Auditório do Grupo Tribuna recebeu autoridades, empresários e profissionais do setor: lançamentos de imóveis no País cresceram 6,8% no primeiro (Alexsander Ferraz/AT) Estado, Município e empresários estão dispostos a trabalhar lado a lado pela reocupação do Centro Histórico de Santos. Nesta terça-feira (16), no 18º Summit da Construção Civil, realização do Grupo Tribuna, o subsecretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano, José Police Neto, sugeriu uma parceria com a Prefeitura para trazer a Santos a experiência do Estado na revitalização da região central da Capital. O evento foi realizado no auditório do Grupo Tribuna. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O secretário estadual fez a proposta durante o painel “Reocupação da área central: quando, como e por quem?”, que contou com a participação do secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade de Santos, Glaucus Farinello, e do presidente da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob), Mateus Teixeira. Police Neto lembrou ainda que, no caso da Capital, diante das dificuldades enfrentadas pela Prefeitura, o Estado coopera a fim de encontrar soluções. O Governo do Estado pretende construir seu Centro Administrativo na região central paulistana, prevendo uma ampla renovação. Farinello defendeu o compromisso conjunto em favor da reocupação do Centro Histórico. “Sempre buscar esforços, unir esforços”, afirmou, contando com apoio de Teixeira. O secretário santista destacou que o processo de revitalização do Centro não é uma promessa futura, mas uma realidade em andamento. “Já temos retrofits implantados, como o da Praça José Bonifácio, com 27 apartamentos, e outro na Rua Augusto Severo, com 16 unidades. Há ainda o primeiro retrofit público, na Rua do Comércio, com 36 apartamentos para estudantes, além de 50 moradias de interesse social no Paquetá, destinadas a famílias de cortiços.” Segundo o secretário, a chegada de moradores será determinante. “Com gente morando, vem o comércio, a padaria, a escola, a segurança. É isso que muda o bairro”, disse. Ele lembrou ainda do projeto privado já aprovado no Valongo, que prevê mais de mil unidades habitacionais. Police Neto reforçou a importância de acompanhar as mudanças sociais. “O núcleo familiar não é o mesmo de 30, 40 anos atrás. Hoje, há procura por apartamentos menores e funcionais, porque as pessoas passam mais tempo fora de casa. A cidade precisa ser o grande clube.” Ele também ressaltou que o poder público deve dar o exemplo. “O Governo do Estado já atua em Santos com um projeto de mais de 1.700 unidades habitacionais. Mas o Centro só dará certo com famílias moradoras, diversidade de perfis e renda. Ele não pode ser gueto de baixa nem de alta renda”, completou. Police Neto: núcleos familiares mudaram (Alexsander Ferraz/AT) Visão dos empresários Teixeira apontou que o papel da Prefeitura será decisivo para atrair investimentos. “Construa que eles virão. Quando a Prefeitura investir mais no Centro, trazendo inclusive secretarias para a região, os construtores vão acompanhar”, afirmou. Para ele, ainda há desafios a superar. “As isenções ajudam, mas não são suficientes. É preciso pensar em alternativas, como trocas de outorga por imóveis ou projetos que deem mais segurança ao investidor. Ninguém vem para perder”, disse. Outro ponto abordado foi a necessidade de atrair diferentes perfis para a região central, evitando que ela se torne restrita a um único público. Para os participantes, a diversidade de moradores, serviços e atividades é o que vai garantir que o Centro seja um espaço vivo durante todo o dia, e não apenas em horários comerciais. Essa pluralidade, destacaram, é fundamental para fortalecer a convivência, estimular o comércio e criar um ambiente urbano mais equilibrado, capaz de acolher famílias, estudantes, trabalhadores e empreendedores de diferentes áreas. Teixeira: mais segurança ao investidor (Alexsander Ferraz/AT) Mercado mantém equilíbrio entre lançamentos e vendas O mercado imobiliário brasileiro registrou equilíbrio entre lançamentos e vendas de unidades residenciais no primeiro semestre deste ano. O setor investiu na construção aproximadamente R\$ 123 bilhões, mesma quantia obtida por meio de aquisições. Boa parte destes números passa pelo crescimento do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), do governo federal. Os números citados foram apresentados pelo presidente-executivo do Secovi-SP e presidente do Comitê da Indústria Imobiliária da Cbic, Ely Wertheim. Ele participou do evento, falando ao longo do painel “Construção Civil em Perspectiva”. Durante sua explanação, o especialista destacou o equilíbrio registrado no setor, frisando que “vendemos e lançamos praticamente a mesma coisa”. Na sequência, ressaltou o peso do MCMV no mercado. “A nível Brasil, 50% dos lançamentos foram ligados ao programa. Já na cidade de São Paulo, chegamos a 65%”. Wertheim apresentou outros dados, inclusive da Baixada Santista e do Interior do Estado. Conforme os indicadores, somando as duas regiões mencionadas, foram lançadas 67,1 mil unidades entre julho de 2024 e junho de 2025, apenas 2% a mais do que o mesmo período do ano anterior. Em termos de vendas, o setor contabilizou R\$ 27,8 bilhões, queda de 5% no valor global. Petrucci: juros insustentáveis para o setor (Alexsander Ferraz/AT) Nacional Com relação ao Brasil como um todo, no primeiro semestre deste ano, o setor lançou 186.547 residências, alta de 6,8% na comparação com os seis primeiros meses de 2024, quando surgiram 174.705. Curiosamente, o maior aumento aconteceu na região Norte. Lá, o salto foi de 43,3%, indo de 4.786 para 6.856 casas. Em contrapartida, o Nordeste viu seu índice cair 18,7%, pois foi de 36.094 no ano passado para 29.343. Em termos de comercializações, quase todas as regiões registraram melhora. Somente o Centro-Oeste ficou no vermelho. Naquele território, o mercado vendeu 10.913 unidades, 13,4% a menos do que as 12.603 de 2024. Selic em 15% dificulta crédito, apontam especialistas do setor O maior desafio enfrentado pelo mercado imobiliário, na atualidade, é a taxa básica de juros. Com a Selic em 15%, ficou mais caro para as empresas obter crédito e investir. Hoje, o Conselho de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), deve anunciar a manutenção do percentual, que tende a cair somente em 2026. Um dos participantes que falou sobre o assunto foi o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, que participou do painel “Funding e Estruturas de Capital para Obras”. O especialista apontou a taxa como o maior obstáculo enfrentado pelo segmento. “Nosso problema não é recurso. Não temos falta disso. O que temos são juros insustentáveis para o setor. A produção está mais cara e o financiamento para pessoa física, também”, afirmou o convidado do Summit da Construção Civil. Ely Wertheim concordou com o economista. “A Selic está muito alta”, asseverou. Wertheim: construção investiu R\$ 123 bilhões (Alexsander Ferraz/AT) Foco na taxa Petrucci enfatizou que o governo federal não deve se preocupar com o dinheiro que financia as operações, o chamado funding, pois tanto o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) quanto a poupança asseguram o montante necessário. De acordo com ele, a mobilização deve focar na redução da Selic. Neste sentido, o presidente-executivo do Secovi-SP declarou torcer para que a gestão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ajuste sua parte fiscal. “Conhecemos os remédios. Esperamos que o governo federal tenha suas contas organizadas de forma tal, que permita ao Banco Central (BC), que graças a Deus é independente, baixar a taxa”, disse Wertheim. Confira no próximo sábado (20) o caderno com a cobertura completa do Summit da Construção no jornal A Tribuna.