Rogério Santos diz que é preciso atrair empresas (Alexsander Ferraz/AT) O prefeito de Santos, Rogério Santos (Republicanos), disse nesta quarta (30) que a implantação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) na Área Continental da cidade depende de reformas por parte do Governo Federal e de investimentos do Estado em infraestrutura. Assim, diz ele, a região se tornaria mais atrativa para as empresas. A ZPE seria um espaço industrial para processar e agregar valor a produtos antes da exportação pelo cais santista. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Durante a participação no Summit Porto-Indústria 2025, promovido pelo Grupo Tribuna, Rogério lembrou que encaminhou à Câmara, na semana passada, um projeto de lei que altera as diretrizes de uso e ocupação do solo na Área Continental para abrigar a ZPE. “Justamente para olhar essa oportunidade que nós temos do Porto-Indústria. Santos está pré-qualificado como uma ZPE há algum tempo, mas não avança. Porque precisamos de reformas, investimentos em infraestrutura e atratividade para indústrias”, afirmou. O prefeito também reforçou que o desenvolvimento da relação Porto-Indústria depende de uma estrutura logística robusta. Ele destacou a importância da terceira pista da Rodovia dos Imigrantes, dos investimentos em ferrovias e dos aeroportos da Baixada Santista como parte do pacote que pode tornar a região mais competitiva. Andrea Castro pede soluções regionais integradas (Alexsander Ferraz/AT) Cubatão Também presente no evento, a vice-prefeita de Cubatão, Andrea Castro (MDB), fez um apelo contundente por soluções regionais integradas para o desenvolvimento da Baixada Santista. Segundo ela, os desafios impostos pelo crescimento do setor portuário e industrial não podem ser enfrentados de forma isolada por cada município. “Temos que conseguir, analisando os problemas e as oportunidades de cada cidade, encontrar um denominador comum para toda a Baixada Santista. Porque no fundo, somos um só. A gente trabalha em Cubatão, estuda em Santos, mora em Praia Grande, tem parentes em São Vicente. Não tem outra possibilidade de saída”, destacou. Andrea reforçou o papel estratégico de Cubatão na cadeia produtiva e logística nacional. Conhecida por sua base industrial robusta, a cidade agora amplia sua atuação para setores secundários e terciários, incentivada por políticas estaduais e pela crescente demanda por uma indústria mais sustentável. Gargalo exige ação Durante o Summit Porto-Indústria, o CEO da Bandeirantes Deicmar, Washington Flores, alertou sobre o risco de colapso logístico nos próximos anos no Porto de Santos, caso nada seja feito para resolver os gargalos de acesso e escoamento. Enquanto o Poder Público não resolve o problema, as empresas investem em soluções para minimizar os impactos. A Bandeirantes Deicmar anunciou a implantação de unidades logísticas para armazenar mercadorias na Grande São Paulo, para que os veículos não precisem descer a Serra. “Estamos levando o Porto para São Paulo. Começaremos, agora em agosto, o nosso primeiro hub logístico em Cajamar (SP). Dois outros serão implantados até o final do ano. O objetivo é tirar seis mil veículos pequenos por mês do terminal. Vamos resolver o problema dos nossos clientes, mesmo que o acesso ao Porto continue o mesmo”. Flores destaca espaço limitado (Alexsander Ferraz/AT) Modelo Washington Flores lembrou o excelente exemplo que viu na Coreia do Sul, durante a Missão Internacional Porto & Mar 2024, do Grupo Tribuna. Lá, há a maior fábrica da Hyundai no mundo integrada ao porto. A frota sai da indústria diretamente para o navio de exportação. Ele comparou o modelo asiático com alguns modelos existentes no Brasil, mas destacou que Santos possui limitações únicas de espaço. “Santos é uma ‘linguiça’ comprimida por uma cidade ao redor. Não há espaço físico para termos um Porto-Indústria no sentido literal, com fábricas ligadas ao cais. Mas temos algo poderoso: uma cadeia industrial instalada no nosso quintal, em São Paulo. E é com ela que precisamos nos conectar”.