A logística reversa surge como uma prática essencial para empresas que buscam alinhar suas operações aos princípios de sustentabilidade (FreePik) A logística reversa surge como uma prática essencial para empresas que buscam alinhar suas operações aos princípios de sustentabilidade e aos critérios ESG (ambiental, social e governança, em português). Trata-se do conjunto de procedimentos e ações para recolher e dar encaminhamento pós-venda ou pós-consumo ao setor empresarial, a fim de reaproveitar ou destinar de forma correta os resíduos sólidos e descartes de embalagens. “A logística reversa não é apenas uma obrigação, mas uma oportunidade de liderar a transição para uma economia mais circular e responsável”, afirma o consultor em Excelência Operacional Otávio Monsanto de Paula. A implementação de um sistema robusto de logística reversa envolve superar os obstáculos relacionados à infraestrutura, engajamento, regulamentação e viabilidade financeira com inovação, investimento e compromisso de longo prazo, segundo o profissional. “Os benefícios resultantes são substanciais e multidimensionais. A redução de impactos ambientais contribui diretamente para a sustentabilidade global, enquanto o fortalecimento da reputação da marca pode gerar vantagens competitivas significativas. Além disso, o aumento da eficiência operacional pode resultar em economias consideráveis e novas oportunidades de negócio”, comenta Monsanto, com experiência em empresas nacionais e multinacionais. Metas e tecnologia Para incorporar a logística reversa na estratégia de negócio de forma que contribua efetivamente para esses objetivos, de acordo com Monsanto, a solução passa por definir metas claras e mensuráveis de redução de resíduos e impacto ambiental, associando-as diretamente aos KPIs (Key Performance Indicator ou Indicador-Chave de Performance). “Isso pode incluir o estabelecimento de objetivos específicos para reciclagem, reutilização de materiais e redução de emissões de carbono relacionadas à logística reversa”, explica. Investir em tecnologia para rastreamento e automação dos processos de coleta é crucial, na visão do profissional. Muitas empresas não possuem os recursos físicos necessários para implementar um sistema eficiente de logística reversa, o que pode resultar em processos ineficientes e custos elevados. “Implementação de sistemas de gerenciamento de armazéns (WMS) especializados em logística reversa, uso de RFID (Radio Frequency Identification que significa Identificação por radiofrequência) para rastreamento de produtos, e adoção de algoritmos de IA (Inteligência Artificial) para otimizar rotas de coleta e processos de triagem estão entre as medidas”, lista. Tornar a logística reversa financeiramente viável, especialmente em setores de baixo valor agregado, é um desafio significativo, segundo o consultor em Excelência Operacional Otávio Monsanto de Paula. Os custos associados à coleta, transporte e processamento de materiais podem superar o valor recuperado, tornando o processo economicamente inviável. “A solução é identificar oportunidades de geração de receita a partir de materiais reciclados e reutilizados é crucial. Isso pode incluir o desenvolvimento de novos produtos a partir de materiais reciclados, criação de parcerias para compartilhamento de custos e recursos, e exploração de modelos de economia circular que agregam valor aos materiais recuperados”, sugere o profissional. Monitorar e relatar os resultados das iniciativas de logística reversa de forma transparente é algo complexo, na visão de Monsanto. A falta de métricas padronizadas e sistemas de rastreamento pode dificultar a avaliação precisa do impacto e a comunicação eficaz com os stakeholders (grupos de interesse). “Utilizar ferramentas de análise de dados para medir o impacto ambiental e econômico é essencial. Isso inclui a implementação de sistemas de BI (Business Intelligence) especializados em sustentabilidade, o uso de blockchain (banco de dados compartilhado) para rastreabilidade de materiais, e a adoção de padrões internacionais de relato, como o GRI (Global Reporting Initiative)”, explica. Empresa catarinense faz serviço de logística reversa relacionado ao item para eventos de todos os tamanhos Apesar da redução crescente, a preocupação com o uso de copos plásticos segue existindo. Em meio a isso, uma empresa que fica na cidade de São José, junto a Florianópolis, capital de Santa Catarina, propõe um interessante método de logística reversa envolvendo o item: é a Meu Copo Eco. “Trouxemos um conceito que vem da Europa, mas que funciona em centenas de países para diminuir a produção de lixo descartável. A gente faz a fabricação, a decoração, a devolução e também a higienização, com lavagem industrial de copos reutilizáveis personalizados”, afirma um dos fundadores, o francês Martin Joufflineau. A empresa, que conta com quase 100 funcionários, já prestou serviços para eventos gigantes no Brasil, como o Rock in Rio e o Grande Prêmio de Fórmula 1, em que são lavados mais de 200 mil produtos. “É uma logística reversa onde não há geração de lixo. Reutilizamos e armazenamos milhares de produtos de diferentes parceiros, clientes e marcas que acreditam nessa solução”, afirma. A grande escala não é o único alvo da Meu Copo Eco. "Oferecemos uma solução em nosso site (https://www.meucopoeco.com.br/site), com personalização, através de um formato extremamente intuitivo e online, onde cada pode fazer, por exemplo, seus 20 copinhos para também não ter lixo na festa de aniversário do primo, do amigo ou do filho. Números e cultura Segundo os cálculos da empresa, um Copo Eco evita o uso de cinco copos descartáveis por pessoa, todos os dias e é 25 vezes mais ecológico do que qualquer alternativa descartável. Além de reutilizável, é totalmente reciclado, ao final de sua vida útil. “O foco é a mudança da cultura de consumo, que passa do descartável ao durável. O melhor lixo é aquele que não se gera. Lugares em todo o mundo estão proibindo o uso de plástico descartável de uso único, seja sacola, canudo ou copo. E o Brasil já tem algumas leis municipais, estaduais e tramitam duas sobre o assunto em nível nacional, voltados justamente para essa economia circular”, comenta Joufflineau.