Thaynara Moraes, Thaís Campregher, Vanessa Toledo, Denis Rodrigues e Juliane Cavalini (Kangaroo Films) No Tricotáh desta semana, a conversa mergulhou em territórios que quase sempre evitamos tocar, não por falta de coragem, mas porque ali, onde dói, também mora o que nos constrói. Vanessa Toledo recebeu as tricoteiras Thaynara Moraes, Juliane Cavaline e Thaís Campregher para um encontro profundo sobre dor, fé e esperança. E, ao centro dessa travessia, um convidado que escreve como quem acende luzes em dias nublados: Denis Rodrigues, autor do livro Através da Tempestade: Um Lugar de Esperança. Entre metáforas, memórias, confissões e silêncios necessários, o programa não falou apenas sobre sofrimento, mas também sobre o que fazemos com ele. Onde a Fé Vira Chão Fé foi o primeiro grande porto da conversa. Thaynara definiu como “acreditar no que é invisível”, esse lugar que não se pega, mas se sente. Thaís lembrou que “para Deus não existe impossível”. Juliane trouxe o sentido do sobrenatural, aquilo que ultrapassa a razão e desperta em nós um poder que nem sempre reconhecemos. E então veio Denis, com uma imagem tão simples e tão profunda que silenciou a sala: a fé é como o filho que abre a geladeira sem cogitar que ela possa estar vazia. Ele acredita na provisão porque confia no amor que a sustenta. Para Denis, fé é caminhar mesmo quando o chão se abre. É continuar como quem sabe que existe uma força: divina, amorosa, silenciosa, e que cuida daquilo que não alcançamos. E foi Thaynara quem acrescentou outra mensagem poderosa, quase um lembrete para os dias difíceis: “Quando você pede para vencer a corrida, Deus não te entrega a medalha. Ele te entrega um par de tênis.” A fé, então, não elimina o percurso! Ela nos calça para atravessá-lo. A corrida é nossa: o preparo, o fôlego, as curvas, o ritmo. Mas é a fé que nos lembra que não estamos sozinhos na pista. E talvez seja justamente essa mistura de invisível e prática, de entrega e movimento, que nos prepara para o próximo passo da conversa: a dor e o que fazemos com ela. A dor que organiza, transforma e ressignifica Atravessar a dor não é um capítulo fácil de escrever. Para muitos, não é sequer um capítulo: é um livro inteiro. Denis sabe disso. Suas palavras foram moldadas pelas próprias cicatrizes, e talvez por isso tenham a precisão de quem já sangrou. Ele explica que a dor não se vence, ela se transforma. Não some, não evapora, não desaparece como muitos prometem. Ela muda de lugar dentro da gente, muda de forma, muda de nome. No livro e no programa, Denis apresenta o conceito que ele chama de O Quádruplo Caminho da Transformação, quatro portas por onde toda dor um dia entrou: circunstâncias naturais, a lei da semeadura, a maldade humana, e as batalhas espirituais. Para ele, entender por onde a dor chegou não é justificar o sofrimento, é organizar o caos para que possamos respirar dentro dele. Juliane complementa: quando identificamos a origem, a dor pode ficar mais leve. Não mais fácil, não menos profunda, apenas mais habitável. Denis Rodrigues (Kangaroo Films) A tempestade que arranca… e também limpa Quando Denis conta que rasgou 150 páginas e recomeçou do zero, se percebe que seu livro não nasceu de teoria: nasceu de travessia. Foi nas suas tempestades pessoais que ele encontrou o que hoje entrega ao leitor. A metáfora que dá nome à obra ganha corpo quando ele explica: a tempestade não vem apenas para arrancar! Ela vem para limpar, para revelar. Ela tira o excesso que encobre a nossa vista e mostra o que estava escondido: força, caráter, propósito, verdade, vulnerabilidade. E, às vezes, mostra a parte de nós que esquecemos de cuidar. O livro, “é um abraço escrito”. Não traz respostas prontas, mas traz companhia. Traz a certeza de que a dor não é o ponto final. Esperança: o fio que liga o hoje ao que ainda não chegou A esperança entrou em cena perto do fim, mas tomou o espaço como se sempre tivesse estado ali. Thaís recordou sua própria história para lembrar que, às vezes, a esperança chega de mãos dadas com um milagre. Thaynara falou sobre o exercício de não controlar o tempo da dor, porque dor não tem validade, não segue cronograma, não atende prazos. Denis trouxe uma definição que ilumina o conceito: no hebraico, esperança significa corda, aquilo que liga o presente ao futuro desejado. Mas, para ele, o maior desafio hoje não é ter fé, nem esperar: é descansar. Descansar em Deus, no corpo, na alma, na mente. Descansar num mundo que cobra novas versões nossas todos os dias. Descansar como quem finalmente admite: “eu não controlo tudo, mas confio.” Juliane, então, trouxe firmeza ao lembrar que a fé é a mãe da esperança. E foi ela quem levou a conversa para um lugar ainda mais profundo: “Nós somos seres humanos. Nós temos a nossa escuridão, e a gente precisa entrar nela para evoluir.” Para Juliane, não existe transformação sem travessia. É dentro do escuro, onde nada parece fazer sentido, que começam os processos mais silenciosos de lapidação. É justamente ali, onde dói e onde falta, que a fé se torna indispensável. É no mergulho, não na fuga, que encontramos forças que não sabíamos possuir e começamos a nos tornar versões mais verdadeiras de nós mesmos. Logo depois, Denis acrescentou outra dimensão dessa esperança: ela não nasce apenas da fé em Deus, mas também da fé nas pessoas: “Deus se manifesta através das nossas relações.” É no outro que muitas vezes encontramos o descanso que sozinhos não conseguimos acessar. Na escuta, no abraço, na presença silenciosa de quem permanece. É assim que a esperança ganha corpo, lembrando-nos de que, embora a travessia seja individual, ninguém precisa atravessar a tempestade sozinho. Thaynara Moraes, Thaís Campregher, Vanessa Toledo, Denis Rodrigues e Juliane Cavalini (Kangaroo Films) Sobre Denis Rodrigues: o homem por trás das palavras Denis é cristão, pai de dois filhos, diretor, escritor e um homem que transformou a própria história em ferramenta de cura. Mas antes de ser autor, ele é alguém que vive o que escreve. Sua trajetória, marcada pela simplicidade da infância em Minas Gerais, pela relação forte com a família, pelas dores que o atravessaram e pela fé que o sustentou, é o eixo que costura suas páginas e sua presença. No livro Através da Tempestade, ele une psicologia, espiritualidade e vivência pessoal em uma narrativa que acolhe, inspira e ensina. Ele não escreve para ensinar. Escreve para acompanhar. Para lembrar que ninguém atravessa tempestades sozinho. Denis Rodrigues (Kangaroo Films) Pra guardar na caixinha Às vezes, sobreviver já é milagre. Às vezes, levantar da cama já é fé. E quase sempre, continuar, mesmo cansado, mesmo quebrado, mesmo sem entender, já é esperança. Porque, no fim, não é sobre não sentir dor. É sobre descobrir o que nos sustenta quando tudo desaba: a fé que nos move, a esperança que nos puxa de volta e as mãos, humanas e divinas, que nos seguram no meio da travessia. Onde assistir O Tricotáh vai ao ar toda terça-feira, às 19h, com programa inédito, e você pode rever este e outros episódios a qualquer momento no YouTube. Youtube: https://youtu.be/7FWmfLfcNzc?si=RHeh3j1ZahHLjzlS