<p data-end="542" data-start="195">O Governo Federal lançou nesta sexta-feira (10) um novo modelo de crédito imobiliário para compra da casa própria, com foco na classe média. Ele reestrutura o uso da poupança para ampliar a oferta à população. Entre as principais novidades, o valor máximo do imóvel financiado no Sistema Financeiro da Habitação (SFH) passa de R\$ 1,5 milhão para R\$ 2,25 milhões.</p> <p data-end="869" data-start="544">Além disso, a Caixa Econômica Federal voltou a financiar 80% do valor do imóvel adquirido por meio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Desde novembro do ano passado, o limite havia sido reduzido para 70%. Os anúncios ocorreram em São Paulo, no evento Incorpora 2025, um dos maiores do setor habitacional.</p> <p data-end="1347" data-start="871">Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros que participaram do evento, a medida beneficia as operações de financiamento imobiliário realizadas no Sistema Financeiro da Habitação (SFH) para classe média. Como consequência, as novidades devem expandir o investimento na construção civil. A previsão é que, com essa mudança, a Caixa financie mais 80 mil novas moradias até 2026. Famílias com renda entre R\$ 12 mil e R\$ 20 mil terão acesso ao novo financiamento.</p> <p data-end="1762" data-start="1349">“Um trabalhador metalúrgico, um bancário, um químico, um gráfico, um trabalhador da Caixa, um professor (...) Essas pessoas não têm direito a comprar casa, porque elas nem são pobres, não estão na faixa 1, nem na faixa 2 (do Minha Casa, Minha Vida). Esse programa foi feito pensando nessa gente, pensando em dar àqueles que ainda não têm direito a oportunidade de ter a sua casinha um pouco melhor”, disse Lula.</p> <p data-end="1777" data-start="1764"><strong data-end="1775" data-start="1764">Entenda</strong></p> <p data-end="2164" data-start="1779">O novo modelo de crédito imobiliário reestruturará o uso da poupança para ampliar a oferta de crédito. Uma fase de transição será criada até 2027, quando as medidas entrarão em vigor de forma plena. A partir de então, o total dos recursos depositados na caderneta de poupança será referência para uso no setor habitacional, com o fim dos depósitos compulsórios no Banco Central (BC).</p> <p data-end="2408" data-start="2166">Atualmente, 65% dos recursos captados pelos bancos da poupança precisam ser direcionados ao crédito imobiliário, outros 15% estão livres para operações mais rentáveis e 20% ficam retidos com o Banco Central na forma de depósito compulsório.</p> <p data-end="2819" data-start="2410">A partir de 2027, o direcionamento obrigatório de 65% dos depósitos da poupança acabará e os depósitos compulsórios no BC referentes a esse tipo de aplicação também. O total dos recursos depositados na caderneta de poupança passará a ser referência para o volume de dinheiro que os bancos devem destinar ao setor habitacional, incluindo as modalidades do SFH e do Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI).</p> <p data-end="3145" data-start="2821">Quando estiver plenamente implementado o novo modelo, se uma instituição captar no mercado, por exemplo, R\$ 1 milhão e direcionar integralmente esse montante para financiamento imobiliário, ela poderá usar a mesma quantia captada na poupança, que tem custo mais baixo, para aplicações livres por um período predeterminado.</p> <p data-end="3274" data-start="3147">Para isso, 80% dos financiamentos habitacionais deverão ser feitos pelas regras do SFH, que têm juros limitados a 12% ao ano.</p> <p data-end="3671" data-start="3276">Nos últimos anos, os financiamentos via SFH vinham perdendo espaço no mercado em meio a saques da caderneta de poupança, principal fonte de recursos para crédito habitacional no País. Somente este ano, a caderneta já tem retirada líquida de R\$ 78,5 bilhões. Entre as razões para os saques está o patamar elevado da taxa Selic, o que estimula a aplicação em investimentos com melhor desempenho.</p> <p data-end="3862" data-start="3673"><strong data-end="3751" data-start="3673">Governo Federal lança novo modelo de crédito para a compra da casa própria</strong><br data-end="3754" data-start="3751" /> Valor máximo do imóvel financiado no Sistema Financeiro da Habitação (SFH) vai passar para R\$ 2,25 milhões</p> <p data-end="4210" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="3864">O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Correia, disse ontem que o lançamento do novo crédito imobiliário faz com que o governo consiga aproximar o comprador do sonho da casa própria. Segundo ele, as entidades parceiras da CBIC vão contribuir com sugestões e experiências de mercado para que a medida funcione.</p> <p data-end="4210" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="3864"><strong>Positivo</strong></p> <p data-end="4210" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="3864">O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Correia, disse ontem que o lançamento do novo crédito imobiliário aproxima o comprador do sonho da casa própria. Segundo ele, as entidades parceiras da CBIC vão contribuir com sugestões e experiências de mercado para que a medida funcione.</p> <p data-end="4210" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="3864"><strong>Oferta de financiamento ainda é baixa, diz Galípolo</strong></p> <p data-end="425" data-start="0">O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou ontem, no evento Incorpora, que desde o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), a participação do crédito imobiliário no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro praticamente dobrou. Ainda assim, ele destacou que essa modalidade de financiamento está abaixo de países pares por questões estruturais, com o Chile movimentando volume quase três vezes maior, por exemplo.</p> <p data-end="917" data-start="427">Entre as questões estruturais, o presidente do BC afirmou que a limitação da fonte de recursos (funding) restringe o crescimento do crédito imobiliário, gerando uma tendência de queda. “Agradeço ao presidente Lula, que desde o primeiro momento disse ‘eu não quero uma solução paliativa, eu não quero uma solução que a vida das pessoas vai melhorar em um momento para, em seguida, darmos passos para trás. Eu quero uma mudança estrutural, eu quero uma solução estrutural’”, disse Galípolo.</p> <p data-end="1221" data-start="919">O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o novo crédito imobiliário é uma medida estrutural conquistada “graças ao Banco Central”, que apresentou um modelo estrutural de mudança do financiamento, “garantindo que todos os penduricalhos da poupança deem lugar a um financiamento estrutural”.</p> <p data-end="1451" data-start="1223">“Nós esperamos que no final do ano que vem, as condições de política monetária (juros altos) estejam substancialmente diferentes das atuais. Então nós podemos rever os parâmetros (dos programas habitacionais)”, completou.</p>