Pontual entende que a estagnação da poupança encarece o crédito (Divulgação) A quantia total de financiamento imobiliário no Brasil deve ser menor este ano. Na comparação com os números de 2024, a estimativa é de uma redução de 4%. As informações têm por base um levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A entidade trabalha com a previsão de que o montante de empréstimos, até dezembro próximo, será de R\$ 302 bilhões, somando concessões provenientes do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). No fim do ano passado, o valor foi de R\$ 313 bilhões. Segundo o diretor-executivo da Abecip, Filipe Pontual, a diminuição se dá pela estagnação do saldo da poupança no País. “Ela está mais escassa. Aí, todos os agentes financeiros que atuam nesse mercado estão tendo de buscar recursos através da emissão das LCIs (Letras de Crédito Imobiliário), para complementar os recursos. Só que as LCIs têm um custo mais alto para o banco. Isto provoca um aumento na taxa de juros”. A consequência disso é que as parcelas deixam de caber no bolso de muitos compradores, que recuam e não adquirem imóveis. “A combinação dos recursos faz um resultado final um pouco mais alto. O financiamento fica mais caro. Com isso, você espanta ou tira do mercado algumas famílias que não vão dar conta de pagar aquela prestação”. Pontual frisa, ainda, que os reflexos deste contexto já são sentidos. Ele afirma que o primeiro trimestre deste ano foi mais forte que o mesmo período de 2024. Mas, a partir de abril, foi registrado um volume menor de operações. Detalhamento Da quantia total dos empréstimos previstos para 2025, R\$ 150 bilhões são do SBPE. O montante é inferior ao de 2024, quando as instituições financeiras disponibilizaram R\$ 187 bilhões. A queda contrasta com o movimento das concessões que têm por base o FGTS. Até o final de 2025, a modalidade deve ser responsável por R\$ 152 bilhões. Um ano antes, foram R\$ 127 bilhões. O diretor-executivo da Abecip explica por que a linha que usa o Fundo de Garantia vai crescer. “Estes financiamentos continuam indo muito bem, porque é uma taxa pré-determinada. Ela não sobe junto com a taxa do resto do mercado”.