Com as mudanças promovidas pelo novo programa, podem ser financiados imóveis de até R\$ 2,25 milhões (Alexsander Ferraz/AT) O novo modelo de crédito imobiliário, anunciado na semana passada pelo Governo Federal e que amplia o acesso ao crédito habitacional, repercutiu bem no setor imobiliário da Baixada Santista. Na prática, essa mudança contempla as famílias que não são atendidas pelo programa Minha Casa, Minha Vida, inclusive a recém-criada Faixa 4, que cobre renda até R\$ 12 mil. Integrantes do setor entendem que as mudanças vão trazer impactos positivos na região, especialmente em Santos. A compreensão é de que a classe média vai ter mais facilidade para acessar imóveis mais caros. O diretor-executivo da imobiliária R3 Imóveis, Stephano Lopes, avalia como “muito bom” o novo modelo, que é dirigido a famílias com renda mensal entre R\$ 12 mil e R\$ 20 mil. Isso porque as mudanças favorecem um público que não era contemplado por programas de menor custo. “A classe média alta estava em um limbo, com taxas altas, mercado sem liquidez e com limite de valor de imóvel defasado, de R\$ 1,5 milhão no máximo. Entendemos que vai aquecer o mercado, até porque a taxa de juros ficou limitada a 12% ao ano. Santos vai ter bastante retorno em cima disso”. O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto, vê com otimismo os efeitos do novo modelo. “Ele atinge uma faixa de renda que era obrigada a usar os recursos de financiamento disponíveis, com juros de 14% ou até mais. Além disso, ficou estabelecido que o valor da entrada é de 20% para imóveis novos e 40% para usados, com prazo de financiamento de até 35 anos. O valor da prestação ficará próximo do custo de um aluguel”, diz ele. O sócio-diretor da construtora e incorporadora Engeplus, Roberto Luiz Barroso Filho, aprova as mudanças. “O anúncio inclui 95% do mercado imobiliário do País, pois poucas unidades custam mais do que R\$ 2,25 milhões, o teto do programa. Então, vai abrir oportunidade para classe média conseguir comprar imóveis. Portanto, é positivo, ainda mais em Santos, que tem valores altos devido à escassez dos terrenos, ao elevado custo das fundações e à tendência de unidades mais elitizadas”. Porém, os beneficiados não serão apenas os compradores de Santos. O diretor-regional do Secovi, Carlos Meschini, acha que ao menos mais três cidades vão colher bons frutos. “A classe média é nosso maior consumidor. O modelo vai resultar em um movimento muito grande em Santos, São Vicente, Guarujá e Praia Grande”. Para o presidente da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob), Mateus Teixeira, toda a região vai ganhar com o programa. “Devemos observar um aumento na procura por imóveis. Esse movimento estimula a confiança de construtores e incorporadores, incentivando o lançamento de empreendimentos”.