CLUBE IMPRESSO ACERVO COVID
Psicólogos prestam atendimento on-line e gratuito durante a pandemia
Com o aumento dos problemas emocionais, diversos psicólogos passaram a prestar o serviço de forma gratuita; veja opções
Por: Por Alcione Herzog  -  19/04/21  -  14:38
“Estamos assistindo a uma verdadeira epidemia na saúde mental dentro da pandemia”.   Foto: Reprodução/Adobe Stock

“Estamos assistindo a uma verdadeira epidemia na saúde mental dentro da pandemia”.


Assim a psicóloga Kátia Rosa resume o aumento na quantidade de pessoas que procuram auxílio psicológico após a segunda onda de contágio da covid-19. A boa notícia é que também tem crescido a quantidade de projetos e profissionais oferecendo atendimento psicológico social.


Em grupo ou de forma individual, esse tipo de apoio costuma ocorrer gratuitamente ou com um custo simbólico. Envolve os primeiros acolhimentos de escuta e, conforme o caso e o projeto, segue com sessões de psicoterapia. Tudo de forma on-line, mas a abordagem varia e a maior parte das iniciativas conta com uma fila de espera.


De acordo com Kátia, na primeira fase da pandemia o que mais se ouvia nos consultórios era a pergunta o que está acontecendo? Agora, o questionamento ficou ainda mais sério. Envolve a ideia de morte: será que eu também vou morrer?


A psicóloga Adriana Severine analisa os reflexos das duas ondas na saúde mental da população do mesmo jeito. “Na primeira etapa, as pessoas se queixavam de sintomas de depressão ou de ansiedade por conta do isolamento social e das incertezas perante o futuro financeiro. Agora, a morte está muito mais perto e veio a necessidade de trabalharmos o luto e o medo que as pessoas passaram a ter da doença em si”.


Adriana e Kátia fazem parte do exército de profissionais da saúde mental que se dispuseram a doar parte de seu tempo para atender quem não tem condições financeiras de pagar pelas sessões.


Ampliação no atendimento


Desde o início da carreira, Adriana sempre reservou agenda para cinco pacientes cobrando valores simbólicos, de R$ 5 por sessão.


Com a pandemia, ela aumentou esses atendimentos sociais para oito e diminuiu para R$ 2 a quantia cobrada por sessão. A ideia de expandir a cota de atendimentos para pessoas carentes surgiu da maneira mais difícil possível. “Eu fui contaminada e passei dez dias no hospital, sendo cinco deles na UTI. Percebi que há uma enorme necessidade de cuidar das funcionárias que atuam na limpeza dos hospitais”.


A psicóloga acrescenta que os médicos e enfermeiros estão, sim, exaustos, mas costumam receber todo um treinamento na faculdade para lidar com perdas e com pressão. Além disso, em tese, os trabalhadores da saúde têm mais condições de pagar por uma psicoterapia. “Já o pessoal que precisa trabalhar nos hospitais e que atua na linha de frente sem qualquer preparo corresponde a gente que não tem escolha, a não ser conviver com o medo e com a morte diariamente”.


Três auxiliares de limpeza agora estão recebendo esse acompanhamento voluntário, com Adriana Severine. “Duas delas estavam em grau mais avançado de depressão”, complementa a psicóloga.


Dinheiro x necessidade


Já Kátia Rosa é líder nacional do Projeto Justiceiras, que promove acolhimento multidisciplinar para mulheres que são vítimas de violência doméstica. “Na pandemia, os atendimentos têm crescido muito. Ao todo, ajudamos 4.400 vítimas. Somos em 400 psicólogas, além de 400 assistentes sociais e 700 advogadas. Todas mulheres”.


Marihá Lopes, psicóloga clínica, especialista em terapia cognitiva comportamental e psicologia social, também observou um aumento significativo nas pessoas que passaram a entender a importância de ter um atendimento psicológico em suas vidas. “Essas pessoas estão vindo de diversos nichos da sociedade, dos mais altos até os mais baixos”, afirma.


Para a terapeuta, essa parcela da população de baixa renda, que também passou a procurar atendimento intensamente, já costumava entender a necessidade de se contar com uma ajuda psicológica, porém a condição financeira era um impeditivo.


“Com a pandemia, essa questão foi se agravando. Como outros profissionais, vi a necessidade de estabelecer valores sociais e de abrir vagas gratuitas”.


Crise generalizada


O psicólogo Sebastião Ferreira, que é escritor, palestrante e especialista em terapia de casal e família, destaca que os desdobramentos do grave momento sanitário têm contribuído para um número cada vez mais crescente de crises, não só nas pessoas que já possuíam um quadro com diagnóstico catalogado pela Classificação Internacional de Doenças como em quem, aparentemente, não demonstrava nenhum desequilíbrio emocional ou de cunho comportamental.


“O número de pessoas com quadro de estresse, ansiedade e depressão aumentou e muitas delas se encontram na população de baixa renda”, aponta.


Para ele, a dificuldade de acesso aos serviços especializados de emergência da rede pública de saúde, voltados a pacientes em vulnerabilidade social, contribui também para uma epidemia de transtorno mental, que se soma à pandemia de coronavírus.


“A maioria das pessoas que necessitam de atendimento de profissionais da saúde mental atravessa uma ‘via crucis’ e, muitas vezes, não consegue sequer chegar a ser avaliada nas instituições de emergência psiquiátrica”.


