João Vitor, da Caixa, destaca as vantagens financeiras do retrofit (Alexsander Ferraz/AT) Uma modalidade que vai ganhando força no Brasil pode ser usada para ajudar a aumentar o número de pessoas que moram na região central de Santos. Trata-se do retrofit, modelo que moderniza ou atualiza construções antigas, tornando-as aptas, por exemplo, para moradia. Este recurso é capaz, inclusive, de contribuir para a falta de residências na Cidade. Segundo o superintendente de rede da Caixa Econômica Federal para a Baixada Santista, João Vitor Mathias Siqueira, atualmente, o Município tem um déficit habitacional de 30 mil domicílios. A solução, na opinião do especialista, passa por revitalizar centenas de locais antigos e sem uso na região central, modelando-os de acordo com as demandas atuais e os colocando em condições de receberem moradores. Movimentos como este já existem na Europa, onde cada vez mais são vistas edificações deste tipo. “Lá, o retrofit gera 80% das novas construções. Isso é sustentabilidade, porque você não tem de revitalizar uma região. Assim, há aproveitamento de imóveis, melhoria na qualidade de vida e justiça social”, declarou ao longo do painel “Retrofit: o papel do financiamento”, que ocorreu durante o 12º Summit da Construção Civil, realizado pelo Grupo Tribuna. Siqueira destacou, ainda, que, diante dos benefícios desta modalidade, o banco estatal ligado ao Governo Federal incentiva que empresas e construtoras passem a atuar também neste segmento. O superintendente citou quais são os diferenciais oferecidos pela Caixa a quem decidir investir neste modelo. “Com relação ao apoio à produção, que é o que os construtores estão acostumados, a Caixa financia o terreno ou antecipa 10% do financiamento. No retrofit, esse índice passa para até 50% do financiamento. Isso ajuda o investidor”. A fim de mostrar a diferença de se procurar o banco para um novo empreendimento ou uma modernização, o painelista deu um exemplo. “Se o terreno custa R\$ 2 milhões, e as benfeitorias mais R\$ 4 milhões, o valor de financiamento é R\$ 3 milhões. Em uma antecipação de financiamento novo, você teria R\$ 300 mil e mais R\$ 2 milhões pelo terreno. Já no retrofit, você já antecipa R\$ 1,5 milhão e R\$ 6 milhões no imóvel. Então, você basicamente começa sua construção já com caixa maior para finalizar essa obra”. Por fim, o especialista disse que as residências criadas a partir deste modelo também são mais valorizadas. “Existe o incremento de até 40% no valor do teto. Então, um apartamento, aqui em Santos, de R\$ 168 mil passa a ser R\$ 235 mil”.