Ricardo Beschizza, presidente do Conselho Deliberativo da Assecob (Alexsander Ferraz/AT) Altas torres, com muito luxo, incluindo varandas gourmet e piscinas com borda infinita. Assim são alguns dos novos empreendimentos que surgem em Santos. Evidentemente, há público para imóveis com tantos diferenciais, que custam milhões de reais. Porém, o presidente do Conselho Deliberativo da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob), Ricardo Beschizza, entende que o Município não pode viver somente de edificações de alto padrão. Também é preciso pensar em construções mais econômicas, compactas, sociais e de todos os outros segmentos. Afinal, “diversificação é essencial para o crescimento ordenado e o desenvolvimento econômico” da Cidade. Espaço e oportunidades para isso não vão faltar, inclusive em bairros antes menos visados. Por sinal, o especialista entende que locais como o Jabaquara “tendem a valorizar”. Contudo, ainda que sejam áreas menos exploradas, o setor não pode perder de vista uma coisa: se quiser vender, precisa investir em lazer. “Piscina, academia e salão de festas já são considerados o mínimo exigido”. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Como estão os preços dos terrenos disponíveis? A área insular de Santos é bastante limitada — são apenas 39,4 km2 —, o que torna os terrenos cada vez mais escassos. Esse cenário tem impulsionado a verticalização da Cidade. Em relação aos preços, tudo depende da localização: quanto mais próxima da orla, maior o valor do terreno. Mas, já observamos um movimento de construtoras e incorporadoras em busca de áreas em outras regiões. Há algum bairro ou área de Santos com tendência para receber mais investimentos? Regiões que abrigarão grandes empreendimentos, como o novo shopping que será erguido no bairro do Jabaquara, e o futuro túnel Santos–Guarujá, tendem à valorização. Isso também vale para a nova fase do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT)? O trajeto do VLT em direção ao Centro também deve seguir essa tendência. É um processo de médio prazo, mas que trará impactos positivos ao mercado. Então, ainda não há um movimento mais consistente das construtoras para investir na região central de Santos? O Centro permaneceu por muitos anos proibido de receber novos empreendimentos residenciais. Atualmente, há um grande projeto prestes a ser lançado e alguns casos pontuais de retrofit. À medida que o poder público direciona esforços para revitalizar a região, com maior presença de repartições públicas e reforço na segurança, o interesse das construtoras tende a crescer. Qual é o perfil de empreendimento que deve ser mais procurado nos próximos anos? Há espaço para todos os segmentos. Uma cidade equilibrada não se sustenta apenas com imóveis de alto padrão. A diversificação é essencial para o crescimento ordenado e o desenvolvimento econômico de Santos. E quais são os segmentos mais aquecidos hoje? Atualmente, predominam os empreendimentos de médio e alto padrão, mas há uma tendência clara de aumento nos investimentos voltados ao segmento econômico e de interesse social. Essa diversificação será essencial para manter o mercado equilibrado e sustentável nos próximos anos. Caixa, bancos privados ou empréstimo próprio da construtora: quais são as linhas preferidas dos compradores em Santos? A escolha varia conforme o perfil do imóvel e o público-alvo. Nos empreendimentos de médio e alto padrão, é comum que os compradores optem por pagar diretamente à construtora durante o período de obras e, posteriormente, quitar o saldo ou buscar financiamento em instituições financeiras com as quais já possuem relacionamento. Já nas unidades voltadas ao segmento econômico e de interesse social, a Caixa continua sendo o principal agente financeiro da habitação no país. Condomínios com itens de lazer, serviços e várias garagens ainda são tendência? Hoje, não há espaço para lançamentos que não ofereçam itens de lazer e conveniência. Piscina, academia e salão de festas já são considerados o mínimo exigido. O comprador busca conforto e qualidade de vida, mesmo em unidades compactas. Qual é sua opinião sobre a inserção de tecnologia nos edifícios, como vagas para carros elétricos e soluções de conectividade? Os compradores valorizam esses diferenciais? Sim. Tudo que agrega valor ao produto imobiliário é bem-vindo. Soluções como energia solar nas áreas comuns, reaproveitamento de água da chuva, infraestrutura para carregadores de veículos elétricos e sistemas de lockers para entregas já se tornaram diferenciais. A partir do primeiro semestre de 2026 há previsão de queda da taxa Selic. O que essa redução vai proporcionar? A cada ponto percentual que a Selic sobe ou desce, há uma mudança direta na faixa de pessoas que conseguem ou não acessar o crédito imobiliário. Juros mais baixos permitem que o setor produtivo ganhe fôlego, gere empregos, aumente a arrecadação de tributos e movimente a economia como um todo. E quanto ao impacto da Selic neste ano? Já é possível notar uma queda nas vendas? Os dados mais recentes do Secovi-SP apontam uma leve redução, mas ainda sem um impacto significativo para o setor. O mercado segue estável. Praia Grande continua crescendo, tanto em população quanto em empreendimentos. Lá, ainda há terrenos e os preços são mais acessíveis. O que esperar do mercado praia-grandense nos próximos anos? Praia Grande é um case de sucesso no setor imobiliário. Além do dinamismo da iniciativa privada, é preciso destacar o papel fundamental do poder público, que tem atuado de forma consistente na melhoria da infraestrutura e na criação de um ambiente favorável a novos investimentos. São Vicente também tem buscado atrair empreendimentos. Como as empresas estão enxergando a cidade hoje? São Vicente tem se destacado no segmento econômico, com empreendimentos voltados ao programa Minha Casa, Minha Vida. Em regiões mais valorizadas, há projetos de médio e alto padrão, mostrando diversificação da oferta imobiliária.