Enem continua como principal forma de ingresso no Ensino Superior

É preciso ter dedicação e preparo para fazer o exame, cujas provas avaliam habilidades e competências dos candidatos

Por: Alcione Herzog  -  14/11/21  -  10:13
 Planejamento, foco e dedicação não podem faltar
Planejamento, foco e dedicação não podem faltar   Foto: Adobe Stock/Reprodução

Ele é temido por milhões de estudantes e considerado essencial como ferramenta avaliativa por milhares de instituições e profissionais da Educação. Independentemente do ângulo que se enxergue, uma coisa é consenso: o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é hoje a principal forma de ingresso no Ensino Superior.


Lúcio Ribeiro, diretor do Ensino Médio do Colégio Objetivo, vai além. Ele acredita que o processo é uma das maneiras mais democráticas de acesso às faculdades, pois, além de usar a Teoria de Resposta ao Item (TRI), que busca verificar a proficiência do aluno, o objetivo da prova não é eliminar o candidato do concurso e, sim, conhecer suas habilidades e competências.


“Além disso, as notas podem levar os estudantes para as faculdades federais, estaduais, particulares, ao uso do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), ProUni (Programa Universidade para Todos) e até mesmo possibilitar o estudo no exterior”, pontua.


A Diretora do Ensino Médio do Colégio Universitas, Ana Cecília Marczak Birkett, enfatiza também o caráter do exame como um instrumento para avaliação do nível de aprendizagem dos alunos ao final de sua formação escolar. “O Enem assume o papel importante de verificar se o jovem brasileiro, como protagonista, está preparado para ter uma participação crítica e ativa na sociedade e no mundo profissional do século 21”.


Aprendizagem consistente

E como as escolas têm atuado para preparar os estudantes para esse importante momento? “Planejamento, foco e dedicação são palavras que não podem faltar no vocabulário de quem está se preparando”, diz Maria Cleonice Cefaly Machado, diretora do Colégio São José, de Santos.


Ela conta que, como no Enem os estudantes são avaliados por áreas de conhecimento e não por disciplinas, a escola reorganizou o material didático da mesma forma e passou a trabalhar com foco multidisciplinar nas aulas.


“Promovemos simulados para que os alunos possam se familiarizar já no início do Fundamental II. No Ensino Médio, as provas seguem as mesmas características do Enem quanto à organização e conteúdo”, explica.


De acordo com Cleonice, a Redação recebe um foco especial, já que muitas vezes é motivo de classificação baixa. “A nossa matriz curricular tem um componente curricular dedicado à produção textual desde o Fundamental I, pois acreditamos que se aprende a escrever ‘escrevendo’. A produção textual é intensificada na 3ª série do Ensino Médio para que o aluno se sinta seguro para o Enem e para outros vestibulares”, diz.


Mas, de forma geral, não há muito segredo quando o assunto é ajudar os alunos a obterem bons resultados nas avaliações externas. “As ações devem ser regulares, com ensino de qualidade e a garantia de uma aprendizagem consistente”, resume.


Empenho e adaptação

O bom desempenho também passa pelo comprometimento do aluno, mas não é só isso. Maria Cleonice Cefaly Machadoressalta que as escolas têm o dever de fazer um movimento em seus currículos, em suas atividades, criando materiais didáticos atrativos e garantindo professores que contribuam para o desenvolvimento de habilidades aplicadas em provas como a do Enem.


Nesse sentido, o Colégio Objetivo iniciou em 2021 o chamado Novo Ensino Médio, cuja principal novidade são os itinerários formativos, pelos quais os alunos já no 1ª ano do Ensino Médio são incentivados a identificarem suas habilidades e competências nas áreas do conhecimento.

“O Novo Ensino Médio tem como cereja do bolo o Projeto de Vida, que serve de referência para o jovem pensar seu futuro. Já fazíamos isso com propostas de atividades dos grupos de Alta Performance, Tecnologia, Ciências e Sociedade, Programações Paralelas, Mindset, Historicamente, CSI, Arqueologia, Objetivo Play TV, Oficina do Futuro, Minecraft, Pocket, entre outras”, conta o diretor Lúcio Ribeiro.


