O 2º encontro, realizado no auditório do Grupo Tribuna, teve dois painéis com a governança no centro (Alexsander Ferraz/AT) Pluralidade, agilidade e transparência. Esses três pilares foram apontados como essenciais para garantir uma boa governança nas organizações. A conclusão surgiu dos dois painéis promovidos na tarde nesta terça-feira (23), na 2ª edição do projeto Agenda ESG, realizado pelo Grupo Tribuna em seu auditório. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Com mediação da gerente de Projetos e Relações Institucionais do Grupo Tribuna, Arminda Augusto, e do economista Gesner Oliveira, o encontro reuniu especialistas de diferentes áreas para debater os desafios e avanços da governança no Brasil. “É preciso ouvir todos os envolvidos, tomar decisões e, acima de tudo, ser transparente. Esse processo não é simples. No Brasil, ainda falta senso de urgência, mas a agilidade é fundamental quando falamos de governança”, destacou Gesner. Os debatedores também reforçaram que o “G” da sigla ESG – muitas vezes visto como silencioso – é, na verdade, o alicerce que sustenta as práticas ambientais e sociais (ESG, do inglês refere-se a Ambiente, Social e Governança). No primeiro painel, Impacto da Agenda Social, o fundador do Instituto Elos, Rodrigo Alonso, relatou como iniciativas comunitárias podem se transformar em projetos estruturantes. Ele lembrou o caso da construção de uma creche em palafitas no Dique da Vila Gilda, em Santos, realizada com apoio da comunidade em apenas cinco dias. “Muitas vezes achamos que o social é apenas fazer o bem, mas na verdade é fazer o bem de forma bem estruturada.” Já Neide Santos, idealizadora do projeto Vida Corrida, emocionou ao contar como transformou a dor da perda do marido e do filho em um movimento que incentiva mulheres e crianças do Capão Redondo, em São Paulo, a praticar esportes. Para ela, a ética é inegociável: “Não existe meio ética. Ou você faz a coisa correta, ou não faz.” O coordenador de Sustentabilidade da Ecovias, Jefferson da Silva Junior, também reforçou a importância do diálogo com a sociedade. “É preciso compreender as necessidades das comunidades e desenvolver projetos capazes de gerar impacto real.” Os participantes destacaram que a maior dificuldade para implementar a governança está na falta de cultura voltada à gestão. Segundo Julio Amorim, CEO da empresa Great Group, o grande obstáculo tem sido convencer empresários de que governança não é só conceito, mas um caminho concreto para resultados. “Fora do país, há uma visão de longo prazo. Aqui, ainda prevalece a preocupação imediata com o retorno financeiro, o que dificulta a consolidação de práticas de gestão.” Governança ajuda a deslocar a mentalidade de curto prazo para foco na perenidade das empresas. “O BNDES, por exemplo, tem reforçado essa postura, oferecendo acesso público a todas as suas operações e cobrando boas práticas das empresas”, disse André Albuquerque Sant’Anna, economista do BNDES. O superintendente de Governança, Riscos e Compliance na Autoridade Portuária de Santos, Claudio Bastos, lembrou que o desafio real é fazer com que a cultura da governança circule entre os empregados. “Não se trata de virar uma chave, mas de um processo de construção.” Outro consenso: ESG não pode ser visto como filantropia. Projetos precisam ser analisados sob a mesma ótica de viabilidade ampla. “Hoje, até projetos socioambientais são questionados quanto ao retorno que podem gerar.” Para o especialista em governança corporativa e ex-presidente do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), José Guimarães Monforte, o processo de governança tem oscilado: de um lado, ausência de controles, de outro, excesso de regras. “O grande desafio é encontrar o equilíbrio, para que a governança funcione sem paralisar a organização.” Nascida em Prado, na Bahia, Neide Santos teve uma infância marcada por separações familiares e dificuldades (Alexsander Ferraz/AT) Corrida da superação Nascida em Prado, na Bahia, Neide Santos teve uma infância marcada por separações familiares e dificuldades. Aos seis anos, mudou-se para São Paulo, onde viveu em lares adotivos e precisou conciliar trabalho e estudos. As tragédias se intensificaram na vida adulta: Neide perdeu o marido e, anos depois, o filho mais velho, Mark, assassinados. Foi nesse contexto de dor que ela encontrou na corrida um caminho para seguir em frente. Em 1996, Neide marcou história ao se tornar a primeira mulher do Capão Redondo a participar da Corrida de São Silvestre. “Uma mulher chegou até mim e disse que também queria correr. Foi nessa hora que criei o projeto voltado a mulheres.” Três anos depois, em 1999, Neide fundou o Projeto Vida Corrida, no Capão Redondo, zona sul de São Paulo. Hoje, o Vida Corrida oferece atividades esportivas gratuitas e já beneficiou mais de 4 mil pessoas. Mais do que treinos, o projeto promove autoestima, disciplina, saúde e inclusão social em uma região historicamente marcada pela violência e pela falta de oportunidades. “O esporte dá esperança e mostra que é possível sonhar mais alto.”