EDIÇÃO DIGITAL

Quinta-feira

19 de Setembro de 2019

Prevenção ao Suicídio: Saiba identificar os sinais de quem pede socorro

Capacidade de detectar sinais dados por quem precisa de ajuda pode evitar tragédias

O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio é nesta terça-feira (10). Apesar da alusão ao tema, muitos não fazem ideia dos sinais dados por quem precisa de ajuda nem sabem o que fazer quando alguém pede socorro.

Segundo especialistas, a incapacidade de detectar pedidos de socorro – seja de um amigo, colega de trabalho, de escola ou um parente – preocupa, pois, no mundo, cerca de 800 mil pessoas se matam por ano.

Em 2016, essa se tornou a segunda causa de morte entre jovens entre 15 e 29 anos, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Na Baixada Santista, destacam-se casos entre idosos.

Para o psiquiatra Caio Pinheiro, a primeira medida preventiva é entender que falar sobre o suicídio é proteger o próximo. Ouvir atentamente e com calma, entender os sentimentos com empatia, expressar respeito por opiniões e valores, conversar honestamente, mostrar preocupação e afeição e focar nos sentimentos da pessoa podem ajudar.

“O melhor caminho é a conversa, quebrar tabus e compartilhar informações, para que seja  estimulado o diálogo. Saber reconhecer os sinais de alerta é um passo crucial”, diz.

Comportamento

A psicóloga Silvia Callogeras, especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, explica que outro indício importante é o comportamental. Conselheira profissional de saúde e voluntária da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata), Núcleo Santos, ela lida diretamente com o tema.

“A pessoa muda de comportamento e diz frases como ‘Não estou aguentando mais, eu queria não estar mais aqui, está difícil para mim, quero acabar com tudo’”, conta. Silvia lembra que quem diz estar atrapalhando a vida dos outros costuma ter transtornos ou comete suicídio.

O psiquiatra Bruno Reis, chefe do Serviço de Psiquiatria da Santa Casa de Santos, afirma que outro sinal importante é a alteração súbita de comportamento, como o isolamento da família ou de amigos. Mais características são a alteração do sono ou a incapacidade de explicar sobre o motivo de estar triste. Mas ele alerta: não só a tristeza persistente é sinal de depressão.

“Tristeza é uma emoção como qualquer outra. A diferença se dá por intensidade e tempo. Superior a duas semanas, com prejuízo pessoal ou profissional, é um risco, assim como o embotamento afetivo. Quando a pessoa fica anestesiada, com dificuldade de sentir prazer, apática, é mais preocupante ainda.”

Volta?

Bruno Reis diz que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quando diagnosticada e tratada, a depressão tende a voltar em 50% dos casos ao longo da vida. Num segundo episódio tratado, a chance de um terceiro caso é de 90%. Na terceira vez, o tratamento precisa ser para o resto da vida.

“Mas não necessariamente com medicamentos. O remédio trata sintomas. O que trata o indivíduo é a terapia. A soma dos dois é o ideal. Hoje, os tratamentos são modernos. Só os [remédios] tarja preta causam dependência. É preciso perder o medo de procurar ajuda”.