Aulas de Obras Literárias focadas nos principais vestibulares, revisões direcionadas e simulados para cada estilo de prova, com correção e trilha para estudos, também fazem parte da rotina dos estudantes. Os alunos com dificuldades podem usar o plantão de dúvidas. “Os simulados são balizadores para sabermos se o aluno está aprendendo ou se está estudando de forma errada. São feitos bimestralmente, no entanto temos simulados mensais que visam vestibulares, como Enem, Fuvest, Unicamp”.


Gisele Martinez Silva Leite, professora de Língua Portuguesa do Universitas, destaca que a preparação para o Enem envolve um amplo e contínuo processo de aprendizagem, que leva em consideração a formação integral do aluno em todas as áreas do conhecimento. “Nesse processo diário, os estudantes assumem o papel de protagonistas, mediados por professores desafiados a promover e intensificar experiências significativas em plena sala de aula”.


Fazem parte desse contexto o aprofundamento de linguagens e de leituras, a produção estratégica de textos argumentativos e multissemióticos, a ampliação de repertórios e de referências culturais, a análise, a resolução e a produção de conhecimentos científicos e matemáticos, além da compreensão crítica dos fatos, intervenção consciente na realidade e a participação social nos âmbitos da cidadania e também da pesquisa.


Formação integral

O trabalho pedagógico integrado é também um grande foco no Jean Piaget. Bruno Joaquim, coordenador de Ciências Humanas da escola, conta que o trabalho de preparação para o Enem não ocorre apenas no 3º ano do Ensino Médio. “As habilidades exigidas pelo exame são desenvolvidas desde o Ensino Fundamental, no entanto, no decorrer dos três anos de Ensino Médio, desenvolvemos um trabalho focado na formação integral, que se coaduna com as habilidades exigidas pelo Enem. Para isso, fazemos uso de várias estratégias pedagógicas e materiais didáticos que auxiliam o processo”.


Um exemplo é a orientação educacional individualizada, focada em trabalhar os talentos específicos e auxiliar os estudantes nas fragilidades de aprendizagem, elaborando planos de estudos personalizados. Outra ferramenta é a possibilidade de rever todo o conteúdo do Ensino Médio no 3º ano, com o material Poliedro e professores especializados nos grandes vestibulares.


A escola ainda lança mão de ciclos de simulados, com foco na preparação específica física e mental para o Enem, além de orientação psicológica com acompanhamento individualizado e atividade de mindfulness, aulas de Atualidades e redações semanais com corretores especializados.


Na área de produção textual, o colégio investiu em um software de Redação com inteligência artificial para reforçar os treinos.


Com direito a intensivão

Graças a uma parceria com o Sistema Anglo de Ensino, o Liceu São Paulo garante aos seus alunos a aplicação de exercícios específicos para o Enem. A escola também conta com uma plataforma digital que propicia a aplicação de “intensivões”. São aulas preparatórias focadas no perfil de prova do exame nacional e que ajudam a balizar quais são as áreas cuja intervenção mais dirigida se faz necessária.


Outro recurso são os plantões específicos de Redação, como conta a diretora do colégio, Regina Cláudia Fuschini. “É com um trabalho de base que tem início muito antes, e intensificação quando o momento do exame se aproxima, que os alunos do Liceu São Paulo vêm, ano após ano, garantindo excelentes notas no Enem. Eles têm contato com simulados desde o 2º ano do Ensino Fundamental I e, a partir do 9º ano, o Enem é tratado especificamente”.


Dois eixos

No Colégio Progresso Bilíngue de Santos, dois eixos orientam o trabalho de preparação. Um deles tem o objetivo de fortalecer emocionalmente o aluno, visando seu bem-estar e segurança diante dos desafios típicos desse momento educacional que ele vivencia: sentimentos como segurança, bem-estar, pertencimento ao ambiente da escola. “O aluno precisa ser atendido e ser acompanhado para se ver inserido na rotina social da escola e se sentir pronto diante dos desafios colocados”, enfatiza Karla Lacerda, diretora pedagógica da escola.