Vazio existencial


No projeto social de trabalho voluntário coordenado por Ferreira no Rio de Janeiro, desde o início da pandemia existe atendimento psicológico direcionado para pessoas com ideação suicida e automutilação.


“Esse grupo é aberto para todos aqueles que estejam em situação de fragilidade e que não veem sentido na vida, devido ao vazio existencial que a pandemia aprofundou”.


Onde obter acolhimento


Adriana Severine. - Basta entrar em contato pelo e-mail adrianaseverine@hotmail.com.


Rodas de Escuta Compassiva. - Terapeutas oferecem encontros em grupo para escuta com acolhimento e compaixão. Links de acesso a essas salas virtuais: sitee também no Instagram.


Papo Pela Vida. - Projeto que disponibiliza palestras/lives, plantão psicológico on-line gratuito e psicoterapia individual acessível a todos. Conheça no @papopelavida.


Projeto Raízes Psicologia. - Plantão e atendimento psicológico com valor social. Mais detalhes no @projeto.raizespsi.


Grupo Creare. - O primeiro atendimento (acolhimento) é prestado de forma voluntária e gratuita. Para o acompanhamento psicológico mais contínuo (psicoterapia), são negociados valores sociais acessíveis. Mais no site.


Projeto Seja Luz. - Mais de 40 profissionais cadastrados oferecem voluntariamente apoio psicológico para pessoas com problemas emocionais decorrentes da pandemia de covid-19. Após o primeiro acolhimento, é avaliada a necessidade de mais sessões. @projetosejaluz.ata.


Café Borromeano. - Dentro dessa iniciativa, seis praticantes de psicanálise compõem um coletivo para atendimento da população. Mais informações no site.


Clínica Aberta de Psicanálise. - Serviço direcionado para o município de Santos. Sempre aos sábados, das 10 às 13 horas. Inscrições a partir das 9h30, pela página de Facebook.


Clínica Pública de Psicanálise. - Atendimento em grupo, aos sábados, a partir das 9 horas, pela página de Facebook. Pode haver outras datas (esporádicas).


Coletivo Psicanálise na Praça Roosevelt. - O suporte dos profissionais é disponibilizado às pessoas sempre aos sábados, das 11 às 14 horas, por meio da página de Facebook.


Instituto de Psicologia e Controle do Stress. - O serviço pode ser solicitado ligando para o telefone (19) 99968-9325.


Laboratório Chronos. - Atendimento para profissionais da área da saúde. Deve-se entrar em contato pelo e-mail chronos.usp@gmail.com.


Oficina Clínica de Psicanálise. - O interessado deve enviar mensagem no Facebook.


Liga Nacional de Atendimento Psicológico Social Online. - Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (11) 97632-1261, (11) 99796-0983, (11) 97642-9411, (11) 97425-4728 e (11) 97338-2738.


Lugar de Fala Plantão Psicológico. - Para participar dessa iniciativa, envie e-mail para lugardefala@lugardefala.psc.br ou acesse o site.


Varandas Terapêuticas. - Projeto do Instituto Gerar, com suporte em grupo ou individual. Para fazer parte, é preciso mandar e-mail para atende@institutogerar.com.br. Mais informações no site e no telefone (11) 97338-3974.


Relações Simplificadas. - Acolhimento psicológico realizado em sessões que duram 30 minutos. O agendamento deve ser efetuado por meio da página.


Apoiar. - Atendimento on-line para profissionais da saúde. O e-mail para contato é apoiar@usp.br.


IP. - Apoio psicológico on-line do Instituto de Psicologia, ligado à Universidade de São Paulo (USP), em tempos de covid-19. Mais informações no site.


IPq – Covid19 Solidariedade. - Atendimento para pessoas acima de 60 anos. Deve-se entrar em contato por meio do e-mail grupopsicorpo@gmail.com.


IncubaPsi. - O atendimento pode ser requisitado pelo @incubapsi.


Escuta Aqui. - Quem quiser receber auxílio dessa equipe precisa entrar no seguinte perfil: @temescutaaqui.


Saúde Mental Para Todos. - Detalhes sobre essa iniciativa pelo endereço @saudementalparatodos.


Encontro ACP. - Mais no @encontroacp.


Se.Orientte.Psi. - Conheça o atendimento oferecido no @seorientte.psi.


Tudo Vai Ficar Bem Brasil. - O endereço é @tudovaificarbem.brasil.


Projeto Narrativas. - Solicite o atendimento psicológico por meio do @projeto.narrativas.


Projeto Coletivamente. - Serviço de atendimento psicológico on-line de caráter social no @psi.coletivamente.


Instituto Sherpa. - Entre em contato pelo endereço instituto sherpa.com.br e pelo @institutosherpa.


Casa do Jasmim. - Conheça o trabalho no @casadojasmim.


Laço Social. - Para ter noção de como funciona, acesse @lacosocial2020.


Espaço Saúde Vida. - Informações do atendimento, que também inclui crianças, adolescentes e idosos, podem ser obtidas no @espacosaudevida.


Coletivo de Psicologia GRUPOS. - A página oficial é @coletivogrupos.


Projeto Plur@lidades. - O endereço para contato é @projetopluralidades.


Centro de Valorização da Vida (CVV). - Serviço de prevenção ao suicídio e apoio emocional. Garante sigilo total. Atendimento gratuito pelo telefone 188.