Home office veio para ficar, apontam especialistas

Mas alguns ajustes devem ser feitos para que o trabalho remoto seja 100% eficiente

Por: Por Alcione Herzog  -  17/01/21  -  17:04

A pandemia de covid-19 provocou um movimento inédito no mercado de trabalho. Com o isolamento social como uma das principais formas de prevenção do novocoronavírus, inúmeras pessoas deixaram os seus escritórios e passaram a trabalhar em casa.No entanto, o deslocamento entre os cômodos do lar pode ser tão estressante como o trânsito.


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Em julho de 2020, no augeda pandemia, quase 9 milhões de profissionais estavam em suas casas tentando produzir omesmo que nos escritórios, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia eEstatística (IBGE). Muitos delesse viram perdidos no primeiro momento e acabaram aprendendo duas lições fundamentais paraque o trabalho remoto realmente seja produtivo: estabelecer uma rotina e seguir um planejamento.


ParaThaísaPassetti, psicóloga e coach parental que atua na áreade recursos humanos do varejo,os dois pontos são imprescindíveis para qualquer profissional que esteja em home office. “Ter uma rotina diária e obedeceraumplanejamento para as suas atividades são cuidados necessários para que as pessoas não percam a produtividade dentro de casa”.


Entre as principais orientaçõesda especialista também estão definir um local dentro decasa para ser o novo ambiente profissional, colocar uniforme ou uma roupa de trabalho duranteo expediente, não trabalhar de frente para a televisão ou no sofáe estipular horários para descanso ao longo da jornada de serviço.


Lar X Escritório


Daniel Oliveira e Paulo Galvão precisaram deixar o escritórioe trabalhar de forma remota. Membro da equipe de coordenação do ensino a distância (EAD)de uma universidade, Daniel,de 32 anos, morava e trabalhavaem São Paulo, mas, com a pandemia, voltou para Santos,sua cidade natal. “Logo queo Governo fechou tudo, nós já começamos o home office.Eu vim para a casa dos meus paise isso foi bom, porque já nãoos via com tanta frequência.Serviu para matar a saudade”.


Com o pai também trabalhando remotamente, Daniel optou por estabelecer seu quarto comonovo ambiente profissional.“O meu pai fica na sala e eu,no quarto. Conversamos logonos primeiros dias sobre onde trabalharíamos e foi bem tranquilo”.


O funcionário da área da Educação diz ainda que segueà risca a rotina que definiu. “Acordo, tomo banho, coloco uma roupa, tomo o meu café da manhã esó depois começo a trabalhar”.


Já Paulo Galvão, também de32 anos, não teve a mesma sorte no início da pandemia. O coordenador geral de uma produtora de áudio demorou para se adequar ao home office. “O meu horário de trabalhoé diferente do habitual. Entro às17 horas e vou até a 1. No começo, eu não tinha uma rotina e acabava entrando mais cedo e saindo mais tarde, algo que se tornou aindamais cansativo do que no período em que estava na produtora”.


Para conseguir cumprir o seu expediente, Paulo estabeleceu uma rotina diária e um planejamentodas suas tarefas. “Imprevistos acontecem e você tem que estar preparado para eles, mas é fundamental criar uma rotina”.


De olho no bem-estar


Se por um lado, o planejamento e a definição de uma rotina são cruciais para manter a produtividadeno home office; por outro,


ter momentos individuaisajudam a mantera saúde do cérebro. A psicanalistae responsável pelo podcastExtra Turno, Cláudia Ribeiro Martins, afirma que cuidar desi mesmo na pandemia é tão importante como traçar estratégias para o trabalho remoto.


Distúrbios como depressão, estresse, ansiedade e até episódios de surto se tornaram comunsnos últimos meses. “Como lidar, então, com este inimigo invisível?O primeiro passo é tomar consciência do seu estado interno atual. Pergunte-se: eu estou dormindo bem? Acordo com calma? Faço algum tipo de atividade física, meditação, leio livros fora do computador ou tablet? Quanto tempo passo nas redes sociais? Estou comendo no mesmo ritmo e na mesma quantidade de antes da pandemia? Adquiri algum tipo de compulsão? Quando se identificaoproblema, deve-se encontrar caminhos para, no mínimo, amenizá-lo”, orienta Cláudia.


A psicanalista ainda lembrada técnica chamada pomodoro, válida para o gerenciamentode tempo. “A cada 25 minutos de trabalho ininterrupto, faça umbreve intervalo de cinco a dez minutos. Permita-se tirar um cochilo ou apenas esticar as pernas para recompor a sua atençãoe turbinar a sua memória”.


Caminho sem volta


A empresa de softwaresSalesforcemediu o que pensam sobre o assunto mais de 20 mil profissionais do mundo inteiro, inclusive do Brasil. O levantamento mostra que 42% dos entrevistados gostariamde seguir em casa mesmo como fim da pandemia. Aqui no País,o interesse é ainda maior:57% dos entrevistados sonhamcom essa possibilidade. Já estudo da plataforma de freelancersWorkanatraz a perspectivados gestores de empresas:84,2% pretendem promoveralgum formato de trabalhoremoto no pós-pandemia.


A consultoria de recursos humanos RobertHalfdivulgouuma pesquisa sobre como o brasileiro avalia o home office.Para 86% dos profissionais,o trabalho remoto deve continuarno País mesmo com a erradicação da covid-19. “Seria maravilhosoter a possibilidade de permanecer em home office, fazer os próprios horários, se programar e ter também tempo livre para podersair e aproveitar a Cidade”,ressalta Daniel Oliveira.


A psicólogaThaísaPassettireforça o discurso. A coordenadora de RH lembra que muitos escritórios não precisam mais pagar aluguel, conta de luz eoutros encargos porque têm osseus funcionários trabalhando em casa. Para ela, tal mudança, se bem utilizada, é benéfica tanto para o profissional quanto para a empresa.


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