Competição, baixo custo e especialização: receita do crescimento (Alexsander Ferraz/ AT) Há quatro décadas, o Brasil está estagnado em termos de produtividade. Com isso, o País pouco cresce, enquanto potências e até nações vizinhas, embora menores, se distanciam, criando um cenário difícil para as empresas dos mais diversos setores. Uma mudança em competitividade, investimentos e até especialização se faz necessária, a fim de que o quadro comece a ser alterado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Todas essas considerações são do cientista político, curador do projeto Fronteiras do Pensamento e professor do Insper Fernando Schüler. Ele palestrou no encerramento do Summit da Construção Civil deste ano, realizado pelo Grupo Tribuna. Durante sua explanação, o especialista disse que a produtividade brasileira está estagnada há 40 anos, o que configura um “problema crônico”. Então, fez uma comparação com outro país da América do Sul para mostrar o atraso nacional. “O Brasil tem uma renda média que é menos da metade da uruguaia. Se a gente crescer nos próximos dez anos na velocidade da China, vamos levar 11 anos para chegar na renda média do Uruguai”. Apesar disso, o professor apontou um setor que conseguiu se destacar: o agronegócio. Para Schüler, esse segmento é o que mais evoluiu em termos de hora trabalhada desde 1995. Schüler explicou por que o “agro” se tornou destaque em produtividade. “A questão é que este é um setor exposto à competição e que fez muito investimento em tecnologia”. Diante disso, afirmou que a experiência desse segmento traz lições para os demais. “Você quer crescer? Então, há três fatores, sendo o primeiro a competição. O segundo é ter um ambiente que baixe o custo de transação, criando o ambiente para atrair o investimento. Por fim, especialização”. Por sinal, este último é visto como crucial. Inclusive, Schüler trouxe um exemplo de Adam Smith, economista e filósofo escocês, chamado de pai da economia moderna. “Por que a fábrica de alfinetes explodiu em produtividade? Porque cada trabalhador passou a fazer um pedacinho de alfinete. Quando ele fazia todo o alfinete, conseguia terminar quatro. Na hora em que cada um fazia um pedacinho, em uma linha de produção, passou a quatro mil”.