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Ressurgimento da doença do 'verme do coração' em cães do litoral de SP preocupa veterinários
Doença é silenciosa e pode ser fatal; transmissão ocorre por vetor conhecido na região: o mosquito da dengue
Por: Beatriz Araujo  -  06/06/21  -  10:28
Atualizado em 06/06/21 - 11:11
Dirofilariose canina é uma doença silenciosa e pode ser fatal   Foto: Reprodução/Unsplash

Uma doença silenciosa, que pode ser fatal. Essa é a Dirofilariose canina, conhecida popularmente como a doença do verme do coração. Apesar de os casos terem se estagnado nos últimos anos, profissionais de medicina veterinária da Baixada Santista têm notado um ressurgimento de cachorros com o diagnóstico na região.


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Essa doença é causada por um verme parasita, que segue no sangue do cachorro até chegar ao coração. Lá ele se aloja e ao atingir a idade adulta quando se reproduz, lançando ‘filhotes’ na corrente sanguínea do pet. Assim, o parasita começa a causar alterações nas artérias do coração e, com o tempo, pode causar uma insuficiência cardíaca no animal.


A transmissão acontece por um vetor conhecido no litoral: o mosquito Aedes aegypti, Ao picar um cão com o sangue infectado, o mosquito pode transmitir o verme para outro que seja saudável. inclusive, O Aedes aegypti, além de ser transmissor de dengue e de outras doenças aos humanos, é uma das espécies que podem transmitir a Dirofilariose canina no mundo pet.


Teoricamente, há mais chances de ser infectado pela doença no verão, pois é a época em que há mais insetos. Mas, isso não é regra. “Para o mosquito tanto faz a estação, ele está sempre aí e tem prevalecido o ano todo”, comenta a médica veterinária cardiologista Patrícia Costa Chamas, comparando a situação à alta de casos de dengue que têm assolado a Baixada Santista, mesmo que no inverno.


Sintomas


O chamado verme do coração se desenvolve lentamente, sem grandes alardes. Por isso, a maioria dos animais não apresentam sintomas até que a situação já esteja mais grave, com o verme estabelecido no coração e causando grandes prejuízos à saúde do cachorro.


Mas, quando há sintomas, eles variam entre tosse, língua roxeada, um maior volume abdominal, patas inchadas e o animal estando, no geral, mais cansado que o habitual. Desmaios também podem ocorrer.


Por isso, a frequência ao médico veterinário é tão fundamental para identificar o verme do coração o mais rápido possível. “Acontece de ser uma doença que é descoberta durante exames rotineiros”, comenta a médica veterinária Nathalia Noronha, que também atua com ênfase na área de cardiologia.


Prevenção


Não há vacina contra a Dirofilariose canina, mas, sim, medicações preventivas antiparasitárias específicas para o verme do coração. Há aplicações que são anuais no formato de injeção e, também, medidas preventivas por via oral que precisam ser dadas mensalmente para manter a eficácia.


“Por regra, todo tutor que mora no litoral deve fazer alguma dessas prevenções em seus cachorros”, ressalta Nathalia. Para discernir qual o melhor método para se precaver contra o verme, o indicado é procurar auxílio com um médico veterinário. “Se o cachorro estiver com o medicamento em sua circulação sanguínea e um mosquito com o verme picá-lo, a larva morrerá antes de se desenvolver”, complementa Patrícia.


Tratamento


O tratamento da Dirofilariose canina dependerá, principalmente, da carga parasitária presente no cachorro. Em casos extremos, quando há muitos vermes já adultos no coração, podem ser feitas cirurgias especiais. Nesses casos, com o quadro crítico, as chances do pet sobreviver são baixas.


Mas quando a doença é descoberta em estágios mais brandos, é possível fazer um tratamento que mata o verme aos poucos e de forma indireta. “Se os vermes são mortos diretamente e de uma só vez, os riscos de trombose são maiores e isso pode obstruir as artérias do animal”, explica Patrícia.


Com isso, o tratamento é demorado e não é tão simples. Normalmente ele dura em torno de dois anos. Mas pode persistir por até mais de 4 anos, dependendo do caso.


Humanos


Caso um mosquito com as larvas do verme do coração pique um humano, ele não desenvolverá o mesmo problema. Porém, se formarão nódulos pulmonares com vermes que, inclusive, costumam ser confundidos com câncer.