(Vanessa Rodrigues/AT) O transporte público nas cidades da Baixada Santista ainda engatinha quando o assunto é a redução na emissão de poluentes, com a adoção de veículos elétricos. Medidas, porém, estão sendo tomadas pelos municípios. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em Santos, a Administração afirma que, dos 216 ônibus da frota operacional, 185 foram fabricados com a tecnologia Euro 5, que reduz a poluição atmosférica e melhora a qualidade do ar. Os outros 31 já são modelo Euro 6, mais avançados nesses quesitos. “Com as futuras renovações, todos serão Euro 6”, afirma. Há também um ônibus elétrico atendendo na Linha 20 (ligando o Centro ao Gonzaga). “Há interesse na ampliação de elétricos, mas o custo elevado desses modelos requer amplos estudos, de forma a não inviabilizar o sistema”, argumenta a Prefeitura. Em Praia Grande, a frota tem 89 veículos, 100% movidos a biodiesel. Segundo a Administração, a cidade possui 69% de veículos com tecnologia Euro 5, e 31% de veículos com a tecnologia Euro 6. “Para este ano, o plano de renovação da frota prevê ainda a substituição de mais seis veículos, elevando para 38% a proporção da frota equipada com a tecnologia Euro 6”, projeta, acrescentando que a expectativa é que, no próximo ano, haja inclusão gradativa de ônibus elétricos até chegar aos 100%. Em São Vicente, a Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) informou que a cidade não conta com ônibus elétricos no transporte público municipal e que, no momento, não há estudo para a implemen-tação desse tipo de veículo. A Prefeitura de Guarujá também informou que a concessionária do serviço (City) não dispõe de ônibus com energia limpa no município. Em Cubatão, a Prefeitura iniciou estudos para a implantação de frota 100% composta por ônibus elétricos - atualmente, todos os veículos usam combustível tradicional. “Em abril deste ano, a cidade recebeu o protótipo Azure A12BR, da empresa Tevx Higher, que já opera em locais como o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e nas cidades de Cascavel, no Paraná, e de Belém, no Pará. O modelo, com 12,2 metros de comprimento e capacidade para até 75 passageiros, foi testado. A expectativa é que, com a conclusão dos testes e estudos técnicos, o município avance para a implantação definitiva da nova frota elétrica”, detalha. Mais cidades De acordo com a Secretaria de Segurança e Mobilidade de Bertioga, a frota do transporte público coletivo municipal é composta por 38 veículos, sendo 34 movidos a Diesel Euro 6 e quatro veículos elétricos. Mongaguá conta com 21 ônibus, todos movidos a diesel. O serviço é feito pela Ação Transportes, com vínculo até abril de 2026. “Para o próximo contrato, a Prefeitura estuda a possibilidade de implantar veículos com energia limpa no município”, revela. Em Itanhaém, a Administração informou que todos os ônibus que compõem o transporte publico municipal são movidos a Diesel S-10, com a tecnologia Euro 6. “Até o momento, não foi realizado um estudo específico para implantação de ônibus movidos a energia limpa, como veículos elétricos por exemplo”, acrescenta. Em Peruíbe, há 14 ônibus Euro 6 e dois veículos de reserva. “No momento não há previsão de aumentar a frota, visto que o que é oferecido aos munícipes atende perfeitamente a demanda interna”, argumenta. Na hora de renovar frota, ônibus elétrico está no foco O foco em termos de renovação de frota de transporte público no Brasil tem sido o ônibus elétrico, avalia Alexandre Batista, líder do Breathe Cities e do Clean Air Fund para o Brasil, programa pioneiro que visa reduzir a poluição do ar nas principais cidades do mundo. “As janelas de tempo para renovar as frotas variam de uma cidade para outra, mas geralmente acontece entre sete e dez anos. Como o biometano é uma solução parcial de emissões, ainda que menor do que o diesel, e o elétrico não tem emissões diretamente associadas, as janelas têm sido utilizadas para focar no elétrico”, explica. O modelo mais comum utilizado para começar a incorporar os ônibus elétricos - ou até que seja o biometano - tem sido de 10% a 20% da frota, afirma o especialista, graduado em Gestão Pública pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), além de mestrado e doutorado em política ambiental pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Isso acontece até para a operação se habituar a entender o quanto afeta todo o sistema ter ônibus elétricos, com adaptação de garagens e terminais específicos, e, a partir daí, pensar em percentuais maiores no médio e longo prazo Você precisa de mais ônibus na frota porque alguns ficam parados tendo recarga, caso não seja rápida”, justifica.