[[legacy_image_110141]] Ser cantor e compositor, voltar para a escola, dar um futuro melhor para a minha família, dar orgulho para a minha mãe, trabalhar. Esses são, em geral, os desejos apontados pelos jovens internos para o dia em que ganharem a liberdade. “Eu já faço minhas composições. Vou investir nisso”, diz um dos internos de Peruíbe, que até escreveu e cantou para a equipe de A Tribuna (confira a letra neste link). Muitos internos têm como ídolos cantores de funk, cujas letras falam de esperança e vida livre dos delitos. “Quando eles saem, é preciso que exista uma rede de atendimento, uma interligação entre os setores, para que esse adolescente encontre outros caminhos”, diz o psicólogo Hélio Alves, professor da Universidade Católica de Santos, e que trabalhou, durante 18 anos, na antiga Febem, prestando atendimento a crianças e adolescentes abandonados. “Naquela época não havia ainda o ECA, e nosso trabalho era de ouvir e orientar os que tinham entre 7 e 14 anos e eram abandonados pela família”. Hélio Alves fala que o trabalho em rede, que envolve principalmente a escola, é fundamental para identificar e orientar os jovens. [[legacy_image_110142]] ProfissõesOs jovens também responderam que profissão gostariam de ter no futuro. As atividades citadas variam. Além de ‘funkeiro’, cabeleireiro, técnico em informática, caminhoneiro, comerciante, jogador de futebol, mecânico, entregador, portuário, e também profissões que exigem nível superior: médico, advogado, engenheiro. “É nesse momento que as prefeituras e o Estado devem agir, quando eles deixam a internação com o propósito de mudar o curso da vida. Um curso de capacitação, um curso técnico, profissionalizante são opções que podem despertar o interesse e mostrar que dá para ganhar dinheiro de forma lícita”, pondera o arte-educador Fernando Braga, para quem também a cultura pode oferecer atividades profissionais das quais eles gostem.