessoa votar em outro candidato que não o seu ou torcer para o time rival do que você torce.

Diferentes aspectos

Porém, Bruno Farias explica que há conflitos em que não é possível ser tolerante. E isso não é ruim, pelo contrário, é um dever. “Não posso tolerar ver uma pessoa cometendo um crime e ficar em silêncio. Não posso ver algo errado e tolerar. Não se toleram racismo, machismo, violência, homofobia”.

No trabalho

A psicóloga e mentora de carreiras há mais de 20 anos, Fernanda Tochetto diz que a chave para ser tolerante no trabalho e em relações sociais é a paciência. “Muitas vezes é fácil se irritar, sair do eixo, se indignar”, diz Fernanda.

Mas ser tolerante é entender que há coisas que não mudam. “Entender essas diferenças e situações é fundamental. Nada melhor do que o exemplo da pandemia para compreendermos o ato de aprender a tolerar”.

Outro ponto, segundo Fernanda, é o passado. Entender o impacto do passado é fundamental para viver melhor o presente. “Aceitação, nesse aspecto, faz com que a gente se torne mais tolerante. Isso é um processo”, diz.

Ela diz que é preciso ser tolerante com os colegas de trabalho. Não concordar com tudo, mas valorizar o que é diferente e como isso pode contribuir para nossa construção. 

“Precisamos aprender a respeitar a opinião do outro, aceitar que algumas coisas não mudam, reconhecer as diferenças e saber lidar com elas. Isso tudo é fortalecido com o autoconhecimento, lidando com nossa mente, prestando atenção plena ao que está acontecendo com a gente”.

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