As mudanças climáticas têm forçado as empresas a se reinventarem (Gerada por IA) Mais do que um alerta ambiental, as mudanças climáticas são um chamado à ação para governos, sociedade e, especialmente, para o mundo corporativo. Trata-se de uma responsabilidade inadiável dentro do conceito ESG - ambiental, social e governança, em português -, segundo o engenheiro e professor universitário Ivan Lima, também presidente do Lide Equidade Racial. As mudanças climáticas têm forçado as empresas a se reinventarem. Entre as principais alterações estão a transição para fontes de energia renovável, a revisão de cadeias de suprimentos e a digitalização de processos para reduzir desperdícios. “Empresas como a Unilever, que adota práticas de economia circular, a Microsoft, comprometida em se tornar carbon negative (carbono negativo) até 2030, removendo mais carbono do que emite, com investimentos em tecnologia de captura direta de carbono e reflorestamento, e a Amazon, que se comprometeu com a neutralidade de carbono até 2040, são exemplos claros de como os negócios podem evoluir”, resume Lima. As iniciativas de redução de emissões de carbono e compensação ambiental são ferramentas importantes para mitigar os impactos das atividades humanas ao meio ambiente. Elas funcionam de forma complementar: enquanto a redução foca em modificar processos produtivos e operações para diminuir diretamente a quantidade de gases de efeito estufa (GEE) liberados na atmosfera, a compensação neutraliza as emissões que não podem ser eliminadas, investindo em projetos que removem ou evitam a emissão de GEE em outras áreas. Facilitada A adaptação das empresas, segundo a presidente da Comissão de Compliance da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo, Flávia Filhorini Lepique, foi facilitada por quatro fatores: maior disponibilidade de conhecimento, avanços tecnológicos, pressão do mercado e aumento de incentivos de colaboração. Mas ainda há desafios. “Embora as empresas hoje tenham mais ferramentas e recursos do que no passado, a adaptação aos desafios climáticos exige uma combinação de: compromisso estratégico (integrar sustentabilidade às metas corporativas de longo prazo), inovação constante (investir em novas tecnologias e processos) e colaboração (trabalhar com stakeholders - grupos de interesse - internos e externos). O conhecimento e as ferramentas disponíveis hoje possibilitam avanços significativos, mas o sucesso depende de como cada organização interpreta e aplica essas soluções. A jornada ainda é desafiadora, mas muito mais acessível e fundamentada do que antes”. Adaptação ainda é desafiadora Apesar dos avanços, a adaptação das empresas e a responsabilidade diante das mudanças climáticas ainda é desafiadora por cinco razões, segundo a presidente da Comissão de Compliance da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo, Flávia Filhorini Lepique. A primeira está nas lacunas no conhecimento. “Apesar do progresso, muitas empresas ainda têm dificuldade em entender a complexidade das mudanças climáticas e como integrá-las a suas operações. Pequenas e médias empresas frequentemente carecem de recursos para acessar consultorias especializadas ou tecnologias avançadas”, comenta. Os custos iniciais elevados também complicam. “Adotar práticas mais sustentáveis frequentemente exige investimentos iniciais significativos, como instalar painéis solares ou converter frota de veículos. Empresas em mercados emergentes enfrentam desafios adicionais, como acesso limitado a financiamento”, observa. A resistência cultural e estrutural atrapalha. “Algumas empresas ainda enxergam a sustentabilidade como um custo e não como um investimento estratégico. Em grandes organizações, alinhar sustentabilidade à estratégia empresarial pode ser complicado, especialmente em cadeias globais de suprimentos”, afirma. A incerteza regulatória também faz parte. “Em algumas regiões, a falta de consistência ou previsibilidade nas políticas climáticas dificulta o planejamento de longo prazo”, observa. A escassez de soluções escaláveis termina o quadro. “Nem todas as tecnologias verdes estão disponíveis ou economicamente viáveis para todos os setores e regiões”.