Os arranha-céus seguem surgindo em vários lugares do mundo, inclusive no Brasil. Balneário Camboriú (SC), por exemplo, tem torres que beiram os 300 metros e planeja empreendimentos ainda maiores. Santos também vai aumentando a altura de seus prédios, mas enfrenta um problema: aqui, há limitação de altura para os edifícios. O teto para as construções no Município foi confirmado pelo secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade de Santos, Glaucus Farinello. Ele disse que, por causa do futuro aeroporto de Guarujá, as edificações que estão próximas ou que serão rotas de aviões não podem chegar a 50 metros de altura. A determinação é do Comando da Aeronáutica (Comaer). Uma das áreas santistas que estão enquadradas nesta condição é a central. Este espaço pode receber novos empreendimentos, mas respeitando o limite de altura. O presidente da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob) e diretor da Construtora Macuco, Mateus Teixeira, afirma que este fato afasta o empresariado da região. “Este é um dos motivos que fazem o Centro passar a ser desconsiderado para futuras construções. Quanto mais perto for o terreno da pista do futuro aeroporto, mais baixa a altura dos prédios”, disse. A consequência disto é que as empresas acabam lucrando menos do que poderiam. “Ali, só podemos construir até 45 metros, o que dá uns 12 ou 13 andares. Isso prejudica o aproveitamento total do terreno. Ou seja, você compra o espaço e não pode utilizar todo o potencial construtivo”, ressalta o sócio-diretor da construtora e incorporadora Engeplus, Roberto Luiz Barroso Filho, sobre a regra estabelecida pelo Comaer. O problema não atinge somente os bairros da região central, como destaca o arquiteto da Construtora Miramar, do Grupo Mendes, Roberto Saviello. “O comando aéreo limitou vários lugares, principalmente perto da Avenida Conselheiro Nébias. A Avenida Afonso Pena também. Ela é bonita para receber prédios altos, mas tem limite de 46 metros de altura. Isso porque os aviões devem passar por ali”, disse. Pedido Ciente da situação e também das preocupações das companhias do setor, Farinello diz que é possível conversar com o órgão ligado às Forças Aéreas Brasileiras (FAB), para que sejam permitidas construções maiores nos locais já mencionados. “Na região portuária, temos guindastes com mais de 100 metros. Também há prédios com 70 metros. Podemos comunicar que as áreas são de interesse público, solicitando que haja permissão para erguer edificações com mais de 45 metros”, afirma, sem precisar, nestes casos, quanto é possível erguer além da altura estipulada pelo Comaer. Ainda, o secretário explica que existem lugares de Santos em que as construtoras podem verticalizar mais. “José Menino e Ponta da Praia têm condições de receber empreendimentos de 150 metros”. No José Menino, por exemplo, está sendo feito o Castell Di João Paulo, com 150 metros. Já no segundo, é construído o Navegantes, com 155 metros. Diferenciais de imóveis altos atraem público Independentemente da limitação imposta pelo Comaer, os prédios altos continuam atraindo compradores. Isso graças aos diferenciais dos empreendimentos e também dos imóveis disponíveis. Questões como conforto, lazer e até o visual tornam estes edifícios mais visados no mercado. O gerente comercial da Construtora Miramar, Mauricio Meriqui, aponta quais fatores são mais procurados pelos compradores. “As pessoas levam em consideração tecnologia e qualidade dos acabamentos. Além disso, apartamentos em andares mais altos trazem vantagens, como vistas panorâmicas privilegiadas, menos barulho das ruas, melhor ventilação e privacidade. Há, ainda, mais detalhes, como varanda gourmet com churrasqueira a gás”. Já o arquiteto Roberto Saviello diz que outro fator importante é que haja opções de lazer. “Você não consegue nem financiar um imóvel se não tiver academia, brinquedoteca, piscina e sauna. Sem isso, não vende mais”, declara o especialista, que também atua pela Construtora Miramar. Valorizado O diretor-executivo da imobiliária R3 Imóveis, Sthefano Lopes, confirma que apartamentos em andares mais altos costumam ser comercializados mais rapidamente do que os demais. “No alto padrão, nós vendemos o prédio, usualmente, de cima para baixo. Então, primeiro, (negociamos) as unidades mais altas e, por último, ficam as mais baixas”, revela. Lopes diz, ainda, que os imóveis localizados no alto das torres custam mais caro que os outros. “A diferença de preço chega a 50% - às vezes, vai a 100% ou até mais”, ressalta.