Foto ilustrativa (Freepik) Por mais que tenham sido pensadas inicialmente para as empresas, as iniciativas ESG são igualmente importantes - ou até mais - para o terceiro setor, que reúne organizações privadas sem fins lucrativos. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! “A importância do ESG para essas organizações também se dá por vários motivos como aumento da credibilidade e confiança, atração de recursos e parcerias, otimização da gestão e redução de riscos”, lista a mestre em Gestão de Negócios pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), Erika da Costa e Silva. “A agenda ambiental, social e de governança é uma realidade importante para as empresas e, mesmo que ainda não ocorra de uma forma estruturada e consciente, essas ações já fazem parte do terceiro setor e do seu proposito desde o seu surgimento”, emenda. Organizações do terceiro setor dependem fundamentalmente da confiança de doadores, voluntários e da comunidade em geral. A adoção de práticas ESG demonstra transparência, responsabilidade e um compromisso genuíno com a missão delas, observa a profissional, com especialização em Administração para Organizações do Terceiro Setor pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). “Doadoras, sejam elas pessoas físicas, empresas ou fundações, estão cada vez mais atentas à onde seu dinheiro está sendo investido. Empresas que adotam ESG em suas próprias operações tendem a buscar parceiros no terceiro setor que também estejam alinhados com esses princípios”, acrescenta a também professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e membro do Núcleo de Estudos Avançados no Terceiro Setor (Neats) da mesma entidade. A estrutura ESG ajuda as organizações na identificação e mitigação de riscos. “Em termos ambientais, pode ser a adoção de práticas mais sustentáveis em suas operações. No social, pode envolver a garantia de um ambiente de trabalho justo para seus colaboradores e voluntários. Na governança, refere-se a conselhos transparentes e tomadas de decisão éticas”, lista. Em meio a tudo isso, mensurar e demonstrar o impacto do que é feito integram a relação de atitudes. “As organizações do terceiro setor não apenas realizam suas atividades, mas também é imprescindível que mensurem e comuniquem o impacto de seu trabalho. Isso é crucial para justificar o apoio e demonstrar o valor gerado”. Ensinamentos A especialista lembra que as entidades do terceiro setor têm muito a ensinar às companhias privadas sobre ESG. Autenticidade e propósito genuíno é a primeira delas. “Organizações do terceiro setor nascem de um propósito social. A maior lição aqui é que o impacto social não pode ser um apêndice ou uma estratégia de marketing, mas sim uma parte intrínseca da identidade da organização. Muitas empresas privadas ainda veem o social como filantropia ou marketing social. O terceiro setor pode mostrar que a resolução de problemas sociais e ambientais é um motor de valor e inovação”, explica. O engajamento dos envolvidos no processo e a construção de confiança comunitária também fazem parte. “Essas organizações dependem da confiança e do engajamento de uma ampla gama de pessoas, como: beneficiários, familiares, voluntários, doadores, comunidades locais. São, geralmente, especialistas em construir relacionamentos de longo prazo e baseados na confiança mútua”, detalha. A mensuração de impacto social encerra a lista. “O terceiro setor tem experiência em quantificar o intangível: a melhoria na vida das pessoas, a mudança em comunidades. Empresas podem aprender a ir além de métricas financeiras e de conformidade, desenvolvendo formas mais robustas de medir e comunicar seu impacto social e ambiental”. Benefícios mútuos entre empresas e entidades do terceiro setor Ao estabelecerem parcerias estratégicas e programas conjuntos, em vez de doações pontuais, as empresas e organizações do terceiro setor podem desenvolver programas que alinhem os objetivos de negócios da empresa com a missão das entidades sem fins lucrativos. Em consultoria e Mentoria Reversa, os profissionais que atuam no terceiro setor pode oferecer expertise e insights sobre questões sociais e ambientais para as empresas. Por outro lado, profissionais de empresas podem oferecer mentoria em áreas como gestão, finanças e tecnologia para as entidades. Com foco nas cadeias de valor sustentáveis e fornecedores inclusivos, as empresas podem integrar organizações do Terceiro Setor em suas cadeias de suprimentos, comprando produtos ou serviços de cooperativas sociais, negócios de impacto ou ONGs que geram trabalho para grupos vulneráveis. Em programas de voluntariado corporativo e engajamento de colaboradores, as empresas podem incentivar e facilitar o voluntariado de seus colaboradores em organizações do terceiro setor, que podem se beneficiar da expertise e da mão de obra. Em investimento de impacto e capital, as empresas e fundações corporativas podem ir além das doações e investir em organizações do terceiro setor que demonstram potencial de crescimento e impacto sustentável, proporcionando capital para expandir as operações e gerando empregos.