O segundo ponto cuida da adequação acadêmica, da formação densa e funcional para que os jovens respondam às habilidades e competências que serão cobradas nos exames externos. Um jeito de avaliar se o rumo está correto é a aplicação de provas da Evolucional, startup especializada em elaborar itens, aplicar avaliações, analisar e entregar os resultados coletados.


Os relatórios gerados por essa plataforma mostram a qualidade do trabalho dos alunos, dos seus professores e da escola. E essas avaliações começam no 6º ano, sempre direcionando de forma focal as correções de rota e a revisão de processos educacionais. “Formamos os alunos para a vida acadêmica, as provas são parte natural dela. O preparo para o Enem e demais provas que serão feitas no Ensino Médio são consequência de um trabalho mais amplo, denso e processual”, resume a diretora.


Anote as Dicas

A língua estrangeira não pode ser considerada uma preocupação menor. Ana Maria Santos da Silva, diretora e sócia-proprietária da Casa Branca, lembra que o Enem objetiva verificar se o aluno é capaz de ler e compreender textos no idioma escolhido, que pode ser o inglês ou o espanhol. “Ele precisa ter uma noção geral da estrutura da língua e especialmente de tempos verbais, embora não haja questões de gramática. O conhecimento é aferido pelo contexto”.


Para se sair bem, Ana Maria recomenda que os candidatos leiam todos os dias textos pequenos na língua escolhida. No caso do Inglês, há sites como o News In Levels, que traz notícias curtas em três níveis diferentes de conhecimento.


“Uma estratégia que ajuda muito é o mind map ou mapa mental. Vá construindo mapas mentais por categorias como meio ambiente, violência doméstica, vacinas, saúde, lockdown, fake news, social media, technology, anxiety, feelings, youth, voluntariado”.


Na hora da prova, a sugestão é ler o título do texto, observar se há gráficos ou fotos e ler as questões. Fazendo isso, o cérebro já vai evocando o conhecimento prévio do assunto. “Leia o texto e vá sublinhando onde a resposta estaria. Concentre-se e fique de olho no tempo”, diz Ana Maria.


Para quem está na reta final de preparação para a prova, outras dicas mais gerais podem ser valiosas, especialmente para os marinheiros de primeira viagem. Uma das mais conhecidas é o cuidado com o sono e a alimentação. Quem dorme e come bem (alimentos leves e saudáveis) fica mais disposto, alerta aos detalhes e mais criativo. As provas exigirão muita interpretação e concentração para a resolução dos exercícios e sentir-se cansado ou com fome pode interferir diretamente no desempenho.


Manter a calma nas provas é essencial. Os mais nervosos e ansiosos podem fazer exercícios de controle da respiração antes e durante o exame.

Diante das questões, o melhor é começar pelas mais fáceis. A correção das provas objetivas do Enem é feita por meio da Teoria de Resposta ao Item (TRI), o que significa que a metodologia usada não avalia o desempenho dos participantes por um viés apenas quantitativo, mas também do ponto de vista qualitativo.


Ou seja, a quantidade de questões corretas não é o único fator decisivo para a nota final. Além disso, a coerência no desempenho nas provas também é considerada pela TRI. Resumindo: no Enem, você não ganhará mais pontos por acertar questões mais difíceis e errar as fáceis. Pelo contrário: você pode perder pontos, já que o desempenho não mostrará uma coerência e dará a entender que o candidato só acertou as questões difíceis, porque chutou.


Por isso, garanta as questões que você conseguir desenvolver bem. Caso não sobre tempo e precise chutar no final da prova, você vai chutar apenas as perguntas com maior nível de dificuldade. Assim, o seu desempenho fará sentido, impactando positivamente em sua pontuação final.


Outro ponto muito importante é o tempo. São cinco horas para responder 90 questões que envolvem análise e cálculos. Também nesse quesito, o conselho é começar pelas questões mais fáceis e mais rápidas de resolver. Quebrar a cabeça com as questões difíceis no início deixa o aluno cansado e, por conta do tempo escasso, no final há chances de bater um desespero e gerar erros.


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