Gonçalves, da Brain: apesar dos juros altos, o mercado imobiliário segue forte na região, enquanto passa por acomodação na média do País (Sílvio Luiz/AT) Os números do terceiro trimestre deste ano para o mercado da construção civil na Baixada Santista trouxeram aumento nas vendas de unidades, em comparação ao mesmo período do ano passado. Segundo o levantamento da Brain Inteligência Estratégica, no terceiro trimestre, que considerou Santos, São Vicente, Guarujá e Praia Grande, as vendas em unidades registraram alta de 4% sobre igual período do ano passado, somando 1.272 unidades (apartamentos). No acumulado de janeiro a setembro de 2025, foram 3,3 mil. Quanto ao Valor Geral de Vendas (VGV), o comparativo com o terceiro trimestre do ano passado acumula alta de 7%, totalizando R\$ 1,213 bilhão, contra R\$ 1,113 bilhão no igual período de 2024. Os dados foram divulgados na última segunda-feira, durante o Encontro Secovi-SP do Mercado Imobiliário da Baixada Santista, que reuniu representantes do setor de compra e vendas de imóveis na sede da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos (Aeas). Os imóveis no padrão econômico (até R\$ 350 mil) tiveram vendas de apenas 23 unidades, contra 1.249 dos demais níveis. Chama a atenção o índice de operações por meio do programa Minha Casa Minha Vida, de apenas 8%. “No País, de maneira geral, a gente ainda está com números bem altos no mercado imobiliário. E a força motriz hoje é o Minha Casa Minha Vida”, afirma o sócio-consultor da Brain, Marcelo Gonçalves, que trouxe os dados. Segundo ele, o cenário de vendas na Baixada Santista é bom, mesmo levando em conta fatores como a alta taxa de juros, neste sábado (15) em 15% ao ano. “Isso, sem sombra de dúvida, nos traz um resfriamento da economia. Nosso mercado não tinha sido atingido ainda. Nós tivemos 2024 com o melhor ano da série histórica e automaticamente a gente conseguiu trazer isso para o primeiro semestre, Agora no terceiro trimestre teve essa acomodação de maneira geral no País. Mas o mercado regional continua com uma grande quantidade de vendas”, acrescenta. Construtoras aceleram e depois pisam no freio O levantamento da Brain Inteligência Estratégica registra queda dos lançamentos de 25% no terceiro trimestre, na comparação com igual período do ano passado. Foram nove empreendimentos (edifícios) contra 12, todos eles de padrões excetuando-se o econômico. Os condomínios de casa apareceram zerados. Em número de unidades lançadas, foram 782 entre julho e setembro deste ano, contra 1.085 no ano passado, uma queda de 28%. O VGL (Valor Global Lançado) por trimestre aponta retração de 26% do terceiro trimestre deste ano em comparação com igual período de 2024, respectivamente de R\$ 658,1 milhões e R\$ 874,6 milhões. Para o diretor regional do Secovi-SP, Carlos Meschini, a queda dos lançamentos aconteceu porque o mercado começou a sentir que estava com excesso de produto. “As incorporadoras estão comprando muito terreno e elas mesmas acham que estão construindo muito. Então, começam a achar que pode dar gargalo de excesso de produto no mercado e passam a lançar menos. E aí acontece a parada. O mercado é cíclico: lança muito num ano, no outro tem uma recuada”. O sócio-consultor da Brain, Marcelo Gonçalves, aponta entre as razões para a queda a mudança no funding (captação de recursos para viabilizar projetos, desde a compra do terreno até a conclusão da obra). “Os incorporadores foram acostumados a trabalhar com SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) e esse dinheiro diminuiu nos últimos anos. Os bancos estão pegando esse dinheiro e emprestando para o consumidor final, o que encareceu o funding. Acaba sendo melhor garantir que o consumidor final realmente tenha capacidade de pagamento”. Unidades vendidas 2023: 4.976 2024: 4.275 2025: 3.301 (*) Total de vendas 2023: R\$ 4,133 bi 2024: R\$ 3,870 bi 2025: R\$ 2,984 bi (*) Unidades lançadas 2023: 4.906 2024: 4.686 2025: 2.502 (*) Valor dos lançamentos 2023: R\$ 4,406 bi 2024: R\$ 5,271 bi 2025: R\$ 2,086 bi (*) Obs.: apenas apartamentos. (*) Acumulado do ano até setembro. Fonte: Brain Inteligência Estratégica/Secovi