Viagem de avião para pets: confira dicas de especialistas para que tudo ocorra bem

Para garantir o bem-estar do animal e lidar com as questões burocráticas, o ideal é se planejar com antecedência

Por: Beatriz Araujo  -  14/11/21  -  10:04
 É preciso tomar alguns cuidados para garantir o bem-estar do animal. Planeje tudo muito bem, pois há questões burocráticas tanto em viagens nacionais quanto internacionais
É preciso tomar alguns cuidados para garantir o bem-estar do animal. Planeje tudo muito bem, pois há questões burocráticas tanto em viagens nacionais quanto internacionais   Foto: Adobe Stock/Reprodução

O yorkshire Eddie, de 9 anos, desde os seus 6 anos de idade tem lidado com voos internacionais. Ele já viajou rumo ao Chile e México, países onde seus tutores, Lucilene Marques Freitas e André Azevedo Freitas, moraram nos últimos anos por conta do trabalho. E Eddie encara bem as viagens.

Mas, para que tudo desse certo, seus tutores tiveram que observar uma série de procedimentos – tanto de saúde quanto burocráticos – com planejamento e cautela. O primeiro passo, como explica Lucilene, foi consultar um veterinário para, posteriormente, poder tirar a documentação do pet.


Nesse processo de preparação é ideal verificar o estado de saúde do animal, atualizar seu protocolo de vacinação – se atentando, principalmente, à vacina contra raiva – e vermifugação. Além disso, é bom pesquisar se o destino pode ser foco de alguma doença endêmica que atinja os pets.


A leishmaniose, enfermidade parasitária comum em países tropicais e transmitida pela picada de mosquito, faz parte dessa lista. “Nesse caso, o uso de coleira preventiva é muito importante”, ressalta o veterinário Jaime Dias, gerente técnico de pets de companhia da Vetoquinol Saúde Animal.


Atualmente, por conta da pandemia, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) não está realizando a emissão do Passaporte Animal. Portanto, em viagens nacionais, como pontua Juliana Stephani, veterinária e fundadora da PetFriendly Turismo, agência especializada em consultoria para viagens com bichinhos de estimação, estão sendo exigidos a carteira de vacinação atualizada e o atestado de saúde veterinário – certificado por um profissional.


Já para viagens internacionais, além do CVI (Certificado Veterinário Internacional) – emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em unidades da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) – e do atestado de saúde veterinário, o tutor pode se deparar com exigências como fazer a implantação de microchip no animal, apresentar o comprovante da vacina e da sorologia da raiva, a sorologia da leishmaniose e cumprir uma quarentena.


O tempo de preparo varia dependendo do destino. Nas viagens internacionais, o processo pode demorar de dois meses (quando se vai, por exemplo, para o Canadá) a até oito meses (quando o destino é um país como o Japão). E mais: “O ideal é sempre iniciar com bastante antecedência, para ter um tempo razoável para o pet se adaptar à caixa de transporte, o que é uma etapa fundamental, atrelada ao sucesso da viagem”.


Caixa de transporte

Assim como estimular o animal a se acostumar com a caixa de transporte – onde terá de ficar durante toda a viagem de avião –, a escolha desse item merece uma atenção especial. O tamanho da caixa deve acomodar o pet confortavelmente, de modo que consiga se movimentar e dar um giro completo sobre si.


Também deve haver trava na porta e um recipiente para que o bichinho possa beber água durante o voo, sem derramar. Vale ressaltar que, da mesma forma como acontece com as documentações do animal, as regras referentes às caixas de transporte variam entre as companhias aéreas. É crucial, portanto, checar as normas com certa antecedência, para não correr o risco de ter surpresas.


Para facilitar a preparação do bichinho de estimação, a dica de Jaime Dias é que o tutor insira nos ambientes sons que simulam a rotina de um aeroporto – como os da movimentação de veículos e dos motores dos aviões – para o pet ficar mais tranquilo durante os procedimentos que antecedem a decolagem. E alguns objetos de uso rotineiro, como cobertores e brinquedos, podem ser colocados na caixa de transporte – seu piso também pode estar forrado com tapete higiênico absorvente.


Em contrapartida, para diminuir a possibilidade de eventuais enjoos, a última refeição deve ser oferecida de duas a três horas antes do embarque, independentemente do tempo de duração da viagem. A água pode ser dada à vontade.


Cabine ou porão?

Cada companhia aérea possui normas específicas para possibilitar que o animal acompanhe seu tutor na cabine da aeronave ou, então, tenha de ficar no porão do avião junto com as malas.


É importante se atentar às raças com focinho curto (animais braquicefálicos), pois elas devem evitar viajar no compartimento de cargas, por conta das características do seu sistema respiratório. No porão da aeronave normalmente as temperaturas são mais elevadas e isso pode dificultar a respiração do pet.


Pedem esse cuidado gatos das raças burmês, exótico, himalaio e persa. Já no caso dos cachorros: Boston terrier, boxer, buldogue, american bully, Cavalier King Charles Spaniel, chow chow, dogue de Bordeaux, griffon de Bruxelas, lhasa apso, pug, pequinês e shih tzu.


Detalhe: se o animal com essa contraindicação não for autorizado a acompanhar seu tutor na cabine, há a opção da carga viva, existente em âmbito nacional e internacional. Nessa modalidade de viagem, o pet se desloca sem estar vinculado ao bilhete de viagem do seu tutor.


O que também é boa alternativa quando o tutor precisa chegar com urgência ao destino por questões de trabalho, sem ter conseguido finalizar a documentação do bichinho, ou em situações similares.


De acordo com Juliana Stephani, da PetFriendly Turismo, o diferencial na viagem de avião do animal como carga viva é o tratamento. Haverá uma equipe especializada para a operação, oferecendo um acompanhamento especial durante o trajeto. Além disso, o pet não será encarado como um “excesso de bagagem” e não terá de aguardar na pista durante todo o processo de embarque das malas. Como carga viva, ele ficará em um local adequado e irá para o avião apenas na hora de partir.


Repense

Mesmo com todos procedimentos cumpridos e independentemente da forma como o animal irá viajar, nos momentos que antecedem a saída é importante ficar atento ao comportamento, respiração, frequência cardíaca e, até mesmo, a possíveis enjoos, ressalta o veterinário Jaime Dias. Para ele, a viagem deve ser suspensa se o bichinho passar mal ou demonstrar sinais de intenso estresse antes do embarque.


Juliana Stephani acrescenta que as viagens de avião não são indicadas para animais muito jovens ou idosos demais. “Esse é um dos principais fatores que podem levar um pet a óbito”, ressalta. Também não é recomendado que bichinhos com problemas de saúde como epilepsia, convulsões, diabetes e toda doença que necessite de medicação controlada viajem no porão do avião. Se eles vão na cabine com o tutor, fica bem mais fácil e rápido para manter os seus quadros sob controle.


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